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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!


15
Jul16

Pray for Nice

por Sara Sarowsky

luto.jpg

Hoje estou (novamente) de luto. O coração apertado, a alma dilacerada e o pensamento baralhado. Choro, não só pelas dezenas de vítimas do massacre da noite passada em Nice, mas sobretudo por ter plena consciência de que ninguém está a salvo naquele país. Sobretudo a minha família, que toda ela vive em terras gaulesas.

 

Só pergunto: porquê? O que leva um ser humano a atentar contra seus semelhantes? Não compreendo, não quero compreender, não aceito compreender, não consigo compreender.

 

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14
Jul16

0 lactose = 0 alergia?

por Sara Sarowsky

zerolactose.jpgHá dias a Tercia ofereceu-me um convite para a Feira Alternativa de Lisboa. Admito que só me dispus a deixar o conforto do meu lar num domingo – é o único dia da semana em que não gosto mesmo de por o pé na rua, ainda por cima em dia da final do Euro 2016 – mas foi tão amável o convite desta minha amiga, conterrânea, vizinha e colega de ginásio e de solteirice que não tive como.

Portanto, lá tive eu que enfrentar o sentimento de lesmice, típico de domingo, o sol escaldante e a escassez da carreira 767 e abalar-me até Alvalade. E não é que a feira revelou-se uma agradável e didática surpresa, superando largamente as mais otimistas expectativas?

Havia de tudo e mais: cosmética natural; alimentação saudável; suplementos alimentares; artigos esotéricos; consultas de tarot; as mais variadas terapias para o corpo, mente e alma; leituras de mãos e cartas; todo o tipo de meditação; massagens; comidas do mundo; cristais; amuletos; vestuário; calçado; bijuteria; artigos para o lar; tratamentos de beleza; ou seja, uma infinidade de produtos e serviços o mais natural, saudável e benéfico possível.

Perante aquele cenário, esqueci o calor, ignorei o corpo húmido de suor, mandei à fome às favas e parti à descoberta daquele encantado mundo alternativo. Não vou detalhar tim tim por tim tim tudo o que vi, adquiri e experimentei por lá, porque nunca mais saía daqui e acabaria por desviar-me do tema deste artigo.

Numa barraquinha de suplementos alimentares, questiono o expositor sobre qual o mais indicado para combater a acne – sim, à beira dos 40 anos e ainda me debato com algo que é suposto ter ficado sanado lá trás no tempo. Na adolescência tive imensas borbulhas, mas estas acalmaram-se na idade adulta, ficando reservadas a ocasiões especiais como menstruação, ingestão de comida mais gordurosa ou descontrolo emocional.

Há uns anitos já que a minha pele não conhecia mais do que umas quantas borbulhas esporádicas. Desde que fui de férias lá para a terra, há coisa de um ano, tudo mudou. Agora ando com uma crise de acne que até mete medo. E não é uma acne normal, pois não cede nem a cremes (caríssimos, por sinal), nem a tratamentos profissionais, e muito menos à atenção redobrada com a alimentação e com os cuidados de limpeza. É algo mais, eu sei, já que não nem mesmo reage à medicação, ando a tomar antibióticos que a dermatologista me receitou para infeções cutâneas – altamente eficazes numa outra ocasião, mas que agora parecem nulas.

Voltando à barraquinha de suplementos, um conhecido com quem tinha cruzado instantes antes, ao ouvir a minha pergunta, responde de prontidão: "não precisas de suplementos para resolver esse problema". Quando lhe pergunto porquê, diz-me ele que já não tinha idade para ter espinhas (que novidade!) e que o meu problema não passava de alergias - como é que ele podia saber isso? De facto, como já aqui mencionei n vezes, ando com alergia a tudo e mais alguma coisa.

A esta altura da conversa, abeira-se de nós um outro senhor (que nunca tinha visto mais magro) e resolve dar o seu contributo à conversa. Pelo que pude deduzir, o dito é um expert na matéria, pelo que, sem hesitação ou falinhas mansas, fez-me um diagnóstico fiel do estado da minha saúde: os intestinos não funcionam como é suposto (disse que pôde ver isso através dos meus lábios) e as alergias podem advir de uma intolerância ao leite e derivados.

Mal conseguia disfarçar o meu interesse no rumo que aquela tertúlia improvisada estava a tomar. Perante a descrição que lhe fiz do meu estado de saúde (e de beleza, por consequência), este foi perentório na prescrição: cortar de imediato com todo e qualquer produto lácteo. Ainda tentei argumentar que não consumia leite, apenas iogurte e requeijão, e que ao retirar esses produtos da minha alimentação o meu organismo iria ressentir-se da falta de cálcio. De nada valeu. Categórico, rematou ele: "experimenta e depois vês se a coisa não melhora. Quanto ao cálcio, tens imensas opções, como a aveia, a quinoa e o feijão."

Recomendou-me ainda que evitasse o açúcar e o trigo. Nesse quesito garanti-lhe que já estava tudo sob controlo, pois, nas raras vezes em que preciso recorrer diretamente a esta substância, faço uso da versão mel ou canela.

Portanto, o problema parece, de facto, residir na lactose, o açúcar naturalmente presente no leite. Abreviando o parlapiê que o texto já vai para longo, já há quatro dias que não consumo nenhum produto lácteo e, coincidência ou não, parece que a coisa acalmou. Como estou menstruada, só vou ter a certeza daqui a mais uns dias.

Não acredito que o iogurte me cause intolerância, porque sempre o consumi, mas já o requeijão, com maior teor de lactose, só há coisa de quatro meses o introduzi na minha alimentação. É, portanto, altamente provável que seja realmente intolerante ao leite, coisa que nunca bebi nem quando bebé. Em Cabo Verde fartei-me de bebê-lo, mas na versão fermentada, que adoro. E foi precisamente a partir dessa altura que começaram a aparecer, para não mais irem embora, monstruosas espinhas nesta minha face tão adorada e mimada pela dona.

Para já, vou continuar sem consumir qualquer derivado seu e ver como corre a coisa. Mais tarde, voltarei à minha alergologista para confirmar in vitro esta questão.

Há já algum tempo que ouço falar de intolerância ao glúten e à lactose, e de como várias celebridades têm cortado esses itens da sua dieta, mais para manter (ou recuperar) a linha - parece que ao retirar a lactose da dieta, a pessoa desincha, já que o intestino é regularizado, o corpo funciona melhor, por consequência, ocorre uma perda de peso.

No meu caso, a ruptura será essencialmente por uma questão de saúde, mas se com isso conseguir ficar (ainda) mais fit, não me importo mesmo nada. Seria uma espécie de bónus, uma mais do que justa compensação por todos os problemas com que me tenha deparado nos últimos tempos.

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12022584_923948461006223_5974643357782296503_o.jpgDecidi que hoje não quero saber de procurar emprego, nem de ginásio e muito menos de apps de engates. Dedico o dia a moi e à minha beleza, que anda bem precisada por estes dias. Assim que acordei, aclarei o cabelo - lá teve que ser em modo método caseiro, já que, até novo trabalho, vigora o Plano PUCC - Plano Urgente de Contenção de Custos.

Como sou filha de Deus, ainda que de um menor, daqui a pouco vou à minha sessão semanal de day spa: eletroestimulação, radiofrequência e massagem (manual, convém ressalvar). Antes disso, claro que se arranja um tempinho para vir até aqui dar-te aquele olá de alegria e deixar-te um novo artigo.

Além do sexo, e (muito) dinheiro na conta, são poucas as coisas capazes de me proporcionar tamanha sensação de prazer, bem-estar e relax. Para entenderes melhor do que falo resgato o artigo Dia de spa é dia de ser feliz, um relato fiel dos benefícios de um dia num spa.

Conheço quem considere estas coisas uma futilidade, um desperdício de dinheiro, uma perpetuação do culto ao corpo, e otras cositas menos simpáticas. Respeito pela opinião alheia à parte, a essas pessoas só posso dizer que não sabem o que andam a perder. Só quem é adepta desta prática é capaz de entender a razão de existência, e do sucesso, dos spas. Umas horitas num centro de estética e beleza, além do prazer que proporciona ao corpo, é capaz de operar um verdadeiro milagre na autoestima de uma mulher.

Duvidas? Lê o artigo e depois conversamos.

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11
Jul16

13653245_1190324151007143_1514820663479233653_o.jpSeria até crime não dedicar o artigo de hoje à vitória de seleção portuguesa de futebol no campeonato europeu. Ontem fez-se história e eu tenho o orgulho de dizer que dela tomei parte.

Por estar ciente de que posso não voltar a presenciar um feito destes, inédito e quiçá irepetível, abri mão da minha relutância em associar-me a manifestações públicas e desci ao Marquês de Pombal para me juntar à multidão em delírio - eu que nunca tinha lá posto os pés, nem mesmo quando o meu amado FC Porto conquista títulos.

Não poderia ter tomado melhor decisão, pois além de poder festejar o título europeu - merecido, não obstante a minha seleção ser a Itália - ainda tive a sorte de dar de caras com o rapaz lá do ginásio: lindo e maravilhoso com a sua camisola oficial da seleção que hoje é de todos nós, independemente do género, idade, raça, credo, religião, filiação partidária, cidadania ou clube de futebol.

Oh Portugal, fazes-me verdadeiramente feliz e este post é para te dizer que, apesar de ser cidadã estrangeira, nunca antes me senti tão nacional, tão tuga, tão lusófona. Que venham mais títulos, muitos mais, para que eu possa comemorar, de preferência nos braços do meu gym boy.

Portugal olé Portugal olá Portugal olé!

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08
Jul16

(Real) Power to (Real) Women

por Sara Sarowsky

Sexta-feira requer leveza de espírito, risos espontâneos, expressões felizes e boa música. A pensar nisso, partilho contigo o vídeo Global Goals, um remake daquela música que todas nós com mais de 20 anos fartamo-nos de dançar: Wannabe das Spice Girls.

O videoclipe, além de um excelente pretexto para dançares e resgatares a adolescente rebelde que sei que (ainda) existe em ti, cumpre o louvável propósito de consciencializar o mundo para esta campanha a favor da igualdade no empoderamento da mulher.

Vais perder esta oportunidade de abraçar a causa e dar um pezinho de dança? Não me parece!

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07
Jul16

melhores-perfume.jpgSabemos nós que há coisas que são autênticas "corta-tesão", tanto para eles como para elas. No meu caso particular são as tatuagens grandes, cabelo comprido, barba rija, demasiado músculo, camisa cavada, alargador, roupas demasiado justas, tabaco, pelos, dentadura feia ou mal cuidada, baixa estatura, só para citar os mais flagrantes. Sim, estou ciente que sou exigente e picuinhas. Porque achas que continuo solteira, não obstante todos os meus predicados?

Que me perdoem os meus seguidores que se revejam nesta minha descrição. Não é de todo minha intenção ferir suscetibilidades e muito menos marginalizar quem quer se seja. A culpa é da minha líbido, que, quando confrontada com estas caraterísticas, pura e simplesmente se recusa a despertar do seu estado letárgico de indiferença - muitas vezes, repugnância mesmo.

Adiante, que este artigo não é sobre o que me atrai a mim no sexo oposto, mas sim sobre o que pouco atrai os homens em nós. Meu bem, presta atenção ao que vem a seguir, pois o teu estado de solteirice talvez se deva a alguns destes aspetos.

Comer num transporte público ou ter um piercing na parte superior do lábio são dois dos aspetos que mais afastam os homens das mulheres, considera o Reedit, citado pelo The Telegraph. Brincos de argola (essa apanhou-me desprevenida, admito), perfume com cheiro a velha, sabrinas e unhas demasiado compridas tão pouco lhes agradam. Assim como batom com cor demasiado berrante.

Em contrapartida, não resistem a personalidade cativante, aspeto físico cuidado (independentemente do size dela), cor vermelha, voz agradável (nem grossa nem estridente), leveza de espírito e energia positiva. Estas caraterísticas que conseguem deixar qualquer macho pelo beicinho.

Como pudeste constatar, o sexo masculino não é assim tão esquisito ou exigente no que toca ao sex apeal. Sendo assim, cabe às mulheres que estiverem para aí viradas investir nestes aspetos e começar a colecionar admiradores e pretendentes.

Caso contrário, sempre podem continuar solteiras e seguidoras deste blog. Afinal, alguém tem que me fazer companhia na minha solteirice.

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06
Jul16

Somos todos idiotas

por Sara Sarowsky

photo.jpgTerminei há dias uma colaboração de trabalho com uma ordem profissional - com muito prestígio, diga-se de passagem - e na hora da despedida (o contrato era temporário) ofereceram-me uma bela orquídea num vaso e um livro do Sensivelmente Idiota, cognome pelo qual responde Diogo Faro, entitulado Somos Todos Idiotas.

Até dias antes nunca tinha ouvido falar deste humorista, mas perante tamanho entusiasmo ao tomar contacto com duas crónicas dele - que na altura não resisti a partilhar com as colegas de sala - uma delas (que querida!)  teve a feliz ideia de sugerir que me oferecessem esse livro como souvenir pelos (bons) serviços prestados à casa.

Ainda não começei a deliciar-me com a escrita dele, a meu ver única, pois são raros os autores que conseguem através da escrita fazer-me rir a bandeiras despregadas (tenho que acabar primeiro o Rendida), mas deixo-te com alguns trechos da crónica Um dia de praia com betos ou mitras? Venha o diabo e escolha!, publicado na revista Visão e que relata um dia de praia de uma família de "betos" e de uma família de "mitras". Prepara-te que o humor dele é negro e mordaz, porém genial e verdadeiramente divertido.

Um dia de praia, numa família de betos

Para começar, o beto não é um veranista que vá a qualquer praia. Vai apenas a praias selecionadas, quais artigos gourmet de uma mercearia gourmet de um bairro gourmet.

Mas como selecionar estas praias? Simples. Há muitas que já vêm de tradição. As famílias com mais de 17 apelidos, todos eles separados por hífenes, há séculos que para lá vão.

Depois é também preciso garantir que a plebe não vai para estas praias, porque já se sabe que pobres é pior que pombos cheios de doenças.

As ninhadas de betos são sempre muito grandes e, mesmo que muitas vezes saia uma cria com trissomia 21 por causa da consanguinidade (os betos têm muito a mania de se comerem entre primos direitos), é muito raro as mães afogarem-nos à nascença.

Claro que os seus trabalhos como engenheiro, advogado, gestor e agrónoma estão assegurados à nascença mas, ainda assim, é preciso começar já a praticar. A última é que virá a entrar no Chapitô e acabará deserdada.

E sempre com aquele ar de quem não dá muita importância, mas sem conseguir disfarçar bem o orgulho parental, começa o rol de "Ai, o meu Fonfas com 3 anos já fala mandarim, toca piano e dá aulas de catequese", "Ai, a minha Coca de 16 anos já fuma, já sabe sacar gajos no Main com apelidos decentes e já sabe que antes do casamento só vale anal porque não é pecado."

Um dia de praia, numa família de mitras

O mitra é uma espécie completamente diferente do beto. O mitra não vai a qualquer praia, essencialmente porque não pode e não por falta de vontade, e depois acaba por mascarar a inveja que tem dos betos com um falso orgulho nas praias que frequenta.

Assim sendo, a seleção de praias fica limitada àquelas com acesso por transportes públicos ou por carro próprio mas sem estradas de terra batida para não estragar os para-choques dos carros rebaixados. Portanto, ficam a sobrar Carcavelos, aquelas do início da Costa da Caparica, aquela do jardim do Torel no meio de Lisboa e algumas caixas de areia dos jardins infantis.

O dia começa cedo. A mãe Sheila vai acordar o Rúben Tiago, o Wilson Gerson, o Fábio Mikael, a Soraya Vanessa e a Rute Miriam. As ninhadas de mitras são sempre muito grandes porque como orgulhosos desinformados nem sabem o que é um preservativo.

Portanto, começou aos berros para toda a gente no Minipreço achar que ela estava a educar os miúdos e depois acabou por ter de ser ela a roubar os pacotes e mais uns iogurtes com aroma a labrego. Se queres as coisas bem feitas, fá-las tu. Já dizia o Al Capone, ou o Escobar, ou o Ricardo Salgado. Já não sei bem quem disse isso mas foi um bandido do género.

A mãe aproveita esta ocasião para voltar a não pôr protetor no Fábio Mikael. "Pode ser que o puto apanhe um "cancarozinho" na pele e a gente consiga mais um subsídio qualquer do Estado" – pensa ela.

Os vários mitras amigos ali reunidos exibem as suas crias com um orgulho visceral. "Pá, este cabrãozinho aqui já bate nos colegas todos da turma. Mas também era o que faltava não bater, tem 10 anos e ainda está na primeira classe", "E a minha mai nova? F*da-se c'orgulho! 14 aninhos e já está grávida. Sai mesmo à mãe!" e tantas outras semelhantes proezas embandeiradas em arco (agora é que lixei os mitras que estavam a ler esta crónica porque eles não sabem o que quer dizer esta expressão).

Este é o tipo de Idiota com quem se recomenda o convívio, mais não seja para dar umas valentes gargalhadas. Eu, para além disso, ainda fiquei a saber que, em matéria de praia, não passo de uma "mitra", já que só vou àquelas com acesso por transportes públicos. Ah ah ah ah.

Boa leitura e melhores risadas ainda.

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Hoje tenho um almoço com uma grande amiga que veio lá da terra, daí que o tempo para escrever é pouco. Ainda assim, trago-te um artigo publicado no Observador e que vem complementar o post de ontem. Refere-se a um novo conceito de relação: benching.

 

Benching, nouvelle terminologia em matéria de relações, como o próprio nome indica vem de bench, que em inglês significa banco, ou seja, é o ato de ficar no banco.

 

Ilustrando a coisa, pode-se dizer que é quando conheces alguém — regra geral no Tinder ou numa rede social –, têm um ou dois encontros e essa pessoa subitamente deixa de responder às tuas mensagens, para umas semanas mais tarde voltar a dar sinais de vida, isso é benching. A comunicação é intermitente e pressupõe convites para jantares ou cafés que à última da hora nunca acontecem. E isto pode durar meses. Quem está "sentado" acha que é uma questão de timing e que, eventualmente, a coisa vai dar-se.

 

As desculpas pela ausência inexplicável são sempre elaboradas, envolvem agendas preenchidíssimas, prazos de entrega de trabalhos ou problemas familiares que são corroborados por fotografias tiradas com um único propósito: iludir a pessoa sentada.

 

Quem "senta" outra pessoa fá-lo por indecisão e para manter as suas hipóteses em aberto. Não tem a certeza de gostar o suficiente para assumir uma relação, mas não quer descartar essa possibilidade — está à espera de que apareça alguém melhor e não se quer comprometer, para além de estar de olho em mais dois ou três pretendentes. Quer ver no que vai dar e, no caso de não dar com alguma das alternativas, não fica sem ninguém. Tem sempre alguém seguro, no banco.

 

Há dois tipos de benching: quando alguém é solteiro e está ocasionalmente com outra pessoa de quem não tem a certeza se gosta ou não, mas não quer deixá-la ir, e quando alguém está numa relação e não tem a certeza de querer continuar nela, mas prefere não acabar e começar a procurar outras opções.

 

Segundo escreve o The Telegraph, as "benchees" também servem para acompanhar a casamentos ou para quando a pessoa não quer chegar a uma festa sozinha e sabe que basta mandar uma mensagem no Whatsapp para arranjar um par. Para quem está sentado isto só aumenta a incerteza de não saber se aquela pessoa gosta efetivamente de ti ou não. Basicamente o que te passa pela cabeça é: se não gostasse de mim não me mandava estas mensagens versus se gostasse de mim não ficava tanto tempo sem dizer nada.

 

Porque é que tanta gente cai nesta história? Porque o bencher (aquele que pratica o benching) é atencioso, tem o cuidado de perguntar à pessoa como é que ela está, como foi o seu dia, além de uma série de outros cuidados que são interpretados como interesse genuíno. Mesmo que isso só aconteça de duas em duas semanas e seja sempre por telemóvel.

 

O que diferencia o benching do ghosting é que no último a pessoa desaparece sem aviso e de vez, isto é, não volta para se assegurar de que não perdeu nada. De acordo com a revista nova-iorquina BetaMale, o benching é bem mais traiçoeiro do que o ghosting ou do que simplesmente dizer que não está interessado e acabar com tudo de uma vez. Uma vítima de ghosting pode fazer o seu luto quando se apercebe do fim da relação — mesmo que não encontre uma explicação –, já a vítima de benching não sabe em que pé estão as coisas porque a pessoa desaparece e aparece constantemente.

 

Jason Chen, editor da referida revista, acredita que esta é uma prática essencialmente dos homens. As mulheres entram em jogos com homens que conhecem há muito tempo e com os quais têm confiança, mas não são capazes de o fazer com alguém que acabaram de conhecer. Até porque elas ainda se regem bastante pela ideia de o homem ter de dar o primeiro passo.

 

A verdade é que o nome até pode ser recente e as aplicações de encontros até podem propiciar um acréscimo da prática, mas infelizmente o conceito não tem nada de novo. É o velho "iludir alguém" com uma roupagem nova e tecnológica.

 

Se depois de leres este texto chegaste à conclusão de que estás "sentada"”, tens duas opções: sentar a outra pessoa de volta ou ires à tua vida. Porque quando o benching acontece, a velha máxima de "ele/a não está assim tão interessado" continua a ser verdadeira.

 

É por estas e por outras que estou (ainda) solteira. Para ser assim, mais vale estar só do que "sentada". Cheira-me que o tal fulano de que te falei ontem, a prioósito do "datexit" é um bencher. O que ele não deve ter previsto é que já levo muitos anos na estrada da vida e uns quantos nas redes sociais.

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04
Jul16

Datexit: date quê?

por Sara Sarowsky

Blind-Date-212.jpgDado que estes dias a terminologia "xit" anda nas bocas do mundo - é brexit para aqui, mexit pra acolá, nexit pelo meio - e como gosto de estar a par do que acontece no mundo (convém!), o artigo de hoje é precisamente sobre "xit". Se bem que noutros moldes.

Refiro-me a "datexit", uma expressão recém-saída da minha prodigiosa imaginação para designar o cartão vermelho que se dá a uma pessoa depois de um encontro (dating), pelo simples facto desta ter demorado a dar feedback. Confusa? Não fiques, que já explico.

Há dias, saí com um pretendente (que conheci numa dessas aplicações da rede sobre o qual volta e meia escrevo sobre). A meu ver, a coisa até correu bem, mas o fulano só deu feedback seis dias depois. Seis dias!

Há muito que estabeleci um deadline a esse respeito: 48 horas é o tempo máximo que dou a um fulano que me pede o número de telefone, ou com quem tive um encontro, para reagir. Ultrapassado esse tempo, simplesmente não quero mais saber da pessoa.

É a isso que apelidei de "datexit". E dado que "xit" pede referendo, este artigo mais não é do que uma consulta popular, neste caso, "blogar". Trocando por miúdos, gostava da tua opinião sobre o assunto: tens um timing para esse tipo de cena? Se sim, qual? Quanto tempo achas que deve demorar a reagir alguém que se mostra interessado em nós?

O meu intuito, ao fazer-te esta consulta, é de saber se sou demasiado radical ao conceder (apenas) dois dias aos candidatos a alguma coisa para formalizar o seu interesse na minha pessoa. Ajuda-me, please! Quem sabe ainda não vou a tempo de resgatar o gajo a quem acabo de sentenciar com um silencioso "datexit".

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01
Jul16

Sexo? Sim, por favor!

por Sara Sarowsky

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Ainda na senda do post anterior, eis 10 motivos que levam nós mulheres a fazer sexo:

1. Sentirem-se atraídas pela outra pessoa;

2. Quererem ter prazer físico;

3. Só porque lhes sabe bem;

4. Quererem mostrar carinho pela outra pessoa;

5. Quererem expressar o amor que sentem pela outra pessoa;

6. Quererem libertar a tensão;

7. Têm uma vontade inexplicável de fazer sexo;

8. Por ser divertido;

9. Por terem percebido que estavam apaixonadas;

10. Por se terem envolvido no calor do momento.

 

Nota: Este top ten é obra do Daily Star que se baseou numa investigação da Universidade de Otava que descobriu que existem 237 motivações diferentes para as mulheres quererem ter relações sexuais.

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