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Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Viva!

Um estudo intutulado As Mulheres em Portugal, Hoje assegura que uma em cada três portuguesas sente-se infeliz com a vida. Pela sua pertinência, e relevância, este assunto merece um olhar crítico desta solteira aqui, feliz nuns dias, infeliz noutros e assim assim nos restantes. 

A investigação, baseada numa amostra de 2,7 milhões de indivíduos do sexo feminino com idade compreendida entre os 18 e os 64 anos, intentou por a nu as condições e os objetivos das mulheres em território nacional: o trabalho, as tarefas domésticas, os rendimentos, os filhos, a vida sexual e os orgasmos, a desigualdade salarial, os filhos e a felicidade.
 
Coordenado por Laura Sagnier, economista e especialista em market intelligence, a análise, que reflete o que pensam e o que sentem as mulheres em Portugal, chegou às seguintes conclusões:
 
- O período mais complicado para a maioria das mulheres em relação às várias facetas que afetam as suas vidas situa-se entre os 35 e os 49 anos.
 
- A partir dos 28 anos, a capacidade de 'conciliar bem o trabalho pago com a vida pessoal ou familiar' torna-se a questão mais relevante para a esmagadora maioria.
 
- Mulheres com relações infelizes sentem que tal afeta de forma negativa todas as outras facetas da sua vida, ao contrário do que acontece com aquelas que não têm companheiro. Mais vale só do que mal acompanhada, não me canso de apregoar...
 
- Mais de metade (51%) das assalariadas estão infelizes no que diz respeito ao emprego.
 
- 33% sentem-se infelizes com a vida; 47% assumem-se felizes ou quase felizes e as restantes estão abaixo do limiar de felicidade.
 
- As facetas que as deixam mais felizes são, por ordem decrescente, os filhos, os netos, as amigas, os amigos, os parceiros e a mãe.
 
- As facetas que mais promovem a sua infelicidade são, por ordem decrescente de importância, o tempo médio que dispõem para si, o trabalho pago, o seu aspeto físico e os descendentes com um relacionamento anterior.
 
- 5% assumem-se como mães arrependidas.
 
- 73% assumem mais trabalho não pago que os companheiros.
 
- Para a maioria é mais importante as vezes que atingem o orgasmo do que a frequência com que mantém relações sexuais. Muitas dizem-se sentir felizes se tiverem sexo uma a duas vezes por semana.

É caso para nos perguntarmos por onde anda a felicidade de um terço das mulheres portuguesas. Poderia dizer que ela está na solteirice (como inúmeros estudos já o comprovaram). Mas como eu, solteira de longa duração, também não me sinto totalmente feliz, a resposta poderá estar no conceito de felicidade de cada uma. Só resta definir por a+b o que é a felicidade.
 
Com esta reflexão dou por encerradas as hostilidades do dia. Um abraço amigo e desejos de uma boa semana!

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Viva!

Visa esta crónica complementar aquela que a precede, na qual abordei as dificuldades da comunidade desemparelhada em conseguir ofertas turísticas adequadas ao seu perfil. O meu olhar de hoje recai sobre o preço de se ser solteira em Portugal, tendo por base duas premissas: os valores das rendas e o custo de vida, duas variáveis que comprometem seriamente o quotidiano de quem suporta as contas na sua totalidade.

A invasão massiva dos turistas e dos migrantes endinheirados veio agudizar um problema que há muito ensombra a emancipação das celibatárias, relegando para segundo plano a falta de um par de calças do lado. O maior drama das single ladies neste momento é conseguir morar sozinha; que sobre adquirir casa própria nem me atrevo a pronunciar. Eu sou o exemplo vivo desta dura realidade; na casa dos 40 e ainda a dividir casa, como se uma universitária ainda fosse.

A propósito desta questão, considera o sociólogo Bernardo Coelho que "não só os salários em Portugal são dos mais baixos da Europa, como as mulheres são as mais mal pagas, com a agravante de que este é um cenário que acontece em todas as fases das suas vidas e não apenas no início da vida profissional. Além disso, o número de contratos não permanentes nas empresas incide com maior percentagem no sexo feminino. A precariedade no feminino é uma realidade".

Conscientes estamos todos de que salário baixo implica poder de compra reduzido, que, por sua vez, resulta numa margem financeira deveras limitada, numa espécie de pescada de rabo na boca. Não é à toda que os passarinhos deixam o ninho cada vez mais tarde e que muitos a ele retornam nos primeiros três anos após o voo da libertação do jugo parental. Flagrante é também a quantidade de indivíduos (sobretudo do sexo feminino) que "juntam os trapinhos" mais por uma questão prática do que propriamente sentimental, assim como aqueles que se mantêm numa relação moribunda e tóxica por motivos exclusivamente financeiros.

A continuar assim será caso para substituirmos o "quem casa quer casa" pelo "quem quer casa, casa". Afinal, de que outra maneira uma solteira assalariada conseguirá condições financeiras para ter um cantinho a que chamar seu?

Até à próxima, que o fim de semana já me veio buscar para irmos desbundar!

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Viva!


É cada vez mais gritante a minha estafa física, mental e emocional. A catadupa de acontecimentos e sucedidos nos últimos meses tem-me deixado à beira do colapso, de tal modo que resolvi tirar um par de dias na próxima semana para descansar, relaxar, desconectar-me do mundo e reconectar-me com o meu eu interior, tão negligenciado ultimamente.

Não fazes ideia da odisseia que tem sido a procura por boas ofertas de escapadas, a preços à altura da minha disponibilidade financeira. Transpor o espaço aéreo português acabou por se revelar uma opção inviável. Bastaram três cliques nos motores de busca para que o last minute flight se revelasse incompatível com a minha conta bancária. Assim, só me restou recorrer às ofertas internas, ao estilo "vá para fora cá dentro".

Escuso dizer que a minha preferência, naquela que será a minha primeira escapadinha em Portugal, recaiu, desde o primeiro momento, sobre destinos de praia. Este meu desejo caiu igualmente por terra assim que constatei que estadas decentes por menos de 120 euros seria como acertar no euromilhões. Assim, acabei por me contentar com o distrito de Santarém, região pouco cobiçada pelos veraneantes.

É assim que, dentro de poucos dias, quase 22 anos depois de cá ter desembarcado, vivenciarei a minha primeira experiência enquanto turista em terras lusas. Anseio por saber como será, confesso.

Voltando ao assunto que me trouxe aqui hoje, porque estou a contar-te tudo isso? Porque, ao longo da minha odisseia para encontrar algo à medida das minhas expectativas/necessidades/possibilidades, apercebi-me que ofertas turísticas para solteiros são atípicas, inadequadas e dispendiosas. Deparei-me com uma variedade de pacotes promocionais, algumas premium, mas nenhuma delineada para quem deseja passar uns dias na sua própria companhia. Nem uma só, para grande desgosto meu.

Ora acontece que a solteirice é um status amoroso cada vez mais pujante – transversal a todas as idades, nacionalidades, realidades e possibilidades económicas – que demanda produtos e serviços adequados ao seu perfil. A pouca expressividade, inexistência até, de ofertas turísticas exclusivas e/ou adequadas ao single world parece-me demasiado óbvia para que ninguém ainda a tenha assumido como uma urgente e rentável oportunidade comercial.

É neste contexto que comecei a fazer um levantamento de informações, com vista à elaboração de um roteiro específico para quem deseja fazer férias a solo, sem perigo de se sentir negligenciado ou marginalizado. Uma espécie de Timeout para solteiros, contendo sugestões de hotéis, restaurantes, bares, spa's e tudo o mais que se justificar.

O próximo passo passará por encontrar parceiros interessados em juntar-se a mim nesta empreitada, que mais do que um negócio deverá ser encarada como uma causa, o tal serviço público de informação à comunidade solteira, como assumi há uns tempos aquando da nomeação do AS para Sapo do Ano.

Tudo ideias para cozinhar durante a próxima semana, quando estiver a lagartar por terras ribatejanas. Por agora, só consigo pensar nas marchas populares de logo mais, no feriado de amanhã e no fim de semana que está mesmo à porta.

E tu, tens planos para estes próximos dias? Se sim, fico contente por ti; se não, bem que podias ir pensando em ofertas turísticas que possam ser do interesse dos desemparelhados. Conto com a tua ajuda para levar a bom porto esta iniciativa, afinal se não zelarmos pelos nossos interesses, quem mais o fará?

Bom Santo António (se for o caso) e até breve!

 

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Viva!


Apesar de ainda faltar um par de semanas para o arranque oficial da estação, sentimos nós na pele (e no ar) que o verão já cá canta. Bem presente na memória estão os quase 40 graus que se fizeram sentir há apenas uns dias em vários pontos de Portugal continental.

Verão por estas bandas costuma ser indissociável do sol, da praia, das viagem, do vestuário leve (e reduzido), do bronzeado, dos sorrisos rasgados, das festas populares, dos arraiais, dos festivais, das sunsets parties, das paixões arrebatadoras, dos flirts inconsequentes, e por aí fora; tudo coisas propícias a fotos, fotos e mais fotos. É cada mergulho um flash, como dizia uma personagem de uma telenovela brasileira.

De acordo com a Bright Side, ficar bem na fotografia está ao alcance de qualquer mortal, independentemente do seu grau de fotogenia. E para provar que assim é, o site fez questão de ilustrar as 20 melhores poses femininas, destinadas tanto a quem está à frente como a quem prefere ficar atrás da câmara. 

Se fores como eu, que raramente fica bem numa fotografia, vais – com toda a certeza –  delas precisar. Se, pelo contrário, tiveres sido abençoada com o dom da fotogenia, mesmo quando fazes caras e bocas, espera pelo próximo post que este de pouco te vai servir.

Vamos lá então aos 20 truques para ficares sempre bem na foto (literalmente falando):

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Para uma fotografia sentada, encosta-te e apoia-te com uma só mão.

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Numa situação mais formal, o melhor é cruzares os braços, pois desvias o foco do peito.

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Para uma pose mais elegante, inclina o corpo ligeiramente para a frente.

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Eis uma boa pose para uma foto artística.

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O corpo em S é sempre uma boa alternativa porque confere naturalidade. Para o conseguires só tens que transferir o peso todo para uma só perna.

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Para uma fotografia mais feminina e que faça jus às tuas curvas experimenta esta pose.

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Se tiveres cabelo comprido deixa-o esvoaçar, pois isso realça-o.

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Estar apoiada ou sentada é garantia de sucesso, já que se trata de uma posição versátil que funciona em qualquer ambiente.

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Esta pose é sensual (com saltos altos, então...), desde que tenhas cuidado com a forma como posicionais as pernas, não vás mostrar mais do que é suposto.

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Se o teu objetivo é realçar o rosto, apoia-te numa superfície plana com as duas mãos.

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Esta pose é fruto de um casamento feliz entre naturalidade e sensualidade. Usa e abusa dela!

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Para foto de corpo inteiro, apoia-te numa parede e deixa-te fotografar de costas.

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Ambiente descontraído rima com uma pose mais cómoda, lembra-te disso.

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Senta-te com as pernas dobradas, sem deixar que o corpo se apoie muito nos pés, e olha por cima do ombro.

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Se quiseres várias perspetivas da tua imagem, esta é a pose ideial. Tens é que ter apenas uma das mãos no chão.

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Deixa as pernas e os braços descontraídos, mas sempre com todo o peso do corpo transferido para uma só perna.

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Colocar as mãos atrás das costas é a pose ideal para transmitires abertura e transparência.

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Esta pose faz-te parecer mais magra. Para a conseguires só tens que manter a mandíbula descontraída e o ombro mais próximo à câmara um pouco mais levantado.

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Manter as mãos parcial ou totalmente dentro dos bolsos, é outra boa aposta para foto de corpo inteiro.

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Esta pose sexy consegue-se com a câmara posicionada num ponto mais abaixo que o teu corpo. A parte superior do corpo deve estar um pouco levantada, a cabeça inclinada e as pernas dobradas.

Seja à frente ou atrás da câmara, estas dicas são uma preciosa ajuda para conseguires umas fotos giras e com ar profissional. Explora-as, experimente-as e deixa-te levar pela supermodel que há em ti. Afinal, a fotogenia também se treina.


Au revoir, ma belle Bündchen!

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03
Jun19

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Viva!

Junho chegou radiante e escaldante, um claro prenúncio do que os astros nos tem reservado para este sexto mês do ano. No meu caso, fiquei arrepiada com as previsões da life coach Isabel Soares dos Santos, pois nelas vi espelhadas, de forma translúcida, o meu atual estado de espírito. Desde o falecimento do meu pai que tenho estado a questionar alguns aspetos na minha vida, a por em causa coisas que tinha como garantidas. A cada dia que passa, sinto-me a caminhar rumo a um entroncamento, sem direito a cedência de passagem. No meu íntimo sei que, cedo ou tarde, terei que tomar umas quantas decisões, decisões essas que tenho vindo a adiar pelo simples receio de ter que deixar a zona de conforto e enfrentar o desconhecido.

É neste contexto que estas previsões não poderiam ser mais perentórias: não tenho como não tomar essas decisões! 
Para que possas perceber melhor o que estou para aqui a divagar, só mesmo lendo o que previu a conselheira espiritual deste blog para este mês de junho:

Eis que o ano continua a passar rápido demais... tudo acontece a uma velocidade estonteante e cabe-nos a nós criar as nossas rotinas saudáveis por forma a conseguirmos manter o equilíbrio. 

Junho apresenta-se como um mês de maior sabedoria e consciência interna. É chegado o momento de ouvir a voz da intuição e seguir os seus conselhos. É hora de perderes o medo e de escolheres exatamente o que te faz feliz. Já não há muito mais espaço de manobra para ficares apenas a deambular pela vida à espera que algo aconteça. É o momento certo para tomares decisões.

Quanto mais tempo passas sem tomar decisões, mais infeliz ficas. Pois a vida passa e as oportunidades acabam por ficar no passado. Principalmente agora em que o dia parece que apenas tem 12 horas. É fundamental escolheres o que realmente desejas para a tua vida, o que realmente te faz feliz. Se não escolheres agora, as circunstâncias da vida vão escolher por ti... e depois não te queixes.

Aqueles que já estão no seu processo de tomada de consciência e de desenvolvimento pessoal, compreendem perfeitamente que não há tempo a perder. Às Almas conscientes que já têm dado passos muito concretos em direção à sua felicidade, os meus sinceros parabéns!! O universo vai recompensar e as bênçãos serão mais que muitas! Há que agradecer por isso.

Milagres acontecem todos os dias a quem já se disponibilizou para ouvir a sua voz interior. Mas muitos perguntam: como oiço a minha voz interior? Como oiço a minha intuição? Sempre que tiveres a cabeça cheia com "porquês", sempre que tiveres a cabeça cheia com as lembranças menos boas do passado ou sempre que tiveres a cabeça cheia com as preocupações em relação ao futuro, não estás a dar espaço para a tua voz interior se manifestar. Por muito que custe, tudo se pode treinar na vida e, ouvir a nossa voz interior, pode treinar-se todos os dias. Por isso, tem pensamentos melhores, deixa as preocupações no passado, vive apenas o momento presente com um sorriso no rosto. Por muito dura que esteja a ser a tua vida, a cada dia acordas para um novo dia e só depende de ti fazer diferente. Só depende de ti fazer escolhas melhores em relação ao teu presente. 

Tudo o que mais desejas na tua vida, pode acontecer hoje mesmo. Por isso, liberta-te dos pesos, liberta-te dos medos e tem fé. A fé vai levar-te a uma vida muito melhor. A cada dia podes aumentar a tua fé. Podes acreditar mais em ti próprio. Podes acreditar que tudo é possível. E começar a ter sonhos melhores. 

Desejo-te um mês muito abençoado e cheio de sonhos concretizados!

Abraço de Luz,
Isabel 💗

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Viva!

Não há coincidências! E a prova é que, depois da minha passagem (ontem) pela Feira do Livro de Lisboa, chega-me à vista (hoje) o resultado de uma sondagem levada a cabo em 13 países que concluiu que as pessoas que leem regularmente (71% dos inquiridos) são bem mais felizes que o resto da população que não o faz.

De viva voz, confirmo tal coisa. Desde a minha mais tenra idade que me recordo de gostar de ler. Lia tudo que me viesse parar às mãos. Quando digo tudo é mesmo tudo. Quando a nada mais conseguia deitar a mão, até à Bíblia me fazia, logo eu que de crente não possuo uma única molécula.

Na minha meninice em Cabo Verde não havia televisão por cabo, muito menos internet. Na verdade, mal havia televisão, e a que havia, um único canal público, só transmitia das 18 às 23 horas. Assim, a leitura, a par das brincadeiras de rua com os vizinhos, era o meu único divertimento. Por isso, lia, lia e lia.

Lia de tal maneira que quando chegava o início das aulas, já eu tinha devorado o conteúdo de todos os manuais escolares. Fui a melhor aluna do meu liceu a história e a política e uma das melhores a geografia e fisico-química à conta disso. Nas férias grandes, sem nada mais para fazer, pegava nos livros e ia lendo, como forma de passar o tempo e matar o enfado de semanas intermináveis de reclusão domiciliária forçada.

Devo ser das poucas criaturas deste planeta para quem as férias grandes eram temidas ao invés de ansiadas. Rezava para que acabassem logo. Isto porque passava três meses enfiada em casa, só saindo para ir ao mercado, fazer recados, visitar parentes e pouco mais. Nem à praia (tão bela, tão morna e tão perto) me era permitido ir. Viajar então… era coisa que só constava do meu imaginário.

Portanto, o meu único entretenimento a solo era a leitura. Chegava a ler dois romances por dia. E à noite, quando a minha mãe me obrigava a desligar a lâmpada por ser tão tarde, passava madrugadas inteiras a ler à luz de vela, com a cabeça coberta com o lençol, que era para ela não se aperceber da sombra da chama.

Vibrava a cada novo livro. Cheirava, apalpava, folheava e delirava perante a expectativa de uma nova estória, um novo capítulo, novos personagens, novas tramas. Quando vim para cá, continuei a cultivar essa paixão. Todo o santo sábado lá ia eu a caminho da Feira da Ladra para adquirir mais livros. Romance, banda desenhada, infanto-juvenil, didático e mistério eram os meus géneros preferidos. Era tão cliente assídua que cheguei a um ponto em que já nem comprava mais, trocava antes por novos exemplares.

De regresso à base, concluída a missão que me trouxe a terras lusas – tirar a licenciatura – a única carga que despachei por via marítima foi uma enorme caixa de livros, que ainda hoje conservo com o maior cuidado na casa que me viu crescer, do lado de lá do Atlântico.

Atualmente, um dos meus maiores lamentos é já não ler com assiduidade. A bem da verdade, não me lembro sequer da última vez que li um livro do princípio ao fim. A televisão e a internet, a par do meu próprio desleixo, são as grandes vilãs desta estória com um final infeliz, mas que pretendo a curto prazo converter num happy end.

A estada no Parque Eduardo VII parece que acordou o bichinho da leitura, adormecido há muito tempo, demasiado até. Tanto assim é que hoje lá pretendo voltar, não só para adquirir mais uns quantos exemplares para a minha coleção de cabeceira, mas também para me deliciar com aquelas porcarias gastronómicas que tanto dano causam à silhueta mas que tão bem fazem à alma.

Só desta vez. Porque é sexta-feira, porque está um calor descomunal, porque feira rima com gula e porque da vida só levamos o que vivemos.

Aquele abraço amigo de sempre!

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Viva!

É urgente abrandar, desligar então, imperativo! É desta forma, sem meias palavras, que dou o pontapé de saída a esta crónica que intenta escancarar um dos grandes temas da atualidade: o burnout ou stress profissional, para quem não está familiarizado com o termo. Por burnout entende-se o esgotamento físico e mental causado pelo exercício de uma atividade profissional.

Descrito como "uma síndrome resultante de stress crónico no trabalho que não foi gerido com êxito", o burnout tem assumido tamanha proporção que a Organização Mundial da Saúde (OMS), na sua última assembleia-geral, deu luz verde à sua inclusão, a partir de 1 de janeiro de 2022, na lista de doenças reconhecidas pela comunidade científica. Importa referir que na origem desta determinação do organismo máximo em matéria de saúde mundial estiveram conclusões de peritos de todo o mundo.

Intrinsicamente associado ao trabalho, o burnout pode resultar de uma carga horária excessiva, da falta de valorização por parte da chefia ou de um descontentamento generalizado em relação ao próprio trabalho. Outros fatores como excesso de responsabilidades, pouca autonomia para tomar decisões, falta de justiça e conflitos de valor podem igualmente desencadear esta síndrome, que em terras lusas afeta dois terços dos médicos.

Pelo facto de os seus sintomas serem muitas vezes semelhantes aos de outras doenças como a ansiedade e a depressão, o diagnóstico desta síndrome peca por tardio ou até mesmo inexistente. Para que não restem dúvidas, cansaço excessivo (físico e mental), irritabilidade, alterações repentinas de humor, dor de cabeça frequente, alterações no apetite, problemas relacionados ao sono, dificuldades de concentração, depressão e ansiedade, alteração nos batimentos cardíacos, distanciamento da vida pessoal e falta de prazer nas atividades são considerados indícios inequívocos.

Eu mesma venho sofrendo desta condição há já uns meses. Tudo começou no ano passado quando andava a labutar em três frentes profissionais, sem falar no Ainda Solteira, um amante generoso, contudo exigente e possessivo. Em outubro, quando fiquei com a responsabilidade de gerir uma formação para quase duas centenas de pessoas, o stress profissional foi tal que explodiu numa crise aguda de acne, que ainda hoje estou a tentar debelar.

De lá para cá, vi-me forçada a encetar algumas mudanças na minha vida profissional; e não só. Passei a ter apenas um único trabalho e, depois da conquista do Sapo do Ano, vi-me livre daquela pressão em ter que provar o meu valor enquanto escritora/blogger. Fora isso, adotei umas quantas atitudes, simples na sua génese mas evidentes na sua eficácia: não atender telefonemas profissionais fora do horário normal de expediente, não consultar/responder emails fora do escritório, não "cronicar" com tanta frequência, investir em conteúdos audiovisuais que exigem menos emprego dos neurónios (leia-se Instagram), meditar de manhã e à noite e dormir entre 8-9 horas.

Contudo, a maior de todas elas foi, sem dúvida, aceitar que não sou Deus, logo que não faço milagres. Com isso quero dizer que aceito que não consigo dar conta de tudo, por mais que assim o queira. Continuo a dar o meu melhor no sentido de fazer o que me compete, mas sempre consciente de que o tempo, a ação de terceiros, as decisões superiores e o reconhecimento alheio do meu esforço são coisas que me ultrapassam; logo que não posso controlar.

É este o meu segredo para gerir o burnout: consciencializar e aceitar, sem desresponsabilizar, que há coisas que não dependem de mim, por mais que faça nesse sentido. 
Espero que esta minha partilha ajude, de um modo ou de outro, alguma alma desasossegada que esteja a sofrer deste mal tão revelador de uma cultura laboral ciosa de tantas coisas, mas ainda demasiado negligente no que toca ao bem-estar emocional dos seus trabalhadores.

É neste sentido que, em nome da nossa própria sanidade, é cada vez mais imperativo que aprendamos a abrandar o ritmo e a desligar do trabalho.

Fica bem e até breve!

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Viva!

Muy grata pelo esplêndido fim de semana com que Dom Pedro nos agraciou, de tez bronzeada e alma revigorada retomo o contacto contigo. Não penses que venho de mãos a abanar, é que não mesmo. Comigo trago uma crónica sobre a validação – mais uma – da solteirice por parte da ciência. Como se preciso fosse…

Já algumas vezes aqui abordei as vantagens em ser solteira (se não o fizesse, este blog nem sentido faria, certo?). Umas vezes fundamentei com base na minha própria experiência, outras no senso comum e, na sua grande maioria, em estudos empíricos. Desta vez, volto a recorrer à ciência, mais concretamente ao académico Paul Dolan, para quem o casamento só é (comprovadamente) benéfico para os homens. Já no nosso caso, a coisa não é bem assim; pelo contrário.

Um estudo apresentado há um par de dias no festival Hay, e que faz parte do livro Happy Ever After, citado pelo The Guardian, garante que as mulheres da minha laia (leia-se solteiras e sem descendentes) são o subgrupo mais feliz da população. Como se isso não bastasse, o estudo refere ainda que é mais provável que nós vivamos mais do que aquelas que casam e procriam.


Estas alegações do docente de ciência comportamental na London School of Economics baseiam-se na convicção de que os marcadores tradicionais para medir o sucesso não estão relacionados com a felicidade – particularmente o casamento e os filhos. "As pessoas casadas são mais felizes do que outros subgrupos da população, mas apenas quando os seus parceiros se encontram na mesma sala. Quando lhes é pedido para saírem, dizem que se sentem miseráveis", afirma Dolan. Ups!

Se dúvidas houvessem sobre a quantidade de emparelhadas infelizes que nos andam a impingir uma falsa imagem da felicidade conjugal, o britânico detonou-as numa única frase. Continuando... Sem meias-palavras, Dolan é perentório quando diz o seguinte: "Se és homem, provavelmente deves casar-te. Se és mulher, não te preocupes com isso".

A razão porque beneficiam eles mais com o matrimónio prende-se com o facto do sexo masculino ficar mais calmo quando se retira do mercado amoroso. "Eles têm menos riscos, ganham mais dinheiro no trabalho e vivem mais. Elas, por outro lado, morrem mais cedo do que aquelas que nunca chegam a casar".


Não obstante essas benesses imputadas ao celibato, o académico às ordens de sua majestade não é alheio ao persistente estigma de que as mulheres apenas são felizes casadas e com filhos. "Vemos uma mulher de 40 anos que nunca teve filhos. 'Meu Deus, é uma vergonha, não é? Talvez um dia venha a conhecer o homem certo e talvez o estado dela mude'. Não. Talvez um dia ela encontre o homem errado. Talvez ela encontre um homem que a torne menos feliz e morra mais cedo", conclui Dolan.

É por estas (e por outras) que estou solteira. Afinal, quem sou eu para contrariar a própria ciência, que garante que mulheres solteiras e sem filhos vivem mais e melhor? Ser solteira torna-se assim uma questão de vida ou morte. Eh eh eh.

Um bom resto de dia para ti, que eu vou é celebrar a minha solteirice com um cocktail bem colorido, que a ocasião assim o exige. Até à próxima!

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Viva!

Um estudo de duas universidades americanas (Delaware e Reed College) apurou que é cada vez maior o número de casais para quem ver séries televisivas começou a ser a melhor forma de passar momentos a dois. O fenómeno tem assumido tal proporção que preferem estar horas a assistir a vários episódios seguidos do que a fazer sexo. Mais valia ter intitulado esta crónica de Como a Netflix está a matar a vida sexual dos casais.

A pesquisa, citada pelo Delas.pt, contou com dados de quase quatro milhões de indivíduos, de 80 países dos cinco continentes, e permitiu concluir algo que não é propriamente novo: que as séries televisivas estão a matar a vida sexual dos casais. Abro aqui um parêntesis para dizer que já faltou mais para o combate à baixa natalidade passar pela regulação do tempo de acesso aos conteúdos audiovisuais.


Apesar de Portugal não constar da lista dos países analisados, dados da ERC obtidos no estudo As Novas Dinâmicas do Consumo Audiovisual em Portugal 2016 indicam que 99% da população portuguesa via televisão regularmente e deixar de o fazer seria impensável para 65,5%.

De modo a não comprometeres a tua vida sexual (caso a tenhas), que tal aceitares este desafio de 30 dias de sexo:
Dia 1 – Sexo convencional
Dia 2 – Sexo numa nova posição
Dia 3 – Rapidinha
Dia 4 – Sexo na cozinha
Dia 5 – Sexo sem se despir
Dia 6 – Sexo na marquise
Dia 7 – Sexo convencional
Dia 8 – Sexo num local público
Dia 9 – Sexo numa nova posição
Dia 10 – Rapidinha
Dia 11 – Sexo na banheira
Dia 12 – Sexo convencional
Dia 13 – Sexo contigo vestida para matar
Dia 14 – Sexo depois de uma boa massagem
Dia 15 – Sexo silencioso
Dia 16 – Sexo com o parceiro amarrado
Dia 17 – Sexo contigo amarrada
Dia 18 – Sexo numa nova posição
Dia 19 – Sexo convencional
Dia 20 – Sexo contigo vestida de forma sexy
Dia 21 – Sexo com o parceiro vendado
Dia 22 – Sexo contigo vendada
Dia 23 – Rapidinha
Dia 24 – Sexo na banheira
Dia 25 – Sexo só com preliminares
Dia 26 – Sexo assumindo um personagem
Dia 27 – Sexo convencional 
Dia 28 – Sexo numa nova posição
Dia 29 – Sexo em qualquer lado menos no quarto
Dia 30 – Sexo na posição preferida

Solteiros meus de cada crónica, se é vosso desejo conquistar/manter uma vida sexual ativa e prazerosa, queiram fazer-se o favor de adicionar este post aos favoritos. Caso contrário, continuem agarrados à televisão, ao smartphone e ao tablet, dispositivos eletrónicos em vias de virem a ser "o verdadeiro assassino da vida sexual" dos cidadãos. Quem avisa amigo é.

Até à próxima!

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Viva!

Como bem sabes, um dos meus maiores dramas nos últimos tempos é a maldita acne. Apesar de tê-la à perna desde a puberdade, nos últimos anos, fruto de uma conjunção de fatores como alteração hormonal, stress, abstinência sexual, e a consequente não toma da pílula, e pouco contacto com a água de mar, o problema foi-se agravando, ao ponto de, no início do ano, a situação ter atingido uma gravidade sem precedentes.

Tardei em recorrer ao dermatologista, reconheço. Ingenuidade ter acreditado que poderia resolver a coisa com cremes e tratamentos caseiros. Só com a entrada em cena de um profissional consegui por um travão na degração galopante da minha pele. Volvidos dois meses, as melhorias são significativas; batalha a batalha, a vitória parece garantida. 

Elevado é o preço a pagar (não o é sempre?). Cada vez que penso no quanto o meu pobre fígado será intoxicado ao longo de 9 meses de posologia oral, quase que me apetece jogar a toalha ao chão. Aí lembro que pele bonita é condição sine qua à minha autoestima e a vontade passa.

Do que me tem chegado ao conhecimento, é cada vez maior o número de mulheres a partilharem do mesmo drama. De acordo com Menezes Brandão, o especialista que me tem acompanhado, atualmente, 40% das mulheres entre os 25 e os 40 anos têm acne, um número que tem vindo a crescer desde os anos 80. Em alguns casos, a acne adolescente simplesmente continua e mantém-se na idade adulta, enquanto noutros as mulheres começam a ter borbulhas pela primeira vez aos 25 ou 30 anos, por vezes mesmo após a menopausa.

Várias são as causas por detrás desta realidade: fatores hormonais e ambientais como o stress, o tabaco, a poluição, o estilo de vida, a radiação UV e os cuidados inadequados. A acne na idade adulta tem uma manifestação clínica um pouco distinta da que surge na adolescência, e também tem uma resposta diferente ao tratamento.

A acne é uma doença e, como tal, trata-se. Para a dermatologista Marisa André, "já não se justifica aquela velha máxima de que a acne é uma coisa que passa com a idade. Porque até pode passar, mas à custa de cicatrizes que podem ser mais difíceis de tratar depois, e à custa de muito sofrimento, o que não faz sentido."

"A acne tardia, por ser mais inesperada, pode ser muito traumatizante. Uma borbulha que se aceitava aos 15 anos, aos 30 é vivida como uma espécie de traição da pele e pode afetar muito a autoestima. Na maioria dos casos, não é condição resolúvel apenas com cremes, requer tratamentos tópicos associados a isotretinoína oral,” acrescenta a médica.

Independentemente da origem das borbulhas, há alguns gestos que fazem toda a diferença na hora de manter a pele bonita e saudável. Eis alguns deles:
• Usar apenas produtos adequados ao tipo e condição da pele, de preferência oil free e não comedogénicos.
• Limpar o rosto de manhã e à noite com um produto suave, que deixe a pele limpa mas não a repuxar.
• Lavar as mãos antes de aplicar os cremes e a maquilhagem.
• Aplicar a maquilhagem com os dedos (limpos). Se se optar por pincéis e esponjas, lavá-los diariamente.
• Evitar tocar no rosto com as mãos: os dedos transportam uma infinidade de bactérias.
• Não espremer nada, para não inflamar ainda mais a lesão, o que deixa cicatriz.
• Não apanhar sol sem protetor solar oil-free.
• Não correr para o médico à primeira borbulha, mas também não esperar até à última.

Single mine, se és daquelas mulheres que não fazem a mínima ideia do que estou para aqui a falar, nem sabes a sorte que tens. Por outro lado, se pertenceres à turmina das portadoras de pele oleosa com tendência acneíca fica a saber que há esperança e que ela passa justamente pelos conselhos que referi há pouco.

Deixo-te com aquele abraço amigo e votos de um glorioso fim de semana!

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