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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

09
Out25

Eu, o Ste e a Gabrielle

por Sara Sarowsky

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Ora viva! 👋

Começo por convidar todo aquele que tem por hobby andar à cata de erros (gramaticais) alheios, o favor de ler o primeiro parágrafo deste post. Espetada a primeira alfinetada do dia, eis me mais do que pronta para partilhar contigo as últimas novas desta recém-emparelhada, radicada há pouco mais de um ano no País Basco.

Pronto, acabo de deitar por terra o primeiro spoiler sobre o meu paradeiro. A seu tempo revelarei o nome da cidade, assim que me assegurar que o meu nome deixou de constar da lista "most wanted" da Europol, por deserção do exército dos solteiros.

Retomando ao assunto do momento entre a minha comunidade: eu e o Ste, ou o Ste e eu (como preferires), tenho a dizer que a nossa escapadinha romântica a um dos Top 5 dos meus destinos de sonho foi uma aventura e tanto, com direito ao previsto e ao imprevisto também.

Com partida de Bilbao num domingo e regresso à casa de partida na quinta-feira seguinte, o novel casal café com leite teve a oportunidade de desfrutar de cinco intensos, maravilhosos e inesquecíveis dias em Ibiza.

Escuso-me a partilhar os detalhes íntimos desses dias que guardarei para todo o sempre na memória e no coração. Os primeiros dois, domingo e segunda-feira, foram de intensa atividade física, dentro e fora do hotel, se é que me entendes 😉. Tudo nos corria na perfeição, até que entrou em cena um vulto inesperado chamado Gabrielle. Se te veio à mente a imagem de uma mulher podes parar por aí, que a malícia anda à solta na tua imaginação.

Brincadeira à parte, tenho a dizer que, no passado dia 30 de setembro, eu e o Ste fomos apanhados pela mesma tempestade que varreu o arquipélago dos Açores e depois foi parar à costa valenciana, bem como às vizinhas ilhas Baleares.

É meu bem, a Sarita, por razões que lhe são alheias, dá sempre um jeito de estar aonde a história se faz. Benção ou maldição, é uma questão de ponto de vista. Eu prefiro acreditar que se trata de karma, um teste à minha resiliência ou, quiçá, nutrir a minha vida de excitantes narrativas para contar.

Retomando o fio à meada, depois de uma chuvarada daquelas durante a noite anterior (com direito a trovões e relâmpagos), essa terça-feira amanheceu cinzenta e mal humorada, tal duas comadres coscuvilheiras que se zangaram na véspera.

Tinha-me desafiado o meu "mec" para irmos visitar o ponto mais alto da ilha, cuja subida exigia uma hora de caminhada para atingir o cume e outra para regressar à base. Confesso que não estava particularmente entusiasmada com a ideia de escalar o Sa Talaia, ainda por cima num dia tão pouco amistoso.

Como tinha dado a minha palavra, e à palavra dada não se volta atrás, lá pegamos na nossa viatura de aluguer e partimos em direção à vila de Saint Josep. Mal nos aproximamos do sítio onde era suposto apearmos e começar o calvário (perdão, caminhada 😅), eis que uma chuvinha mansinha começa a dar o ar da sua graça.

Perante tal cenário, o Ste, que é das pessoas mais determinadas que conheço, viu-se obrigado a render-se às evidências, deixando assim cair por terra a pretensão de atingir o cume da montanha mais alta da isla blanca, como se de uma versão europeia do alpinista Nims Puja se tratasse.

Como o meu mec não é membro do clube Dolce Fare Niente, em alternativa, sugeriu que passássemos por Sa Caleta, outra deslumbrante enseada local. Apesar de o tempo continuar com ar cada vez mais ameaçador, nada nos fazia prever o que viria a passar-se dali a pouco.

Em plena sessão de fotos, como qualquer turista de primeira viagem na região, eis que de repente os nossos telefones começam a emitir um sonoro e estridente ruído, inédito e inesperado. Nos respectivos ecrãs, vimos um alerta vermelho a avisar que a caminho estava uma chuva forte, com probabilidade de rápida subida de água, pelo que se recomendava que aqueles que se encontrassem no exterior se abrigassem, sendo desaconselhada a permanência perto de falésias, ribanceiras e afins.

Reconheço que desvalorizamos a mensagem (escrita em francês e inglês), não obstante o céu revelar-se cada vez mais escuro e intimidante. A nosso tempo, deixamos o local, tendo em mente uma passagem pelo Parque Natural de Ses Salines, ainda que sem sair da viatura. Foi nesse preciso momento que o céu tombou sobre nós.

Uma chuva intensa, como jamais presenciei na vida, começou a cair e em questão de poucos minutos, a estrada começou a ficar inundada. O nosso Renault Clio, obviamente despreparado para enfrentar uma intempérie dessa intensidade, começou a ceder a ponto de chegar-nos ao olfacto o cheiro de borracha queimada, um claro sinal de que o seu motor começava a sobreaquecer.

Sem ver um palmo à frente do nariz e com o nível da água a subir rápida e perigosamente, só nos restava duas saídas: encontrar um sítio seguro para estacionar ou abandonar a viatura e procurar abrigo a pé. No meio de nenhures, não sabíamos por onde nos virar. Eu dizia que devíamos parar e o Ste era da opinião que devíamos regressar ao hotel, caso contrário afogar nos íamos em questão de minutos.

O nervosismo, a raiar o pânico, era de tal ordem que eu nem conseguia escrever o nome do hotel no GPS. Com o Ste a tentar dominar o carro e eu a tentar visualizar um local seguro para nos abrigarmos, a estrada ia ficando mais e mais alagada. A essa altura eu só dizia que devíamos abandonar a viatura (felizmente assegurada contra todos os riscos). Por seu lado, o Ste era categórico: devíamos regressar ao hotel, que distava a 20 km. Argumentava eu que era muito mais perigoso insistir em conduzir nessas condições por uma estrada que ele mal conhecia, cheia de subidas e descidas, curvas e contracurvas, sem barreiras nem separador. Perante a sua recusa em parar ou abandonar a viatura, implorei-lhe que ao menos reduzisse a velocidade a 30 km/h.

Perante a ideia de mais 30 minutos de asfalto sob condições tão adversas, o meu coração saltava pela boca. Eu só pensava o quão inglório seria se o desfecho fosse trágico. Apesar de não ter clamado por proteção divina, Deus sentiu o nosso desespero e resolveu interceder a nosso favor.

Volvidos somente cinco minutos, ao enveredarmos pela via que conduzia ao lado sul da ilha, onde ficava a nossa unidade hoteleira, deparámos-nos com uma estrada seca. A nossa tormenta tinha chegado ao fim. A viagem de regresso ao Hotel Village Ibiza foi feita com a boca seca, o coração aos pulos, as mãos suadas e o corpo tenso. Uma vez lá, ficamos a saber que estivemos no epicentro da tempestade, ou seja, estivemos no olho do furacão, como coloquialmente se costuma dizer.

Só na manhã seguinte, nosso penúltimo dia na ilha, ao irmos ao centro de Eivissa para apanhar o ferry com destino à vizinha Fromentera, é que pudemos ver pelos nossos próprios olhos, o enorme estrago que Gabrielle provocou: ruas alagadas e lamacentas; viaturas de bombeiros, polícia e proteção civil por todo o lado; parques de estacionamento interditados; comércio e restauração fechados; andares térreos cheios de lama; recheio de lojas e residências particulares na rua; enfim... o que o mundo viu nas notícias, vimos nós ao vivo e a cores.

Entre as várias lições que tirámos deste episódio, a mais importante de todas foi: jamais ignorar ou subestimar um alerta da proteção civil. Ao instante em que ela chegar é largar tudo e procurar abrigo, sem pestanejar ou titubear.

Por hoje é tudo. Aquele abraço amigo e até para a semana.

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23
Set25

att.ZnpzfeGhUBDvVqRDc1gaz0yRVVK-aovJeKkSRZ38CHw.jpOra viva! 👋

Estou ciente de que o título deste post não cumpre à risca as regras do bom português, o qual determina que, quando falamos do outro, o nome próprio deve ser citado antes do pronome pessoal. Com o devido respeito pela língua portuguesa, entende esta pessoa que te escreve que, num discurso pessoal, o protagonismo da narrativa deve caber àquele que conta, ou seja, ao sujeito ativo, e não àquele sobre o qual se conta, ou seja, o sujeito passivo.

Enfim... só para deixar claro que a ordem dos sujeitos é propositada e não fruto de uma ignorância gramatical da minha parte. A meu ver, eu sou a pessoa mais importante da narrativa, logo, o título deve começar por "Eu". Egocentrismo ou, quem sabe, narcisismo? Nada disso! Apenas uma opção pessoal.

Sintetizar não é uma arte na qual sou exímia, pelo que dificilmente vou conseguir resumir a (bela) história de amor que estou a viver neste momento a uma única publicação. Com isso quero prevenir-te que, ao final deste texto, é bem capaz que continues mais curiosa do que antes. Como um pouco spoiler nunca fez mal a ninguém, pelo contrário, estou certa de que vais saber lidar com esse suspense de forma saudável.

Conheci pessoalmente o Ste - diminuitivo de Stephane e o modo carinhoso como o trato - no passado dia 6 de junho, numa data que não poderia ser mais auspiciosa (6.6). Faço questão de frisar este ponto como forma de deixar bem claro que quando os astros se alinham e o universo decide conspirar a nosso favor, tudo, mas absolutamente tudo, assume um significado mágico.

Escrevi "pessoalmente" porque já tínhamos trocado algumas mensagens dias antes através de uma app de encontros. É, meu bem, encontrei o amor através do Tinder, coisa que jamais imaginei possível. De todas as apps a que já recorri, e tu bem sabes que são muitas, esta era aquela na qual depositava menos fé, pelos motivos que já aqui partilhei inúmeras vezes. 

Como é do conhecimento geral da blogosfera, motivos de sobra tinha eu para essa descrença. Afinal, em mais de uma década de uso (esporádico, é verdade), só "encontrei" gajos que, assumida ou veladamente, andavam apenas à procura do bem bom a curto termo. 

Que fique claro que tinha conhecimento de várias histórias com finais felizes que tiveram origem naquela que é mais popular de todas as apps de encontro. Algumas até contadas na primeira pessoa. Por exemplo, uma das minhas besties tem uma colega de trabalho que casou e teve um filho com alguém que conheceu no Tinder.

O que nunca imaginei foi que fosse acontecer o mesmo comigo. Esta é a primeira surpresa boa da minha história com o Ste. E é por isso que faço questão de assumir o meu preconceito em relação à app, ao mesmo tempo que aproveito a oportunidade para enviar uma mensagem de alento às solteiras que por lá ainda deambulam em busca do seu match parfeito:  a app funciona!

Não, não se trata de conteúdo pago - quem me dera! - nem de publicidade enganosa. Trata-se tão somente de uma história real que aconteceu a uma solteira de longa duração que há muito tinha perdido a esperança de encontrar alguém com quem pudesse viver algo bonito e verdadeiro. O que me faz acreditar que um dia destes também tu podes encontrar alguém especial através do Tinder, ou de outra app qualquer.

É certo que foi preciso (re)expatriar para encontrar um gajo decente, o que me faz pensar que o problema pode não ser a app, mas sim os homens registados na app... em Portugal 😅. Foi só acedê-la num outro país para ser bem-sucedida. Sobre como é que voltei aos braços do Tinder, depois de um longo período de ausência, contarei depois, que essa é outra história igualmente interessante de ser partilhada, já que renovou em mim a convicção de que não há coincidências e que nada acontece por acaso.

Por hoje é tudo, meu bem. Conto retomar o relato na próxima semana, diretamente de Ibiza (essa mesma 😉), onde vou estar numa escapadinha com o Ste, a primeira de nós dois, na verdade a primeira de toda a minha vida.

Até lá deixo-te com aquele abraço amigo de sempre!

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17
Set25

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Ora viva! 👋

Era minha intenção, conforme adiantado no post anterior, descortinar um pouco mais sobre o rumo que a minha vida tomou nos últimos 12 meses. No entanto, eis-me aqui a escrever sobre a liberdade. Porquê esse volte-face? Porque estou em crer que de pouco adianta falar de mudança sem antes (re)visitar este conceito-chave que me permitiu, aos 46 anos, recomeçar a vida num outro país, deixando para trás tudo o que era, tinha, conhecia e amava.

Mesmo que a esta altura da leitura a minha linha de pensamento possa não fazer muito sentido para ti, tens a minha palavra de que chegarás ao final desta crónica devidamente esclarecida e convencida de que não há nada mais precioso na vida do que a liberdade. Mais importante do que isso: a vida sem liberdade a pouco ou nada nos sabe.

Intenta, assim, esta minha mini dissertação - pessoal e descaradamente subjetiva - enaltecer e celebrar aquilo que a maior parte de nós toma como garantido, e que, precisamente por causa disso, não lhe dá o devido valor, nem reconhece o quão privilegiados são aqueles que dela podem usufruir a seu bel-prazer.

Segundo o dicionário da língua portuguesa, a liberdade pode ser definida como o "direito de um indivíduo proceder conforme lhe pareça (desde que isso não vá contra o direito de outrem e esteja dentro dos limites da lei, obviamente), ou a condição da pessoa que não tem constrangimentos ou submissões exteriores ou ainda o estado ou condição daquilo que não está preso, confinado ou com alguma restrição física ou material".

Questões linguísticas à parte, a meu ver, a verdadeira liberdade está na capacidade de escolher quem somos, o que queremos e como desejamos conduzir a nossa vida, com cada decisão a ser uma oportunidade para transformar a nossa história, mudar de rumo e assumir o comando do próprio destino.

Essencial à felicidade humana, e empoderamento pessoal, por tabela, é ela que nos permite sermos autênticos, mantermo-nos fiéis à nossa essência, tomar decisões conscientes e assumir o pleno controlo da nossa vida. Só quem é livre tem o poder de escolher os seus objetivos, valores e caminhos.

Ao contrário do que muitos pensam, o reverso da liberdade chama-se responsabilidade e não outra coisa qualquer. Tal facto faz com que tanta gente por aí não consiga ser efetivamente livre, precisamente por não estar disposto a assumir a responsabilidade pelas suas decisões e escolhas.

Não permitir que o medo ou as expectativas alheias limitem as nossas possibilidades é o primeiro passo em direção à liberdade efetiva. Tenho que (re)lembrar que nós somos os únicos detentores do poder de se reinventar, mudar, alcançar a felicidade, segundo as nossas próprias regras e desejos. Ser feliz do jeitinho que nos convém não é apenas um sonho, é um direito que merecemos exercer e ativar todos os dias.

Só assim teremos autonomia para explorar o nosso querer, superar limitações e enfrentar desafios com confiança, fortalecendo a autoestima e o sentimento de capacidade e resiliência. Além disso, a liberdade de fazer escolhas alinhadas com o nosso verdadeiro eu promove um sentido de realização e felicidade genuínas.

Ter liberdade significa poder escolher o próprio caminho, viver de acordo com os nossos valores, explorar as nossas paixões e assumir aquilo que temos de único. Não conheço outra fórmula para desfrutar de uma vida mais significativa, plena e alinhada com quem realmente somos.

A riqueza material, embora importante, é por si só oca, frágil, ilusória. Já a liberdade nos proporciona autonomia, controlo e satisfação interior. Ao sermos livres, podemos construir uma vida que realmente nos faz felizes, independentemente das posses ou condições externas.

A liberdade de ser, escolher e viver do jeito que faz o nosso coração vibrar, com entusiasmo e autenticidade, proporciona espaço para o crescimento, a felicidade e a realização pessoal, sendo fundamental para uma vida mais plena, feliz e empoderada.

Termino com o seguinte lembrete: tu és a protagonista da tua vida. A autora da tua própria história. A responsável - primeira e última – pela tua felicidade. Assumir o controlo, escolher ser feliz e enveredar por um caminho que faz o teu coração bater mais forte é o meu conselho para ativares essa coisa chamada liberdade.

Despeço-me com aquele abraço amigo tão nosso e um "até para a semana".

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Ora viva! 👋

É ténue - muito mesmo - a memória da última vez que por aqui dei as caras, malgrada a indiscutível saudade que diariamente me assombrava. Pelas coordenadas do último post, já lá vão quase dois anos, andava eu em contagem decrescente para realizar o sonho de levar o movimento social Empodera-te! à minha adorada terra natal, Cabo Verde.

Como por diversas vezes assumi, no meu entender, setembro é o mês mais importante do ano, já que é aquele que marca a rentrée, ou seja, o recomeço após a tão desejada pausa de verão. E precisamente hoje, dia 9, do mês 9, do ano 9 (numerologicamente falando), quis o destino que eu retomasse este blog.

Por um daqueles acasos do destino, que não sabemos explicar, mas que sentimos que faz todo o sentido, nesta terça-feira, dei por mim sem absolutamente nada para fazer. Coisa rara nos últimos tempos, acredita em mim. Sendo assim, senti que tinha finalmente chegado a hora de reassumir uma das atividades que mais me realiza na vida e que tanta falta tem-me feitos nestes últimos 23 meses.

Faço aqui uma pausa para te convidar a refletir comigo sobre o significado de ter reassumido algo que me é tão precioso numa data tão mágica, tão auspiciosa. Tens a minha palavra de que só neste preciso instante apercebi-me desta incrível coincidência, logo eu que já fui tão íntima da espiritualidade. Seja como for, acredito firmemente que não foi por acaso que retomei a escrita precisamente neste 9-9-9. A vida tem destas coisas, não tem? Até me arrepiei de emoção!

Voltando à narrativa, tanto aconteceu na minha vida desde a última vez que aqui dei o ar da graça. A bem da verdade, nada que desculpe o meu exílio por tanto tempo, há que fazer essa mea culpa. Há tanto para contar, partilhar, narrar, inspirar, que nem sei bem por onde começar. Só de pensar na quantidade de coisas que tenho para "vomitar", apetece-me fechar o portátil e retomar a pacífica existência dos últimos tempos, pautada pela esscassez de atividade intelectual e criativa.

Para começo de conversa, re-expatriei. Há pouco mais de um ano, em agosto do ano passado, para ser mais precisa, compilei toda a minha tralha em duas malas e uma mochila e rumei a um novo país. Por hora opto por não revelar a minha atual localização geográfica, uma vez que essa novidade ainda não é do conhecimento de muita boa gente do meu círculo privado. Considero justo que saibam da novidade de viva voz e não através da internet.

O que posso adiantar é que essa mudança era algo há muito desejado, mas que, por razões várias (que a seu tempo descortinarei), foi sendo adiado... adiado... adiado... até que chegou o 10 de agosto de 2024, o dia em que já não me era mais possível adiar o inevitável, fintar o desconhecido, cumprir o destino. Na altura, esse recomeço, às portas dos 47 anos de idade, foi apenas do conhecimento de uma dezena de almas - as minhas besties, para ser mais específica.

A incerteza que me aguardava, dado que já tinha havido duas tentativas anteriores, a par do receio de levar com conselhos dissuasores, ainda que bem intencionados, fez-me guardar segredo deste passo crucial da minha existência, provavelmente o mais custoso e aquele que exigiu uma coragem e uma determinação que poucas pessoas com a minha idade são capazes de reunir.

Para trás deixei tudo o que eu era, sabia, conhecia e possuía, seja em termos de conquistas pessoais, sociais e profissionais, seja em termos materiais e patrimoniais. Movida pela convicção de que um futuro mais próspero e abundante se avizinhava (o que mais leva uma pessoa a migrar?), deixei para trás aquele que foi o meu porto seguro nos últimos 17 anos. De cabeça erguida, peito aberto e coração palpitante. À minha espera sabia ter apenas a possibilidade de um novo recomeço, num lugar onde não conhecia vivalma.

Oportunamente, terei a oportunidade de detalhar com precisão o (brutal) custo emocional e social desta decisão, radical para alguns, destemido para outros e insano para os demais. Especialmente porque encontrava-me no auge do sucesso enquanto mentora do Empodera-te!, com tudo o que isso implicava.

Num resumo tão breve quanto possível, recordo-te que um ano antes tinha sido distinguida com o Prémio de Mérito Migrante; que detinha um espaço de crónica mensal no portal Balai Cabo Verde; que tinha visto publicado três textos meus; que estava a conquistar o meu lugar ao sol como escritora de contos eróticos; que detinha um invejável portfólio de quatro edições do Empodera-te! - com uma internacionalização pelo meio; que era presença requisitada em eventos do mais alto nível; que estava a ter cada vez mais procura para apresentar eventos de grande prestígio entre a comunidade cabo-verdiana e não só (cito, a título de exemplo, o Dia Nacional da Cultura de Cabo Verde, o Jantar dos Embaixadores Africanos em Lisboa e a cerimónia de apresentação dos nomeados à 13ª edição da Cabo Verde Music Awards), sem falar nas diversas presenças na televisão e imprensa portuguesa, cabo-verdiana, brasileira e angolana.

A par disso, começava a tornar-me uma referência na organização e promoção de eventos, como o comprovam as quatro edições do Empodera-te!, a exposição de fotografia A mulher da minha vida, as diversas ações de formação (tanto para miúdos como para graúdos), bem como as palestras em escolas e eventos como a Feira do Bem Comum.

Enfim... muito mais teria a enumerar sobre o meu palmarés. Contudo, impõe a modéstia e a prudência que eu me contenha, caso contrário, corro o risco de ver-te partir antes que eu tenha podido revelar o ponto essencial deste inesperado regresso.

Dado que já não disponho nem de tempo nem de disposição para retomar este espaço nos moldes de antigamente, ou seja, com a regularidade, disciplina e assiduidade que tão bem conheces, por sugestão da minha amada Ângela Barbosa (a melhor coaching e mentora que uma amiga poderia desejar), proponho darmos um novo rumo ao Ainda Solteira.

O que quer isso dizer? Quer dizer que pretendo transformá-lo num blog comunitário, onde todo aquele que assim o entender passa a ter vez e voz (mediante o respeito pela regras básicas da boa convivência virtual, claro está!). Sendo assim, desafio todos os leitores, seguidores, amigos, conhecidos e até mesmo inimigos a enviarem conteúdos que queiram ver publicados neste blog, que passará assim a ser um espaço de todos, onde cada um terá a chance de partilhar, inspirar, impactar, no fundo, contribuir para uma comunidade virtual mais informada, formada, esclarecida e empoderada.

Não resisto a terminar com este spoiler: há coisa de três meses conheci uma pessoa espetacular, com quem estou a experenciar uma coisa bonita. É, meu bem, esta minha nova vida, num outro país, com uma nova língua, cultura, profissão e tudo o mais que implica ir viver para o estrangeiro, trouxe-me um presente muito especial. Após 15 anos de celibato, posso dizer que estou numa relação. Mas isso é tema para outra altura 😉.

P.S. – Tenho consciência de que o texto é extenso, mas, dada a prolongada ausência, creio ter direito a uma tolerância maior do que o habitual. 

Aquele abraço amigo e até um dia destes.

Com estima e saudade,

Sara 🤎

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Ora viva! 🖖

Se me segues nas redes sociais, já deves saber que estou prestes a dar à luz ao terceiro evento do Empodera-te!, o movimento social em prol do empoderamento feminino que tanta alegria e desafio me tem trazido nos últimos 10 meses.

A propósito disso, partilho contigo um inspirador texto de um dos palestrantes da segunda edição - ocorrida a 27 de maio, no Centro Cultural de Belém - e que vai continuar connosco nesta edição de estreia no meu país-natal, onde acredito que terá um impacto ainda maior do que em Portugal.

Eis, pois, as inspiradoras palavras que o neurocoach e hipnoterapeuta Heitor Fox dedicou ao Empodera-te! Cabo Verde, previsto para o próximo dia 25 de novembro, no Salão de Banquetes da Assembleia Nacional, na cidade da Praia.

Caros amigos e amigas,

Marquem o vosso calendário para um evento absolutamente imperdível. O Empodera-te! com a Sara Sarowksy regressa este ano para a sua terceira edição, e estou honrado em participar como um dos oradores e coaches que irão partilhar novos caminhos no empoderamento feminino. 🌟

👏 Imagine uma tarde recheada de inspiração, aprendizagem e crescimento pessoal, tudo isto focado em levantar a voz e a visão das mulheres empreendedoras. A missão é simples, mas profundamente significativa: inspirar, capacitar e transformar.

O grande filósofo Sócrates uma vez disse "Conhece-te a ti mesmo." No Empodera-te! levamos essas palavras ao coração. Vamos aprofundar o autoconhecimento, fortalecer a inteligência emocional e, acima de tudo, equipar as mulheres com as ferramentas necessárias para navegar no mundo dos negócios e na vida.

👩‍🚀No universo do empreendedorismo feminino, cada pequeno passo pode tornar-se um gigante salto para a humanidade. E é por isso que a mentoria e a consultoria são elementos centrais deste evento. Ofereceremos orientação e estratégias, apoiadas pela neurociência e pela psicologia, para ampliar não só o potencial do teu negócio, mas também do seu bem-estar emocional.

Mas há mais, a saúde mental e o bem-estar serão igualmente celebrados. Como disse o grande cientista Carl Sagan "A compreensão é uma forma de ecstasy." Então, preparem-se para uma jornada de crescimento e empoderamento que nutrirá tanto a mente quanto o espírito.

É mais do que um evento; é uma revolução. E nessa revolução todas e todos são bem-vindos. Por isso, se és uma mulher empreendedora, este é o teu chamado. Se és um homem engajado com esta causa, este é o teu apelo.

📌 Marquem na agenda: 25 de novembro, entre as 14:30 e as 19:30, na cidade da Praia.

Espero ver-vos lá para, juntos, escrevermos mais um capítulo desta história fascinante de empoderamento e crescimento.

Até breve e até lá, empoderem-se!

Depois desta, só tenho a dizer: que a magia do Empodera-te! esteja contigo. Ontem, hoje, amanhã e sempre! 💪🏻💪🏻💪🏻

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23
Out23

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Ora viva! 🖖

Apesar de estar a ser difícil arranjar tempo para aqui vir deixar-te aquela palavra amiga, não penses que esqueci de ti. Tanto é que, com apenas 15 minutos de pausa entre uma tarefa e outra, fiz questão de vir aqui trazer-te a minha última crónica para o Balai Cabo Verde, publicada na manhã desta segunda-feira. 

Sororidade: o segredo da aliança feminina

No vasto panorama da vida, onde as cores e texturas da sociedade se emaranham, existe um laço especial que muitas vezes passa despercebido, mas que é essencial para o progresso das mulheres num mundo onde as sombras do patriarcado insistem em persistir. Este laço é um compromisso tácito entre mulheres para se apoiarem, colaborarem e caminharem juntas, lado a lado.

Como tal, se me pedissem para escolher uma palavra que melhor descrevesse este ano, não hesitaria em eleger a sororidade. Com algum embaraço, assumo que dela só ouvi falar há coisa de meses, cinco para ser mais precisa. Foi por altura dos preparativos para a segunda edição do Empodera-te!, movimento social em prol do empoderamento feminino por mim criado em janeiro último e pelo qual acabo de ser distinguida, na Assembleia da República, com o Prémio de Mérito Migrante. De lá para cá, adotei-a como filosofia de vida e propósito maior da causa que me move.

Caso não estejas familiarizado com o termo, abro aqui um parêntesis para esclarecer que ele está relacionado com a irmandade, empatia e união das mulheres e que é aquele que na perfeição descreve a solidariedade e a parceria entre elas. Assente na ideia de que devem apoiar, empoderar e ajudar umas às outras, ao invés de competir, criticar ou desmerecer, ele reconhece que as mulheres enfrentam desafios únicos, os quais só serão eficazmente superados quando entre elas reinar a união.

Como tal, a sororidade é uma poderosa ferramenta para a criação de comunidades mais fortes e igualitárias. Por desafiar nocivos estereótipos e normas comportamentais, ela ajuda a construir um mundo onde as mulheres possam prosperar juntas, enfrentando os desafios que a sociedade reiteradamente apresenta. Numa era (ainda) moldada pela desigualdade de género, as mulheres têm enfrentado obstáculos desde que da costela de Adão Deus fez Eva. Essa sociedade patriarcal de que tanto se ouve falar e que o mais recente mega sucesso de Hollywood achou por bem colorir de rosa, muitas vezes as empurra para uma competição insana, injusta e inglória, como se houvesse apenas um lugar no topo para uma delas.

A verdadeira sororidade rejeita tal narrativa, limitada, incapacitante, castradora. Ela celebra o sucesso de cada mulher como uma vitória coletiva. Ela se manifesta na forma como uma discípula de Eva apoia a colega no trabalho, oferece palavras de encorajamento quando a autoestima da sua semelhante vacila e compartilha conhecimento e oportunidades com as restantes, num claro lembrete de que, quando se unem, são capazes de alcançar mais do que poderiam sozinhas.

A rivalidade feminina, tantas vezes alimentada e perpetuada por quem dela só sabe tirar proveito, é um obstáculo que a sororidade tenta superar. Em vez de ver outras mulheres como ameaças, ensina a vê-las como aliadas, lembrando que o sucesso de uma não diminui o potencial de outra. Pelo contrário, quando uma sobe, ela cria degraus para que outras a possam seguir.

Por experiência própria, estou em condições de recomendar a sororidade como uma boleia de luxo para o empoderamento feminino. Ela não só nos nutre a confiança, como nos encoraja a encontrarmos a nossa voz e a reivindicar a nossa vez, ao mesmo tempo que nos inspira a correr atrás dos nossos sonhos e a assumir o comando da nossa vida, imunes ao status quo que o tempo todo nos diz que não seremos capazes. Quando nos apoiamos uma às outras, tornamo-nos mais fortes, mais resilientes e perfeitamente capazes de desafiar as normas dessa tal sociedade patriarcal que o filme Barbie romantizou.

Engane-se quem tiver a ingenuidade de pensar que a sororidade é um caminho fácil. Ela exige que enfrentemos inseguranças e preconceitos entranhados há tanto tempo no nosso ADN social e familiar que chegamos a acreditar que não sabemos ser diferentes. Ela demanda que reconheçamos que cada uma de nós enfrenta lutas únicas e que a colaboração é a chave para as superarmos.

À medida que olhamos para o futuro, a sororidade afigura-se como uma força vital para a equidade de género e igualdade de oportunidades. Ela desafia as estruturas de poder arraigadas, que há demasiado tempo perpetuam a descriminação e a marginalização feminina. Portanto, é minha intenção contribuir para que a sororidade continue a florescer, iluminando os nossos caminhos em direção a uma sociedade mais justa e igualitária. Afinal, estamos a falar da aliança secreta que desafia as sombras do patriarcado, mostrando que a solidariedade entre mulheres é um poderoso catalisador para a mudança.

Que a sororidade esteja contigo. Hoje e sempre. Até breve!

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Ora viva! 🖖

Bem sei que tinha prometido regressar no feriado. Também sei que à palavra dada não se falta. Ainda assim, não consegui. Estava tão cansada, que simplesmente decidi não ligar o computador e passar o dia no sofá a ver episódios atrás de episódios de Lei & Ordem - Unidade Especial.

Também sou filha de Deus e só eu sei o quanto precisava desse momento de dolce fare nienteComo penitência, eis-me a escrever-te num domingo, ainda que só vás ler este post na segunda-feira. Perante a perspetiva de (mais) uma semana intensa pela frente, não me resta outra opção que não seja adiantar trabalho, e se tiver que fazê-lo em dia sagrado, que seja.

Preâmbulo feito, estou aqui para te dizer que se já estava difícil encontrar o amor, a busca agora exige cada vez mais recursos financeiros. Além de um significativo aumento no valor das subscrições em quase todas as aplicações de encontro, o Tinder, provavelmente a mais popular de todas, acaba de lançar uma oferta destinada àqueles que querem a todo o custo - literalmente falando - encontrar a sua felicidade amorosa. De facto, só um querer muito grande para os fazer despender quase meia centena de euros por mês. 

A recém-lançada subscrição é para aqueles que não querem mesmo perder a oportunidade de conversar com outros utilizadores — mesmo que não tenham dado match. Ou seja, se antes só podíamos meter conversa com quem tivesse gostado de nós, o utilizador que tiver aderido a essa modalidade já pode contactar com o seu crush mesmo sem haver reciprocidade de interesse.

Lançado no passado dia 22 de setembro e disponível para menos de 1 por cento dos utilizadores, os "extremamente ativos", de acordo com a empresa, o plano Select custa cerca de 470 euros por mês. Para além de poderem enviar mensagens a pessoas com as quais não chegaram a fazer match, os que aderirem a este plano premium vão poder aceder ao modo de pesquisa VIP para que outros utilizadores possam ver o seu perfil após o swipe right (movimento que significa que está interessado na pessoa).

Os utilizadores elegíveis irão receber um convite do próprio Tinder para poderem aceder ao Select. Os perfis em causa têm de cumprir algumas exigências, como uma fotografia verificada, uma biografia, cinco interesses, pelo menos quatro fotografias no perfil e detalhes sobre o tipo de relação que procuram. 

É, meu bem, a procura por um amor que valha a pena está-se a tornar uma aventura cada vez cara para quem busca e lucrativa para quem facilita essa busca. Para quem tem muitos dígitos na conta, as possibilidades acabam de aumentar com este novo serviço pago do Tinder. Para aqueles cujo saldo bancário tem mais zeros à esquerda do que à direita, a esperança continua a residir na sorte, a quem cabe sempre a última palavra em matéria de amor.

Despeço com aquele abraço amigo de sempre!

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Ora viva! 🖖

Por causa de um novo desafio profissional no qual vou estar envolvida de hoje até ao final do mês, o meu tempo ficou ainda mais limitado - se é que isso é possível. Mesmo assim, consegui arranjar algum para vir cá deixar-te aquele post amigo do costume, ainda que a horas tardias.

Desta vez, trouxe a minha entrevista à agência noticiosa cabo-verdiana Inforpress, a propósito do Prémio de Mérito Migrante com o qual fui galardoada no passado dia 15 de setembro, como deves estar farta de me ouvir dizer.

Lamento voltar a bater nesta mesma tecla, mas como deves imaginar convém-me fazer render este peixe o máximo que puder, pois trata-se de um prestígio demasiado grande para deixar cair no esquecimento sem dar luta. Até porque preciso de patrocínios para as minhas próximas iniciativas.

Voltando à entrevista, publicada na manhã desta segunda-feira, a matéria foi assinada pela jornalista Dulceneia Ramos e nela anuncio a chegada do Empodera-te! a Cabo Verde. Boa leitura.

Portugal: Mentora do 'Empodera-te' e vencedora do Prémio Mérito Migrante vai levar projeto a Cabo Verde

A cabo-verdiana mentora do 'Empodera-te' e vencedora do Prémio Mérito Migrante 2023, Sara Sarowsky, vai levar a Cabo Verde, em Novembro, o projecto, como forma de ajudar as mulheres a assumirem o comando da sua vida.

Em declarações à Inforpress, a autora, cronista, bloguer, podcaster, palestrante e criadora de conteúdos contou que o "Empodera-te", que adoptou, tem como nome de família Sanches, que também classifica o projecto como um movimento, explicou que o mesmo surgiu em Janeiro deste ano, na sequência do podcast 'Ainda Solteiros', estreado em Novembro de 2022.

Assim, no dia 07 de Janeiro de 2023, apresentou o projecto, em Lisboa, no Centro Cultural Cabo Verde (CCCV), que teve como padrinho o artista Dino d’Santiago e por causa da muita procura, repetiu o evento no dia 27 de Janeiro, na mesma cidade, no Centro Cultural de Belém (CCB), que teve como madrinha a esposa do embaixador de Cabo Verde em Portugal, Manuela Brito.

"A minha referência é sempre Cabo Verde, terra que me viu nascer, crescer e florescer. É por isso que estou com o coração cheio, porque agora estou a conseguir levar o “Empodera-te” para Cabo Verde, Cidade da Praia, no dia 25 de Novembro", disse, ressaltando a importância do dia, já que vai ser na Semana da Erradicação da Violência contra Mulher.

Sara Sarowsky já tem o lugar para o evento que vai ter também, à margem, outras actividades, como uma feira de negócios de mulheres, apresentações de dois livros e um passeio para o interior da ilha de Santiago, tendo em conta que vão estar a participar pessoas de outras nacionalidades, nomeadamente moçambicana, brasileira e portuguesa, que nunca foram a Cabo Verde, ou mesmo cabo-verdianos que já não ia há muito tempo.

"O 'Empodera-te' é assente em quatro pilares: empoderamento físico (corpo), empoderamento mental (mente), empoderamento espiritual (espírito) e empoderamento emocional (coração)", indicou a produtora de eventos nascida e criada em Cabo Verde e radicada em Lisboa há mais de 15 anos.

A mentora justificou que esse projecto começou logo por ter um "grande impacto", porque foi logo depois de dois anos "muito complicados" por causa da pandemia, que mexeu também com a saúde mental por causa da pandemia.

Em Cabo Verde, o evento terá como madrinha a primeira-dama, Débora Katisa Carvalho, e embaixadora oficial a Lena Marçal, mas também terá a vertente solidárias, visto que as duas autoras que vão lá apresentar as suas obras irão reverter o montante da venda dos livros a duas instituições.

A moçambicana Yulanda Fumane, residente no Dubai, vai apresentar o seu livro 'O poder da dificuldade', no dia 30 de Novembro, em que paret da receita arrecadada vai para a 'Fundação Dretu', e a brasileira Angela Pinheiro, com o seu livro 'Decretos mágicos', no dia 28 de Novembro, em que parte da venda da obra deverá reverter-se para a Fundação Orlando Pantera.

Para a cabo-verdiana, que foi galardoada com o Prémio Mérito Migrante na categoria 'Empreendedorismo' na segunda edição do evento organizado pela Associação Lusófona, Cultura e Cidadania (ALCC), que teve lugar no dia 15 de Setembro, na Assembleia da República de Portugal, foi uma das "melhores surpresas" que já teve.

"Não estava à espera de ser galardoada com o Prémio Mérito Migrante. O que estou a fazer está no início, mas o galardão dá-me muito mais moral e motivação para continuar e é essa grandeza que quero levar para Cabo Verde", frisou.

Com formação académica em comunicação empresarial e pós-académica em marketing estratégico, audiovisual e multimédia, Sara Sarowsky desempenhou funções em instituições, como Embaixada de Cabo Verde em Portugal, a Ordem dos Engenheiros de Portugal e Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSi).

Também é autora 'Ainda Solteira', criado em Junho de 2015 e distinguido por três anos consecutivos (2018, 2019 e 2020) como melhor blog de Portugal na categoria de 'Sexo e diário íntimo'.

Aquele abraço amigo e até quinta (vou aproveitar o feriado para vir aqui dar-te aquele olá de alegria)!

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29
Set23

Quem não é bom ímpar...

por Sara Sarowsky

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Ora viva! 🖖

Para encerrarmos a semana em grande, convido-te a ler a minha crónica de setembro para o Balai Cabo Verde, publicada há instantes. Boa leitura e um esplendoroso fim de semana.

Quem não é bom ímpar...

Por dias a fio, dei voltas à cabeça tentando decidir qual seria o tema da crónica deste setembro, o mês da rentrée, aquele que nos renova o ânimo para o resto do ano.

Era minha intenção falar sobre o Prémio de Mérito Migrante com o qual acabo de ser distinguida na Assembleia da República portuguesa, pelo meu desempenho em prol do empoderamento feminino. Temendo cometer o pecado da bazófia, achei mais altruísta dissecar o poder da dificuldade, título de um livro sobre empreendedorismo feminino, cujo prefácio assinei e em cuja cerimónia de lançamento estou diretamente envolvida.

Nova mudança de ideias levou-me a cogitar a hipótese de escrever sobre a diáspora cabo-verdiana, cujo movimento associativo promoveu, na semana passada, um grande encontro em Lisboa, com o qual tive a oportunidade de colaborar. Por não ser a minha área de atuação, ou seja, para não correr o risco de dar bitaites sem real conhecimento de causa, optei por alterar o rumo dos pensamentos.

A essa altura do brainstorming ocorreu-me anunciar a chegada do Empodera-te! a Cabo Verde, mais concretamente à Praia, minha cidade-natal. Por ainda não querer levantar (publicamente) o véu sobre um evento que irá inspirar, impactar e capacitar as mulheres da minha ilha, acabei por decidir-me por um tema neutro e no qual estou perfeitamente à vontade; até porque já faz alguns meses que não escrevo sobre relacionamentos. Assim, intenta esta crónica esclarecer porque motivo aquele que não é bom ímpar jamais poderá ser bom par, isto é, porque quem não sabe ser feliz solteiro jamais poderá ser feliz emparelhado.

Toda vez que ouço dizer que se quer encontrar alguém para ser feliz sou imediatamente acometida de uma aguda crise de urticária emocional. Tal crença é pura falácia, (convenientemente) alimentada, primeiro, pela literatura e, depois, pelo cinema, duas indústrias que descaradamente lucram bilhões à custa de ingénuos que acreditam piamente que alguém vai irromper pelas suas vidas com a missão de os fazer conhecer a (real) felicidade.

O amor, esse sentimento que inspira poetas e escritores desde os primórdios da civilização moderna, e que tantas vezes nos faz embarcar numa obsessiva odisseia em busca da alma gémea - a tal metade que é suposto completar-nos - pode ser uma dor sem tamanho para aqueles que são incapazes de compreender um detalhe crucial: para ser um bom par é fundamental ser um bom ímpar primeiro.

Imagina um baile, onde todos os casais dançam harmoniosamente, em que cada pessoa encaixa-se perfeitamente no ritmo da música com o seu par perfeito. No entanto, nesse salão, também estão aqueles que não aprenderam a dançar sozinhos, que não se sentem completos por si mesmos. São como números pares, esperando desesperadamente encontrar o seu correspondente.

O relacionamento amoroso é como essa dança. Antes de se unir a alguém, é necessário que o dançarino aprenda a dançar consigo mesmo. O amor-próprio e a autoestima são os passos iniciais dessa coreografia. Quando nos amamos a nós mesmos, tornamo-nos um número ímpar, independente e completo, capaz de dançar a dança da vida com graciosidade, mesmo sem um par.

Amar a si mesmo não significa ser egoísta ou narcisista. Significa reconhecer o próprio valor, cuidar de si mesmo e desenvolver uma relação saudável com o próprio eu. Tornar-se a sua melhor versão possível, nutrir a própria felicidade e bem-estar é um compromisso que cada um de nós deve assumir desde a mais tenra idade.

Somente quando somos ímpares confiantes podemos nos tornar pares que se complementam. Como tal, um relacionamento saudável requer duas pessoas ímpares, completas por si sós, unidas para criar algo ainda mais bonito. Em vez de depender um do outro para preencher vazios emocionais, eles compartilham as suas vidas, sonhos e alegrias.

Lamentavelmente, demasiadas vezes até, vemos relacionamentos onde um ou ambos os parceiros são números pares desesperados, buscando incessantemente validação, amor e felicidade no outro, esquecendo-se de que essas coisas devem primeiro vir de dentro. Relacionamentos assim frequentemente se tornam tóxicos e insatisfatórios, porque ninguém pode preencher permanentemente o vazio emocional de outra pessoa.

Como posso aprender a amar a mim mesmo antes de amar o outro, deves estar a perguntar-te. Começando por te conhecer profundamente. Explora os teus interesses, paixões e valores. Cuida da tua saúde física, mental, emocional e espiritual. Cultiva relacionamentos saudáveis com amigos e familiares. Define metas e trabalha para alcançá-las. E, acima de tudo, pratica a gratidão e a autocompaixão.

Lembrar que "quem não é bom ímpar jamais será bom par" é uma lição valiosa, já que quando somos bons ímpares, quando aprendemos a amar e respeitar a nós mesmos, estamos em muito melhor posição para construir relacionamentos amorosos saudáveis e duradouros. Lembra-te que a verdadeira felicidade está em encontrar alguém que partilha os mesmos valores e te completa, em vez de alguém que preenche as tuas necessidades.

Portanto, antes de saíres à procura do amor, dedica um tempo para te tornares um ímpar confiante. Dança contigo mesmo na pista da vida, aproveita cada passo e, quando encontrares alguém com quem desejas encetar uma dança a dois, a probabilidade de criarem uma coreografia que encantará todos que tiverem o privilégio de assistir à vossa performance é infinitamente maior. Jamais te esqueças que o verdadeiro amor começa em ti e floresce quando dois números ímpares se encontram numa harmoniosa dança de conexão e afeição.

Aquele abraço amigo e até à próxima!

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25
Set23

IMG_6336-ARTHURQM17.jpg Ora viva! 🖖

As fotos chegaram, pelo que - conforme prometido - eis-me aqui para te por a par de tudo o que aconteceu na gala do passado dia 15 de setembro, durante a qual fui galardoada com o Prémio de Mérito Migrante pelo meu desempenho em prol do empoderamento feminino.

Como bem sabes, a cerimónia aconteceu nas instalações da casa parlamentar portuguesa, a Assembleia da República, o que lhe confere um prestígio e uma responsabilidade difíceis de se traduzir em palavras. A emoção e a comoção estiveram presentes o tempo todo, com momentos absolutamente inspiradores e dignificantes da condição do migrante.

A sessão contou com as presenças da secretária de estado da Igualdade e Migrações, Isabel Almeida Rodrigues, do presidente do conselho diretivo da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), Luís Goes Pinheiro, da vogal da AIMA, Sónia Pereira, e dos dirigentes da Associação Lusofonia, Cultura e Cidadania (ALCC), Edmundo Rodrigo Silveira e Laudicéia dos Santos Nascimento. Por parte da casa anfitriã, estiveram presentes as deputadas Romualda Nunes Fernandes e Susana Amador, de quem tive a honra de receber o prémio e o respetivo certificado.

Recordo que a gala distinguiu 19 personalidades e entidades das áreas da cultura, política, empresariado, empreendedorismo, comunicação, educação, investigação, política, associativismo e organismo público e que o desiderato era "reconhecer e celebrar os inúmeros talentos que escolheram Portugal como sua segunda casa e contribuíram de forma inestimável para o enriquecimento e desenvolvimento deste país".

De acordo com Laudicéia dos Santos Nascimento, vice-presidente da ALCC, promotora da iniciativa, "cada um de vocês, com a sua história única, paixão e dedicação, fez a diferença na sua área de atuação. O vosso mérito não só fortalece a comunidade migrante, mas também ilumina o caminho para muitos outros que sonham com realizações semelhantes."

Aos distinguidos, a organização agradece sinceramente por tudo o que trouxeram para Portugal, deles esperando que continuem a brilhar e a inspirar muitos outros com os seus feitos. "É uma honra tê-los conosco e celebrar o impacto positivo que têm no tecido da nossa sociedade." No meu caso concreto, foram-me endereçadas estas palavras: "desejamos um futuro repleto de sucessos e conquistas, e que esta gala sirva como um lembrete do quão valiosa e apreciada és."

Acredito de todo o coração que, juntamente com os galardoados, autoridades e convidados, todos os migrantes que contribuem direta ou indiretamente em diversas áreas, agregando valor à economia, bem como à interculturalidade deste país, se sentiram representados na segunda edição da gala, apresentada pela poderosa Yulanda Fumane e pelo talentoso Beto Coville.

IMG_6290-ARTHURQM17.jpgTermino com o meu discurso de agradecimento na cerimónia, o qual dedico também a ti que tem acompanhado a minha jornada e contribuído para esta conquista.

"Eu tenho um sonho", disse um dia Martin Luther King.
"Eu tenho uma causa", diz, aqui e agora, à vossa frente, Sara Sarowsky.
O meu sonho é a minha causa e a minha causa é o meu sonho. Hoje, a minha causa permite-me realizar o meu sonho.

Eu dedico este prémio, em primeiro lugar, a ti que, na verdade do teu coração, sabes o quanto contribuíste para eu estar aonde eu estou neste preciso instante. Abençoada sou eu por ter-te na minha vida.

Dedico igualmente à pessoa que me indicou, que só há uma hora atrás eu soube quem é. A essa pessoa quero manifestar a minha mais profunda gratidão e dizer: estou à altura da confiança que  depositaste em mim.

Dedico também a todos os envolvidos, sem exceção, na idealização e na materialização desta magnífica iniciativa que tanto engrandece e enobrece a condição do migrante.

Dedico ainda ao meu amado Cabo Verde, país que me viu nascer, crescer, florescer e que todos os dias me inspira a ser mais e melhor.

Dedico também a esta casa parlamentar, tão simbólica, emblemática, prestigiante, que abriu as suas portas para nos receber, por nos acolher, com tanta morabeza, como se diz na minha língua materna.

Dedico também a todos os meus colegas que hoje foram galardoados. Eu tenho a certeza que esta distinção é fruto de muito trabalho, de muito mérito, mas sobretudo, de muita resiliência. Bem hajam por não desistirem dos vossos sonhos.

Por fim, eu dedico a cada um que no futuro irá receber esta distinção. Que isto sirva de inspiração e motivação para fazerem por merecê-la. A cada um deles, a cada uma delas, eu quero dizer: "tu importas, o teu projeto importa, a tua causa importa, o teu sonho importa. Acredita nisso, mas sobretudo, acredita que o sonho é possível”. Eu acabo de realizar o meu, quer dizer, um deles, que sonhos tenho eu aos montes.

Muita, muita, mas muita gratidão por me ouvirem. Bem hajam!!!!

Despeço-me com aquele abraço amigo de até breve! 

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