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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!


meditaçao.jpgOra viva!

A propósito da meditação, assunto que tenho referido várias vezes nos últimos tempos, há dias uma seguidora perguntou-me se eu acreditava mesmo nisso. Sem hesitação, respondi-lhe: "Quero acreditar!". Mais importante do que acreditar, é querer acreditar. E eu quero acreditar. Mal não faz, pelo contrário; a cada sessão sinto-me mais leve, mais serena, mais conectada com a força cósmica, menos revoltada e, mais importante que tudo, mais esperançosa e em paz com o mundo. Coisas que tanta falta em tem feito nos últimos tempos da minha vida.

Portanto, sim recomendo a meditação. De preferência com a Isabel Soares dos Santos, que nela eu confio. Como não confiar em alguém que nos abre a porta da sua casa todas as quarta-feiras, nos guia pelos caminhos da meditação, nos transmite força e ânimo, põe à nossa disposição o seu tempo e o seu saber, sem nos cobrar um cêntimo?

Importa referir que as sessões são gratuitas, cabendo a cada participante fazer um donativo, se e no valor que considerar justo. Ora, diz-me lá se a Isabel não é mesmo uma guru do bem!

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Ora viva!

 

Acabo de tomar conhecimento que assinala-se hoje o Dia Internacional do Obrigado. Seria um sacrilégio deixar passar a data em branco e uma ingratidão de todo o tamanho perder esta excelente oportunidade para expressar o meu profundo agradecimento a ti que me tem acompanhado nesta odisseia pela blogosfera e que, de um modo ou de outro, diariamente me inspira e me motiva para fazer mais e melhor.

 

Muitíssimo obrigada por estares aqui. Estamos juntos!

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11
Jan17

iStock_000013218853_Medium.jpgOra viva!

Hoje é dia de meditação, pelo que a crónica do dia, além de chegar mais cedo, vem assinada pelo seguidor AR, o novel membro do clube Ainda Solteira, que, por acaso, demonstra bastante jeito para a escrita, não obstante laborar na área da engenharia. Durante uma troca de mensagens, apercebi-me que poderia aproveitar os seus skills para a escrita, no sentido de dar ao blog uma perspetiva masculina da solteirice. No caso do AR, de volta à solteirice, já que o seu estado civil é separado.

Foi assim que, esta terça-feira, desafiei-o a escrever um artigo, cujo tema ficaria ao seu critério. Acedeu de imediato, ressalvando, no entanto, que: "Não vou proteger a espécie masculina. Como um comediante que vi há pouco tempo: 'Men want all the women all the time', um claro conflito com a perspetiva da mulher: 'Women want a man, some of the times'. Mesmo à engenheiro (é pra fazer é pra fazer), envia-me ele esta manhã (às 05:45) um texto, a que deu o título de Equilíbrio. Assim que acabei de lê-lo – ao meio-dia e tal, que eu não tenho a vida dele para precisar madrugar (há que saber aproveitar o lado B do desemprego) – a única palavra que me assaltou o espírito foi: "Brutal". Confere só o seu texto:

Equilíbrio
Quando, finalmente, encontrei a coragem para sair de casa, senti alívio. Sim coragem, que outra coisa podemos chamar a um ato que vai contra tudo o que acreditamos e sentimos? Passa algum tempo e talvez já não pareça coragem, agora têm um toque de estupidez com um cheirinho a arrependimento temperado com muitas dúvidas.

Quando o dia chegou o foco mudou para mim, como explicar ao nosso filho que os pais já não iriam mais estar juntos? Imaginei o seguinte, que nunca lhe consegui dizer por estas palavras:

"Filho, quando o pai conheceu a mãe ficámos amigos e foi plantada uma semente dentro de nós. Às vezes quando se têm muita sorte essa semente cresce e dá lugar a algo chamado amor. O amor traz com ele muitas coisas bonitas, como namorar, viver juntos, às vezes casar, e quando se têm muita sorte nascem filhos lindos como tu. 

Quando se ama, sentimos que somos capazes de fazer tudo e acreditamos que o amor estará sempre forte e à nossa espera.

Mas o amor precisa de ver, tocar e sentir, precisa de ser cuidado. Quando o pai foi para longe o amor dentro da mãe ficou triste, e com o tempo ficou cada vez mais pequenino e desapareceu. 

Quando isso acontece já não se pode ser namorados. Voltamos ao princípio, voltamos a ser amigos. E é por isso o pai já não pode ficar aqui em casa."

O que me leva ao título deste desabafo, Equilíbrio.

A minha geração, denominada por Y, carateriza-se, entre muitas coisas, por "um desejo constante por novas experiências, o que, no trabalho, resulta em querer uma ascensão rápida, que a promova de cargos em períodos relativamente curtos e de maneira contínua". Algo que li por aí.

Aliamos isso ao facto de ser homem e ter uma disposição natural para a competitividade, abraçar desafios cada vez maiores na eterna busca da estabilidade, seja isso o que for, pareceu-me o correto.

Com isso vieram os compromissos... Os dias parecem não chegar e abdicamos de algumas noites que passam ao ocasional fim-de-semana, às vezes férias. E porquê? Porque o trabalho não se faz sozinho e não pode esperar, certo?  Isso era o que eu pensava para mim. 

Decisão após decisão, vou seguindo confiante que é o melhor para todos. Senti que tinha força para tudo, pois as fundações estavam lá. Mas as fissuras lá iam aparecendo, os procedimentos não existiam, as inspeções não foram feitas e, apesar dos sinais ténues, a estrutura começa a desmoronar. Se tiveres sorte e agires depressa ainda vais a tempo de reparar, caso contrário vêm tudo abaixo e vão existir sempre vítimas. 

O segredo está no Equilíbrio. E como é que ele se consegue? Se descobrir aviso, mas como sugestão, comecem por ouvir, ouvir de verdade, quem está à vossa volta. Eu não soube ouvir, agora é altura de reconstruir.

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10
Jan17

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 Ora viva!

 

Na lavandaria, à espera que seque a minha roupa, vou vagueando pela rede à cata de novidades, na firme esperança de que uma delas sirva de inspiração à crónica do dia. E não é que encontrei um artigo digno de ser partilhado? Nem de propósito, este dá sequência a um dos pontos abordados no post de ontem: sessões de abraçoterapia (estou em crer que este termo não existe, mas inventar é comigo mesma).

 

O que escreveu esta bibliotecária americana é caso para nos por a pensar. Uma das minhas resoluções para este novo ano passa muito por isso: mais contacto com as pessoas, mais convívio, mais calor humano. Só espero não ter que chegar aos 44 anos – a idade dela – para dar um passo no sentido de sanar a questão. Ora lê o artigo (um pouco extenso, vou já avisando) publicado pelo DN este domingo.

 

"Só uma vez estive profundamente apaixonada. As minhas outras relações foram mais um género de tréguas na solidão. Finjo durante meses ou anos que não preciso de um homem para ser feliz. Mas ser presunçosamente solteira será muito diferente de ser presunçosamente casada?

 

Participar numa festa de abraços foi uma das minhas resoluções de Ano Novo para superar medos em 2016. As minhas outras resoluções, e eu tinha uma lista longa, incluíam encontros rápidos e fazer uma caminhada com um clube de montanhismo.

 

Nunca cheguei a cumprir as dos encontros rápidos ou a da caminhada, mas em agosto já tinha conseguido reunir a coragem suficiente para me inscrever numa festa de abraços. E foi assim que dei comigo deitada num colchão de espuma no chão de um desconhecido com a cabeça no ombro de um homem estranho. Estranho no sentido em que eu não o conhecia, é claro, mas estranho também por ele ser tão magro e ossudo que abraçá-lo não dava conforto algum.

 

De seguida, uma jovem instalou-se do outro lado e perguntou se poderia dar-me a mão. "OK", respondi baixinho. Esticámos os braços e demos as mãos por cima do peito do homem. Senti-me rígida, tensa, aterrorizada. Um mar de colchões de espuma, mantas e animais de peluche cobria toda a área de chão daquela sala. Mesmo assim, eu sentia a pressão implacável do meu osso ilíaco contra a madeira. Quanto tempo teria de me manter assim? Qual é o tempo aceitável para parecer aberta à experiência, preservando também a minha dignidade?

 

Tinha passado demasiado tempo desde os meus últimos momentos de intimidade com alguém. Aos 44 anos, começava a ficar preocupada com a ideia de me estar a tornar um pouco selvagem. Os meus pais, depois de 46 anos de casamento, continuavam a ter relações sexuais - um sexo pós-menopausa, geriátrico talvez, mas sexo, apesar de tudo. Enquanto isso, eu tinha despendido 25 dólares (23 euros) para abraçar um tipo magricelas.

 

Durante as apresentações, a nossa anfitriã havia dito: "Comecei a organizar festas de abraços há dois anos, porque a minha reserva de abraços estava muito em baixo, mas sabia que não estava pronta para namorar".

 

A sua reserva de abraços? Enquanto percorríamos os presentes na sala, pelo menos duas pessoas disseram que os seus terapeutas lhes indicaram que tentassem aquilo e uma mulher abraçava um Garfield de tamanho natural, balançando-se ligeiramente e murmurando coisas sobre ter medo das pessoas.

 

Anos antes, quando tinha um namorado e um fornecimento constante de abraços, vi um anúncio para a terapia dos abraços e ri-me. Que triste, pensei. E, no entanto, ali estava eu, em parte por curiosidade, em parte para me desafiar a ficar aberta a coisas novas e assustadoras e em parte porque esperava encontrar alguém.

 

Sou uma mulher independente e profissional que vive numa cidade progressista, mas passam-se dias e dias em que não toco noutro ser humano. Nunca pensei que estaria aqui, neste lugar, neste momento da minha vida. O medo que sinto de que seja de algum modo defeituosa tornou-se mais difícil de afastar de mim a cada ano que passa.

 

Um sino tocou. "OK, passaram 20 minutos", disse a nossa anfitriã, dando-nos oportunidade de nos reorganizarmos e abraçarmos pessoas diferentes. Sem perder tempo dirigi-me à casa de banho, o único espaço nesta pequena casa onde poderia estar sozinha. Quando reapareci, todos já tinham encontrado parceiro. Havia um emaranhado de corpos no meio da sala. Fiquei na cozinha a contemplar os lanches: biscoitos secos e legumes com molho de salada. Infelizmente, nada de álcool. Isso poderia tornar as coisas sexuais, tinha explicado a nossa anfitriã. Festas de abraços não têm a ver com sexo, mas sim com o estabelecer limites e ligações. Mas mesmo com as luzes apagadas, toda a instalação parecia mais clínica do que conectiva, como se estivéssemos todos inscritos em Introdução à Interação Humana.

 

Não conseguia deixar de pensar em macacos bebés. Na faculdade, fiz uma introdução ao curso de psicologia, onde estudámos as experiências de Harry Harlow com macacos e como os macacos bebés preferiam uma mãe de pano a uma feita de arame e madeira, mesmo quando era a mãe de arame a fornecedora do alimento. Acontece que os primatas preferem uma mãe falsa fofinha a uma mãe falsa que realmente os mantenha vivos.

 

Talvez isso explique a minha loucura e os meus picos de pressão arterial recentes. Eu tinha-os atribuído a algum tipo de crise de meia-idade, mas talvez sejam o resultado de demasiados anos com muito pouco contacto e carinho. Precisava de sair para o mundo, mas quanto mais a evitava, mais assustadora a perspetiva se tornava. Eu tinha menos medo de me tornar correspondente de guerra do que de abrir uma conta no Tinder.

 

No entanto, de alguma forma consegui reunir a coragem suficiente para fazer isto. "Devemos abraçar-nos?", perguntou bruscamente um sujeito que tinha chegado tarde. "Hum, claro", respondi, já que éramos as únicas pessoas que não se tocavam. "Que tal se nos encaixarmos?" perguntou ele. "Você quer ficar por fora ou por dentro?" "Eu fico por fora", respondi, querendo controlar a nossa proximidade, especialmente nas nossas zonas baixas. Mas ele também não parecia querer muitas proximidades, deixando pelo menos seis ou sete centímetros entre nós. Eu passei o meu braço por cima dele enquanto ficávamos ali deitados, rígidos como tábuas.

 

Então ele começou a falar nervosamente. "Pois foi, eu vi aqueles anúncios de pessoas que se dispunham a abraçar outras em troca de pagamento e pareceu-me dinheiro muito fácil. Comecei a pensar que poderia fazer isso em vez do que estou a fazer agora. Eu trabalho num hospital, mas a minha chefe odeia-me e é estúpida. De qualquer forma, eu disse ao meu terapeuta que vinha aqui esta noite, e ele disse que era demasiado cedo."

 

Demasiado cedo para quê? Não me atrevi a perguntar. Ele continuou a tagarelar até que a anfitriã assinalou novamente o fim do tempo. Parece uma fraqueza admitir que estou tão sozinha. É suposto eu ser uma pioneira, uma feminista corajosa e solteira, sem medo de viver a vida sozinha. Exceto quando é sábado à noite e estou a jantar a observar pela minha janela a sala de jantar da família do outro lado da rua.

 

Eu vejo os primatas a interagirem através das suas portas de vidro de correr. O pai beija a mãe no pescoço enquanto ela lava a loiça. A filha nº 1 senta-se ao colo do pai a ler. A filha nº 2 abraça o pai pelas costas. Será que eles me observam? Será que se perguntam: Por que é que o musaranho do ártico se está a alimentar novamente?

 

Não é que eu não tenha tido oportunidades. Estive noiva por duas vezes (a primeira vez foi o homem que acabou o noivado, a segunda fui eu). Mas só uma vez estive profundamente apaixonada. As minhas outras relações foram mais um género de tréguas na solidão. Eu finjo durante meses ou anos que não preciso de um homem para ser feliz. Mas ser presunçosamente solteira será muito diferente de ser presunçosamente casada?

 

"Quer vir e abraçar-se a nós?", perguntou uma mulher que tinha estado sensualmente abraçada ao mesmo homem durante toda a noite. Ela teria talvez mais 10 ou 15 anos do que eu, assim como o homem de cabelos grisalhos que estava com ela. Eu estava pronta para partir, mas deitei-me de costas entre eles. Ele colocou a cabeça no meu peito e o braço por cima de mim. Ela começou a acariciar o meu antebraço tal como a minha mãe costumava fazer, as suas unhas suaves contra a minha pele. Achei que ia começar a chorar.

 

Muitos dos meus amigos solteiros parecem confortáveis, até felizes, sozinhos. "Sou demasiado evoluída para um relacionamento", disse-me uma amiga recentemente com uma garrafa de vinho entre nós. Eu assenti, fingindo entender. Mudei-me para Seattle há 11 anos em busca de amor. No Alabama, parecia que toda a gente estava casada aos 30, mas Seattle estava cheia de trintões solteiros. Todas as festas que eu frequentava ofereciam grandes possibilidades. E, no entanto, a maioria era estridentemente solteira, satisfeita com as suas vidas. Subindo montanhas. Remando através dos oceanos. Quanto menos bagagem, melhor.

 

A mulher ao lado de quem eu me tinha deitado disse: "Sabíamos que a queríamos abraçar quando você se apresentou e disse como estava assustada com tudo isto". As mãos dela continuavam a acariciar suavemente o meu braço. "Você foi tão honesta e corajosa."

Quando perguntei se eles já se conheciam antes daquela noite, ela riu-se e contou-me que se tinham conhecido há seis meses noutra festa de abraços. Uma parte de mim esperava encontrar o amor ali, mas enquanto percorríamos a sala nas apresentações, comecei a perceber que eu era possivelmente a pessoa mais aterrorizada ali, talvez até mais do que a mulher que abraçava o Garfield. Ao longo dos anos, quase sem perceber, tinha-me tornado menos disponível, menos acessível, entrincheirando o meu coração pedra a pedra.

 

A mulher continuou a acariciar o meu braço com uma mão, e então, passando o outro braço por cima do meu peito deu a mão ao seu homem. Parecíamos estar à beira do território da orgia. A verdade é que em vez de entrar em pânico senti-me a relaxar. E enquanto os pontos em que os nossos corpos se tocavam começavam a aquecer, eu comecei a sentir-me fisicamente conectada com outras pessoas pela primeira vez desde há muito tempo. Porque é que eu estava tão assustada com isto? Porque é que alguém fica assustado com isto?

 

Existem agora mais adultos solteiros do que casados neste país, e o número dos solteiros que vivem sozinhos aumentou para um quarto de todos os lares. Não deve ser necessário fazer pesquisa científica com macacos para entender que todos nós precisamos, talvez acima de tudo, de conforto físico neste mundo. A minha resolução para 2017: procurá-lo."

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1170914_425003547706200_7638918409521835153_n.jpgOra viva!

Eu sei que fiz gazeta quinta e sexta, mas acredita que estive com os pensamentos aqui focados, mais não seja porque o sentimento de culpa não me dava tréguas e coisas para narrar desenrolavam em catadupa. Aconteceu de tudo um pouco nestes últimos dias, que nem sei bem por onde começar.

Fui abordada por um "homem submisso à procura de uma mulher controladora" (palavras dele, não minhas), no sentido de saber se eu estava interessada em sessões de sadomasoquismo. Para além de me perguntar se dava atendimento, e em que condições, o aspirante a Mr. Grey fez questão de deixar claro que não abria mão de estalos na cara e saltos agulhas. Sobre isso, reservo-me o direito de me pronunciar a posteriori, já que ainda estou a digerir a dita proposta. Digamos que estou em choque pós traumático, em que ainda não decidi se desato à gargalhada, se me sinto ultrajada ou, simplesmente, tentada a aceitar, já que o dito cujo declarou estar disposto a pagar o que eu entendesse. Jogou sujo ele ao dizer isso, sabendo da minha precariedade económica. Pelos vistos neste tipo de jogo, vale apelar a (quase) tudo.

Nesse entretanto, recebo de um pretendente um singelo e desinteressado convite para um rendez-vous, um 5 c’clock tea, mais precisamente. Animada perante a perspetiva da junção dos ingredientes lazeira de domingo, solzinho aconchegante, vista panorâmica, companhia agradável, papo interessante e chá quentinho para aquecer a alma, de bom grado aceitei. Porém, a meio da conversa, fico a saber que afinal o fulano tinha que estar naquele lugar, naquele dia e àquela hora, não especificamente para se encontrar comigo, mas para tratar da vidinha dele. Dado que se trata de uma pessoa muito ocupada, e eu uma menina muito desocupada, nada mais conveniente para ele (obviamente!) do que "encaixar-me" na sua agenda do dia. Preciso dizer qual o epílogo desta novela express? Está bem, eu digo, sei que estás mortinha por saber: "Parece-me que alguém com tão pouca disponibilidade como tu não é de todo o que procura alguém com tanta disponibilidade como eu. Vai lá para o teu retiro, reorganiza a tua vida, redefine as tuas prioridades, reformata a tua cabeça. Quem sabe nessa altura voltaremos a conversar."

Antes disso, na sexta, numa inocente conversa de café, deram-me conhecimento de novas opções (todas virtuais) de confraternização, pensadas à medida de uma solteira. Acaso, já ouviste falar de sugar babies e sugar daddies? Eu só agora tomei fé do conceito, pelo que ainda estou em fase de recolha de informação antes de assumir um posicionamento: pro, contra ou neutro.

Mas uma coisa me parece cada vez mais certa: a indústria de dar o corpo ao manifesto por um determinado valor vê em mim alguém com grande potencial, marketingamente falando. Dado que, à beira dos 40, já não ir a tempo de tentar a minha sorte como profissional do ramo, quem sabe não consiga uns biscates como cafetina ou cuddler.

Apesar de, a meu ver, a fonética desta palavra ser capaz de fazer corar um tomate, ao que tudo indica trata-se de uma prática decente e legítima que tem ganho adeptos por este globo fora, principalmente entre os americanos (quem mais?). Pelo que li, já há quem receba dinheiro por dar abraços, dormir "em conchinha" ou outro tipo de mimos. A esta nova (e promissora) oportunidade de negócio deram o nome de cuddling, um serviço cujo valor ronda os 330 dólares (229 euros) por sessão. Já tinha ouvido falar das festas de abraço e sessões de abraçoterapia, prática conhecida do outro lado do Atlântico, mas esta do cuddling apanhou-me completamente desprevenida.

E não penses que estes encontros acabam em sexo. Nada disso! Trata-se apenas de troca de carinho e aconchego que, por vezes, resulta também em jantares. Quanto à clientela, a maioria dos clientes são homens, entre os 40 e 60 anos, que têm problemas de afeto nas suas relações conjugais, não conseguem arranjar companhia ou simplesmente estão sozinhos no mundo.

Já viste uma coisa destas? Desde que li sobre o assunto que me venho perguntando se me safava a cuddlar (esta palavra soa mesmo mal, não achas?). Parece que 2017, de facto, me tem reservado muita abundância, como tinha previsto a minha guru do bem. Resta agora saber se ela corresponderá às minhas expectativas. O tempo, o mais sábio dos conselheiros, o dirá. Até lá, estamos juntos!

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04
Jan17

'Bora rendermo-nos ao hygge?

por Sara Sarowsky

20163441_uPOzF.pngOra viva!

Chego fora de horas, mas bem disposta até ao tutano. Fui à meditação, hoje dedicada aos 'sacos de lixo' que vamos acumulando ao longo do tempo e dos quais precisamos nos livrar se queremos ter uma existência mais feliz. Por "lixo" entende-se toda a amargura, ressentimento, infelicidade, mágoa, tristeza, pessimismo, negatividade, desesperança, raiva, ódio, infelicidade, e por aí fora. Emoções que não só contaminam o nosso espírito como impedem que coisas boas entrem na nossa vida.

No final da sessão, a minha guru do bem convidou cada participante a tirar quatro cartas do baralho, correspondendo cada uma a um trimestre deste ano. De entre as quatro que escolhi, três faziam referência à abundância. Já na última sessão, ocorrida na véspera do fim de ano, tinha-me saído o Imperador, uma carta que, no meu caso, simbolizará realização/concretização, ou seja, coisas boas.

Ao que tudo indica, 2017 tem-me reservado muita fartura e prosperidade. Sobre o amor as cartas nem piaram, está-se mesmo a ver que ainda não é desta. Não faz mal, se pobre já sou o que sou, imagina agora cheia de posses.

O princípio, meio e fim para uma vida melhor, e uma das coisas que a minha guru do bem não se cansa de frisar, passa impreterivelmente por uma mudança na nossa forma de estar. Algo a que os dinamarqueses – simpáticos eles, não? – chamam de hygge.

Para estes descendentes diretos dos vikings, dos mais felizes e prósperos do mundo, esta palavra (que significa aconchego), mais do que um conceito é uma forma de estar na vida. Uma forma de estar que envolve uma atmosfera acolhedora e promove a proximidade entre amigos e familiares, a entreajuda de todos e o desapego ao drama e aos desejos individuais, tudo em nome da união de grupo.

Fantástico, não? Assim que a dona abundância der o ar da sua graça, coisa que, segundo os astros, será já neste primeiro trimestre, irei eu irei eu a caminho da Dinamarca. Meditada, em toda a sua plenitude, abastada, em toda a sua significância, e solteira, em toda a sua essência.

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13346704_1730977707183656_8578348256777011509_n.jpOra viva!

Disse-me no outro dia a Isabel Soares dos Santos, provedora energética deste blogue e amiga pessoal que me tem guiado nas aventuras da meditação, que Ainda Solteira pode não ser o nome mais auspicioso para quem aspira emparelhar-se. Sim, assumo que neste novo ano quero viver uma (intensa) paixão. Não platónica, como aquela que nutri (nutro?) pelo tal rapaz lá do ginásio, mas uma real e correspondida (convém).

Na opinião da minha guru do bem, como carinhosamente a trato, eu deveria ao menos acrescentar algo mais ao nome do blogue, de modo a retirar-lhe a carga determinativa. Algo parecido com Ainda Solteira (até o dia…). Como profissional do esoterismo, especializada em cura espiritual, explicou-me ela que apenas Ainda Solteira pode passar ao universo a mensagem de que essa condição amorosa é uma espécie de sentença de vida e não um mero estado civil.

A lei do karma determina que do universo recebe-se (exatamente) aquilo que se emite. Logo, cada vez que eu faço referência à solteirice, o universo devolve-me exatamente isso: mais solteirice, que se traduz na perpetuação dessa minha condição. Pelo que entendi, para que eu possa debelar o (mau) karma que tem pautado a minha vida amorosa, devo evitar ao máximo qualquer referência à solteirice, inclusive o nome deste cronicário.

Tudo isso faz sentido, reconheço, mas faz igualmente muito sentido não desvirtualizar, ainda que por uma boa causa, a essência deste blogue.

E agora?

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02
Jan17

Ano novo, postura nova

por Sara Sarowsky

Black-Mixed-Afro-Hair.jpgOra viva!

Ano novo, vida nova é o que mais se apregoa por estes dias. Na conversa com os amigos, na televisão, nas redes sociais, mas sobretudo na nossa consciência. Contudo, de que adianta querer uma vida melhor se não estivermos, de facto, dispostos a mudar de atitude, postura, mentalidade, comportamento, como preferires chamar-lhe?

A cada virada de ano, defino uma lista com 10 resoluções, idealizo uma série de conquistas, assumo uma data de coisas, elaboro planos e mais planos, mas o mais importante acaba sempre por ficar pelo caminho: mudar de atitude. Ano após ano vira o disco e toca o mesmo.

Uma vez, uma amiga (PT lá do meu antigo Hut), a propósito do rapaz lá do ginásio, disse-me algo que já tinha ouvido várias vezes, mas que nunca tinha assumido grande significado para mim. Não me recordo quais foram as palavras exatas dela, mas era algo neste sentido: "Como esperas ganhar o jogo se não mudas a tática?".

Tudo isso para dizer que o meu maior desafio para este ano, mais do que um emprego decente, dinheiro para viajar, reencontro com a família, regresso a Paris, mais e melhor Ainda Solteira, "borboletas no estômago", cabeleira farta e otras cositas más, é o de mudar a minha postura. Essencialmente em relação à negatividade dos meus pensamentos, ao perdão, às segundas oportunidades e ao "estou-me nas tintas para o que não depende de mim".

A propósito do desejo de melhorar a disposição e obter uma vida diferente que atinge 9 em cada 10 das pessoas no início do ano, o especialista em terapia comportamental e cognitiva, Nicodemos Borges, aponta oito (excelentes) dicas:

1. Mudança de visual
Um novo look, tenha ele a ver com o cabelo, o guarda-roupa ou o corpo, podem fazer muito pela nossa autoestima.

2. Ajuda ao próximo
Gentileza gera gentileza, logo dar boleia a uma pessoa, ajudar alguém a atravessar a rua ou a carregar coisas, dar comida a quem dela necessita, doar coisas que não precisamos, não só fará bem a quem recebe a gentileza como gerará bem estar em quem a pratica.

3. Adeus 'tralhas'
Coisas que não usamos há mais de seis meses é sinal de que podemos muito bem passar sem elas. Sendo assim, o melhor a fazer é mandá-las para reciclagem, doá-las a instituições de caridade ou oferecer aos mais necessitados.

4. Animal de estimação
Para mim esta dica nem se cogita, mas acredito que para ti possa ser uma bênção. Adotar um animal de estimação é uma boa forma de fazer mais e melhor por outro ser vivo e dar um novo ânimo à tua vida.

5. Algo novo
Quer seja um idioma, uma dança, uma modalidade desportiva, um ginásio, um itinerário, uma disciplina, um prato, ou o que mais te lembrares, aprender uma coisa nova faz com que a tua vida fique mais emocionante e melhores as tuas capacidades.

6. Dança
Abanar o capacete, como se diz na gíria, é uma das atividades físicas mais satisfatórias que existem, por isso investir nela será, sem dúvida, uma aposta ganha. Além da boa forma física, poderás divertir-te a valer. Nunca se sabe quem poderá ser o teu colega de pista.

7. Novos horizontes
Viajar, a melhor oportunidade para se descobrir países, locais, pessoas, experiências, culturas, gastronomias e modos de vida, é algo que devia vir salvaguardado na carta magna. Além de nos permitir ampliar a nossa visão do mundo e contribuir para a nossa cultura geral, é um verdadeiro bálsamo para a alma. E um antídoto à infelicidade.

8. Social media detox
Dedicar horas e horas ao Facebook, Twiter, Instagram e companhia ilimitada não só não vai contribuir para a tua (real) felicidade, como vai-te envolver numa mescla de feira das vaidades com fogueira das futilidades. Dessa enfermidade não padeço, mas caso tu sim, que tal passares a conviver mais com pessoas de carne e osso e menos com as de pixéis, frames e caracteres? Que tal olhares mais para o que te rodeia e menos para as fotografias alheias? Que tal substituíres os likes virtuais por abraços reis? Que tal mais declarações de amor e menos emojis? Poderia passar aqui o resto da tarde a (tentar) demonstrar-te o quanto nos aliena e anestesia o social media (e bem sabes que disso entendo eu). As redes sociais são uma das melhores coisas que nos aconteceram, isso nem se discute. Infelizmente, possuem essa capacidade dicotómica de afastar quem está perto e aproximar quem está longe. Há é que saber estabelecer uma linha que separe o real do virtual.

Como podes ver, meu bem, atitudes simples podem resultar num grande impacto na nossa vida, conferindo-lhe aquela excelência que tanto desejamos e merecemos.

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