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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Ora viva!

 

É com alguma surpresa que fico a saber, pelos relatórios estatísticos, que o post mais lido nos últimos tempos é Queres um amor de segunda? Vai ao Second Love!, um dos primeiros artigos deste blog. Como gosto de agradar, eis-me aqui a encetar a terceira edição do referido artigo, com uma nova roupagem.

 

"Ser solteira tem destas possibilidades, ou seja, deixa-nos mais à vontade para tentar o engate digital, já que com o avançar da idade os engates reais, os da vida quotidiana, tornam-se uma tarefa cada vez mais árdua e inglória.

 

A minha irmã (do meio) há muito que me incentivava a tentar a sorte no cibermundo. Por ter sido sempre bem sucedida neste tipo de empreitada, pretendentes nunca lhe faltaram. Às vezes, até chegava a sair com dois ao mesmo tempo (cada um de uma cidade diferente, não vá o azar fazer das suas), já que para ela "um é companheiro de nenhum!"

 

À enésima desilusão amorosa resolvi deixar de lado o velho preconceito de que quem procura companhia na rede, ou é pervertido, encalhado, esteticamente prejudicado e por aí fora, e toca a efetivar o registo num dos mais badalados sites de encontros.

 

É neste contexto que, num belo dia de janeiro (lembro-me bem) vejo na minha inbox um anúncio do Second Love. Sem atentar ao real significado do nome, na ânsia de me aventurar no engate virtual, ao mesmo tempo que tentava fintar a desconfiança e a prudência, toca a preencher os campos, tornado assim real a minha entrada neste mundo clandestino, oculto e incerto.

 

Quando dei por mim, já era membro (honorário) de um dos mais conceituados sites de online dating, a meu ver, um provedor por excelência de contatos amorosos de segunda linha, como gosto de chamar.

 

Escusado será dizer que quando me apercebi de que era uma séria candidata a tornar-me a mistress de alguém "amarrado" –  por livre e espontânea vontade, convém ressalvar –, mas inconformado em degustar durante dias, semanas, meses e anos o mesmo prato, os meus alicerces morais foram abalados.

 

Foi assim que perdi a minha virgindade amorosa online e as aventuras e desventuras dessa parte até aqui, perfazem mais de quatro anos, vou contando aos poucos, pois são tantos episódios que nem o Atlas conseguia absorver tudo de uma vez só."

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Ora viva!

 

A crónica de hoje mais não é do que a partilha do testemunho da jornalista Raquel Costa, sobre um assunto freguês deste blog: relações amorosas versus sites/aplicações de encontros. Acerca disso, escreve ela o seguinte:

 

"Sou uma frequentadora assídua de aplicações que promovem o conhecimento de pessoas com os mesmos interesses amorosos, vulgo apps de engate (desculpa, mãe, é verdade).


Para os menos versados nesta matéria, aplicações para telemóvel como o Tinder e o Happn funcionam desta maneira: aparecem no ecrã homens (ou mulheres, consoante os gostos de cada um) que estão nas imediações da zona onde nos encontramos. O nome, a idade, uma breve biografia (opcional) e uma quantidade variável de fotografias permite-nos fazer "sim" ou "não" no potencial candidato. Ao fazer "não", o indivíduo desaparece para todo o sempre do nosso alcance (cuidado com os dedos de manteiga!). Ao fazer "sim", inicia-se uma espera que pode demorar um segundo...ou para sempre.

É a espera pelo "match". O "match" significa que a outra pessoa também nos fez "sim" e que, a partir daí, já é possível estabelecer um diálogo.

Depois...começa o jogo.

A maioria das pessoas que está no Tinder procura companhia. Uns dizem que procuram sexo, outros um vago "conhecer pessoas". Mas a realidade é mais simples. Companhia, seja forma de uma relação física fugaz, de um café, de uma conversa.

Estou, de forma intermitente, nestas aplicações, há dois anos. Já contactei com todo o espectro de seres do sexo masculino: os casados e felizes, os casados e infelizes, os que estão em processo de separação (de fugir!), os solteirões inveterados. Os traumatizados, os descompensados, os que perderam qualquer réstia de sanidade e criam identidades falsas e vidas imaginárias. E, claro, pessoas normais.

O que temos em comum, homens e mulheres? Estamos sós. Estamos sós num mundo cheio de gente, sós em vidas cada vez mais preenchidas, com inúmeras solicitações profissionais, sociais, com tempo para tudo menos para o que é mais importante: a tarefa árdua, extenuante, nem sempre agradável de conhecer outra pessoa. Criar intimidade é um processo demorado, os intervalos do romance são tudo menos um mar de rosas e as apps de engate não nos dizem que a pessoa que está do outro lado também arrota, solta gases e tem mau acordar.

Este é o lado pessimista da situação.

O lado otimista e maravilhoso de ser solteiro/divorciado/disponível em 2017, na era das apps de engate, é este: temos a liberdade de escolher. Sabemos mais, esperamos mais. Queremos verdadeiramente ser felizes, embora nem sempre saibamos como lá chegar.

Se isso justifica continuar no Tinder? Justifica, pois!"

 

Não obstante ter já dedicado uns quantos posts a esta temática, é sempre bom inteirar-nos da perspetiva alheia sobre o mesmo assunto. E este, devemos reconhecer, traduz-se num relato bem conseguido do que se passa no mundo das relações virtuais.

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Ora viva!

 

Hoje foi dia de meditação, pelo que só agora me é possível dar um saltinho até aqui para te dar aquele olá de alegria e deixar-te com um artigo novo, hoje dedicado à vida amorosa virtual dos portugueses.

 

Resultados de um estudo pioneiro sobre o romance online, baseado nos mais de 20.000 utilizadores portugueses registados no site Felizes.pt e nos 5 milhões de mensagens enviadas em 2016, revelam que, na esmagadora maioria das conversas (80%), é o homem quem toma a iniciativa de meter conversa. Esses mesmos dados atestam que se essa primeira mensagem for mais longa ou personalizada, o emissor vê as suas hipóteses de resposta aumentarem 22%, sendo as minas do norte as mais responsivas.

 

O facto de apenas 58% das mulheres associarem uma fotografia ao seu perfil, enquanto que 68% dos homens o fazem, é caso para dizer que elas ainda não se sentem muito à vontade para dar a cara, pelo menos num primeiro momento. Em contrapartida, capricham mais na descrição de perfil, bem mais completa que os deles.

 

Fazendo jus à classe que representam, os utilizadores do sexo masculino poucas informações partilham no perfil, compensando as pretendentes com fotos e mais fotos, que quase sempre metem ao barulho:
- cães e/ou gatos (um dia ainda hei de perceber o significado disso),
- motos ou carros (essa dispensa explicação),
- tronco nu (fico sempre na dúvida se a intenção é exibir os bíceps, tríceps e abdominais arduamente conquistados num ginásio perto do seu gueto ou exibir a depilação a laser feita pela Gracinda, que além de cabeleireira, manicura e pedicura, ainda se safa na depilação a laser díodo),
- paródia com amigos (recuso-me a compreender a leveza de espírito com que certas pessoas expõem terceiros, meros incautos que não devem fazer a mínima ideia que as suas carinhas larocas andam à mercê de quem queira prestar-lhes alguma atenção),
- destino de viagem (de preferência bem exótico, só para mostrar que é um aventureiro com posses e deixar o resto da malta roxa de inveja),
- prática de um desporto bem radical (só para sabermos que é um aventureiro, cheio de adrenalina para dar e f*****),
- clube de futebol do seu coração (assim mata logo dois coelhos de uma cajadada só: é membro do rebanho x, y ou z e nos dias em que joga a sua equipa, com ele não se deve contar),
- e faits-divers (filho/sobrinho, família, uma gaja qualquer pendurada pelo braço, piscina, ginásio, closet do carro, vista panorâmica emoldurada pela magia do ocaso…).

 

Dissecar o comportamento dos labregos virtuais é coisa para horas, senão dias, pelo que mais vale rematar o assunto dizendo que a média de idades dos romeus e julietas da rede é 37.5 anos e que os distritos com mais utilizadores por habitante são Lisboa, Setúbal e Porto, por esta ordem de importância. A pesquisa a que tive acesso esta manhã revela ainda uma ou outra informação digna de ser partilhada, mas sobre isso falarei noutra ocasião, que o texto já vai longo e a noite adiantada.

 

Doces sonhos, meu bem, e nada de ficar namorando até tarde na rede. Prometes?

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