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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

06
Jul17

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Ora viva!

 

Talvez porque eles andam aí aos magotes, porque nos cercam por todos ou porque a nossa sanidade é um bem precioso, hoje quero falar-te de certas criaturas que deambulam pelas redes sociais, mas que pouco ou nada contribuem para o nosso bem estar psíquico e emocional.

 

Pessoas tóxicas há em toda a parte, é facto. Se por vezes é difícil fintá-las na vida real, o virtual oferece-nos uma margem de manobra bem maior quando se trata de aturar quem não nos faz bem; aqueles que com as suas manias, "bocas" ou dramas devemos manter à distância de um 'unlike'.

 

A propósito do dia mundial das redes sociais, assinalado no passado dia 30 de junho, este assunto veio à baila pelos carateres do Huffington Post, que listou alguns perfis, aos quais tomei a liberdade de acrescentar outros tantos, de amigos virtuais que devem ser banidos da nossa vida online, pelas razões acima mencionadas.

 

Porque não mereces levar com conteúdos tóxicos, potenciadores de algum tipo de desconforto, fica a conhecer melhor o tipo de pessoa por detrás de publicações assim:

 

O politiqueiro
Opiniões políticas todos temos, pelo que não há nada de errado em partilhá-las com os nossos. Agora levar com aquele amigo que metralha constantemente o nosso feed com politiquices, que tem sempre um comentário anti governo para tudo (tal qual líder da oposição), ninguém merece. E tu, menos ainda. A solução? ‘Desamigá-lo’ ou deixar de seguir as suas publicações.

 

O pessimista
Dias maus e momentos de tristeza fazem parte da vida, mas não é chorando as mágoas na rede que elas se vão resolver. É deveras estressante, de cada vez que se acede ao mural, dar de cara com frases deprimentes, imagens negativas ou emojis choramingas. Amigos assim não valem a pena fazerem parte da nossa vida, até porque está provado que tristeza e stress são emoções altamente contagiosas. 

 

O ex-quelque chose
Cuscar a vida do ex, seja ele teu ou de alguém que te é próximo, além de uma grande perda de tempo, representa um enorme desgaste emocional. Por maior que seja a curiosidade, de pouco te vale estar a par da vida de quem optou por deixar o teu convívio. Portanto, para teu próprio bem, o melhor mesmo é eliminar essa pessoa e seguires em frente com a tua vida.

 

O perfeito
É altamente frustrante seguir aquele amigo que parece ser a personificação da felicidade: férias de sonhos, beleza estonteante, roupas trendy, namorado gostoso, relação amorosa perfeita, amigos giros, ótimo emprego e por aí adiante. Passo muito bem sem eles, pois não preciso que me lembrem o quanto a vida pode ser mãe para uns e madrasta para outros.

 

O carente
É aquele tipo de amigo que faz tudo para chamar a atenção, cujo propósito primeiro e último é despertar compaixão alheia. Publicações como "O pior dia da minha vida…", "A sentir-se triste…" ou "Porque me acontece isso se eu não faço mal a ninguém..." são frequentes no seu mural. Haja paciência! Agora diz-me lá se há lugar para alguém assim na tua vida online.

 

O caça-likes
É o Indiana Jones da rede, que se mete nas mais variadas acrobacias para conseguir um 'Gosto' nas suas publicações. São incapazes de dar um peido (não sou o Salvador, mas também tenho direito ao meu momento P) sem que dar conhecimento à rede. Este tipo de amigo cansa-me, pelo que não penso duas vezes na hora de ocultar as suas notificações.

 

O humanitário
Outra espécie que não faz falta no meu grupo de amigos. Abraçar boas causas, através da partilha de conteúdos humanitários, é algo louvável e que nos mostra que ainda há quem se importe com os outros e queira fazer deste mundo um lugar melhor. Mas passar a vida a partilhar conteúdos sobre catástrofes humanitárias, injustiças sociais, pessoas desaparecidas, animais abandonados, doentes terminais ou correntes de solidariedade já é demais. Não preciso que me estejam a lembrar o tempo todo das desgraças alheias, que para isso basta-me ver tv, ler o CM ou ouvir as trumpshits.

 

O maldoso
Essa espécie tem sempre um reparo a fazer em relação a publicações alheias, que faz tudo para desvalorizar tudo e todos. Para ele nenhuma publicação, foto, música ou vídeo é merecedor de um elogio na íntegra. Se comentários como "Bela foto, pena que…", "Já lá estive, mas não achei grande coisa…" ou "Prefiro a versão b…" te soam a familiar, não te acanhes e espeta-lhe com um cartão vermelho. A tua autoestima há-de agradecer-te, garanto.

 

Depois do que acabaste de ler, talvez seja hora de fazeres uma autoanálise a fim de confirmares se o teu perfil não se enquadra em nenhuma destas descrições. Nunca se sabe…

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Ora viva!

 

Apanhei de tal modo o gosto a essa coisa de escrever out of the house que a crónica de hoje saiu limpinha da lavandaria. Não é dos sítios mais inspiradores, é certo, mas com a chuva a cair mansinha lá fora, o barulho das máquinas de lavar e secar, o wi-fi gratuito e pouco mais a fazer para ocupar o tempo, a vontade de escrever flui que é uma maravilha.

 

Nesta novela da vida real, o papel de antagonista é irmamente repartido entre o tablet, que decididamente não foi pensado para quem gosta de parir conteúdos com mais de 100 caracteres, e a versão android do sapo blog, uma granda m* que, ao invés de facilitar, só complica.

 

Dado que de nada adianta teimar com a tecnologia, já que ela quase sempre leva a melhor, só me resta fazer uma apropriação lícita de alguns excertos de um artigo publicado este sábado no Expresso, que fala justamente sobre como a tecnologia matou o amor. Penso que vais gostar do que aí vem.

 

"Muito por culpa das redes sociais, nunca tivemos tantas oportunidades para sermos felizes: aquela mulher que sempre admirámos está à distância de uma mensagem no Facebook, o amor pode nascer de um 'match' no Tinder, o engate invadiu até o Linkedin, uma rede de contactos profissionais... As possibilidades multiplicaram-se como nunca e, contudo, basta falar com pessoas solteiras para perceber que não ficou mais fácil encontrar quem se procura.

 

Perante tanta abundância de escolhas, bloqueamos. Tornámo-nos mais exigentes, mais indecisos, mais frustrados, sempre à procura de algo melhor. E também mais impacientes: despachamos alguém mal surge o primeiro grão na engrenagem, com a mesma facilidade com que fechamos uma janela no Facebook e abrimos outra. “Olá, o que fazes esta noite?” Alguns, mais audazes, talvez vistam a pele do Henry Chinaski das 'Mulheres' de Bukowski: "Bora foder?"

 

O psicólogo Barry Schwartz chamou-lhe "o paradoxo da eleição": essa liberdade de escolha não nos faz mais livres ou mais felizes, antes aumenta a nossa insatisfação. Sempre ávidos de encontrar algo melhor, tornamo-nos peritos na incapacidade de assumir as nossas decisões. De dar passos em frente. De arriscar. Quase precisamos de uma folha Excel para nos lembrarmos dos dados de todas as pessoas que conhecemos no Tinder ou no Facebook, mas raras vezes procuramos conhecer verdadeiramente alguém.

 

Este paradoxo não é apenas no amor. Como explicar que, numa era em que o sexo é tão acessível como um hambúrguer do McDonald's, os jovens adultos o pratiquem menos do que as gerações que os antecederam, como apontam vários estudos? Andamos tão entretidos a acumular 'matches' no Tinder, ou a saltar de janela em janela no Facebook, ou a trocar fotos e vídeos com bolinha vermelha no WhatsApp, que nos esquecemos que há um mundo lá fora. Temos tantas oportunidades para sermos felizes, por uma noite ou por uma vida, e boicotamo-nos."

 

Este artigo espelha ipsis verbis a vida amorosa da esmagadora maioria dos desemparelhados com os quais convivo ou tenho contacto, incluindo a minha pessoa. É mesmo triste que, perante tantas ofertas, tantas facilidades, tantas opções, continuemos a deambular pelas estradas da solteirice, abarrotados de predicados, mas de coração esvaziado.

 

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Lembras-te deste vídeo que publiquei há uns mesitos? Se sim, hoje voltas a levar com ele, pois a busca por um emprego ando num frenesim que não me permite fazer um break para parir um post original. Se não, esta é uma boa ocasião para te inteirares da dinâmica das redes sociais em locais com pequenos aglomerados de pessoas.

 

Na humilde e pequena aldeia italiana de Civitacampomarano, com pouco mais de 400 habitantes, a rede móvel e a internet são realidades ainda muito longínquas porque as ligações nem sequer existem. Ainda assim, toda a gente tem acesso ao Facebook, WeTransfer, Whastapp, Tinder, E-bay, Gmail, Twitter e companhia.

 

Graças ao artista Fra Biancoshock, toda a população sabe o que acontece por ali e pode comunicar livremente, mas de uma forma bem diferente daquela a que estamos habituados. Aqui, o Facebook é literalmente um mural com as mais recentes atualizações, o Gmail funciona tal e qual como os correios convencionais e o WeTransfer faz realmente jus ao nome.

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À vontade ou incomodada com a questão, a verdade é que o online é cada vez mais uma opção para quem quer arranjar-se em matéria de coração. Seja para uma noite, um fim de semana, ou algo mais duradouro, esta é uma forma prática, conviniente e imediata de conhecer pessoas novas e explorar novas alternativas de relacionamento.

 

Já aqui tinha abordado esta questão, tendo inclusive assumido que sou utilizadora ativa de sites e apps de encontros online. Apesar de nunca ter dado em nada – ainda solteira – continuo a achar que esta pode ser (mais) uma ferramenta para se tentar a sorte: arranjar companhia, aliviar-se quando bate aquela carência ou, quem sabe, encontrar um novo amor.

 

Para o caso de te interessar, estas são algumas aplicações que podem revelar-se uma (agradável) surpresa. Já houve amigas que não passaram do primeiro dia, outras da primeira semana e ainda aquelas, como eu, que resistem, persistem e insistem, mais não seja para recolher material de pesquisa para um blog.

 

Tinder

A crème de la crème, já que, em apenas quatro anos, tornou-se uma das aplicações de encontros mais populares do mundo com milhões e milhões de acessos por dia. Aos utilizadores, essencialmente na casa dos 20-30 anos, é apresentada uma fotografia do potencial candidato, sendo-lhes dada a opção de deslizar para a esquerda para recusar ou para a direita para aceitar. Gratuito, funcional, divertido e rápido, esta app instala-se num instante, bastando fazer login com o perfil do Facebook ou Instagram.

 

Bumble

O Bumble é a primeira aplicação de encontros para mulheres, o que significa que temos de ser nós a chegar-se à frente, ou seja, a enviar a primeira mensagem. É maioritariamente composto por profissionais ativas na faixa 25-30 anos. Não conheço esta app, mas ouvi falar muito bem dela. Por não ter um grande número de utilizadores, rapidamente se esgotem as opções de candidatos elegíveis.

 

Happn

O Happn baseia-se essencialmente na localização, ou seja, mostra uma lista de potenciais parceiros com os quais se cruzou na rua, permitindo assim verificar quem vive ou trabalha perto de nós. Já a usei e não achei grande coisa. Embora os seus utilizadores sejam predominantemente indivíduos nos seus 20 anos, raramente enviam mensagens quando há match (o termo virtual para click). Sem falar que a maioria dos gajos deixam os perfis em branco, o que nos deixa com pouco critérios de procura e seleção.

 

OkCupid

No OkCupid os potenciais pares utilizam uma série de perguntas destinadas a revelar certos aspetos da sua personalidade, para, a seguir, as respostas serem convertidas em percentagem - quanto maior for a percentagem em relação a alguém, teoricamente, mais hipóteses de serem compatíveis. Ainda não tenho muito para opinar, já que acabei de instalar esta app. Ainda assim, dá-me a sensação que o pessoal daqui, maioritariamente profissionais nos seus 20-30 anos, parece mais na onda de relacionamento do que engates (como no Tinder, por exemplo). À primeira vista parece-me interessante, já que não é tão restrita à localização, o que permite explorar pretendentes além-fronteiras. Também tem a opção de filtrar por etnia, idade e determinadas palavras-chave. Ou seja, à vontade do freguês.

 

Skout

Esta é uma interface um tanto ou quanto confusa, já que mete tudo ao molho e fé em Deus. A pessoa gosta do teu perfil e envia-te um pedido de chat, que só aceita se quiseres. Apesar de poderes definir o âmbito geográfico da tua procura, pessoas do mundo inteiro podem contactar-te. Entre todas as outras esta é a mais rasca. Com isso quero dizer que não abundam muitos gajos atraentes e menos ainda qualificados. Em várias semanas nunca conheci ninguém que me tivesse cativado ao ponto de sequer trocar outro meio alternativo de contacto.

 

Antes de me despedir, deixo-te com algumas dicas sobre como criar um bom perfil nas redes de encontros online: uma fotografia de perfil que mostre a tua cara, mas sem revelar tudo (sugiro esbatida, a P&B, com máscara ou na penumbra); uma foto de corpo inteiro, mas sem ser atrevida (a não ser que queiras começar a receber propostas para sexo explícito ou fotos de gajos em pelo); poucas mas boas fotos (três ou quatro são suficientes para se ficar com uma ideia de quem está por detrás do perfil); fotos com outras pessoas está fora de questão e cortadas também (dão a ideia de que não queres dar a cara por inteiro); quanto mais informações sobre a tua profissão e qualificações académicas mais possibilidade terás de ser encarada como mulher e não como “despeja-colhões”; a descrição de perfil é o fator crítico do sucesso: em não mais do que três frases, tenta descrever quem és, o que procuras e o que tens para dar. Este por exemplo é uma das minhas descrições mais populares: "Mulher gira, culta, inteligente e divertida, que gosta de ser e estar feliz, procura quem acrescente valor à sua vida. Queres fazer-me companhia?"

 

 

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Epa, esta tenho que partilhar contigo. Na humilde e pequena aldeia italiana de Civitacampomarano, com pouco mais de 400 habitantes, a rede móvel e a internet são realidades ainda muito longínquas porque as ligações nem sequer existem. Ainda assim, toda a gente tem acesso ao Facebook, WeTransfer, Whastapp, Tinder, E-bay, Gmail, Twitter e companhia.

 

Graças ao artista Fra Biancoshock, toda a população sabe o que acontece por ali e pode comunicar livremente, mas de uma forma bem diferente daquela a que estamos habituados. Aqui, o Facebook é literalmente um mural com as mais recentes atualizações, o Gmail funciona tal e qual como os correios convencionais e o WeTransfer faz realmente jus ao nome.

 

Sem dúvida um projeto inovador que merece ser apreciado, louvado e partilhado. Ainda há quem tenha ideias verdadeiramente fantásticas, não há? Olha só este vídeo fabuloso sobre o (melhor) uso a dar às redes sociais.

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Gente amiga e bonita, este blog já chegou ao facebook, através da página Ainda Solteira. Fica assim cumprida uma das resoluções para o ano que agora começou, para gaúdo de vários seguidores que há já algum tempo que alegam que a acessibilidade, a interatividade, a partilha e a mediatização deste (nosso) espaço será maior.

 

Concordas? Se sim, passa lá, deixa um "Gosto" e recomenda aos teus amigos. Deal?

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21
Dez15

Sofres de FOMO?

por LegoLuna

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Já ouviste falar em FOMO? Até uns tempos atrás, eu também não! A primeira vez que tomei conhecimento deste conceito foi no meu mestrado, numa aula sobre o papel dos dispositivos móveis e das redes sociais nos novos comportamentos do consumidor.

 

FOMO ou "Fear Of Missing Out", em inglês, (medo de estar a perder algo) é uma nova tendência/conceito social que as sociedades atuais estão a vivenciar e que faz com que se fique online 24h por dia, na esperança de não se perder informações importantes ou de se correr o risco de outras pessoas estarem a fazer algo mais interessante que nós.

 

As pesquisas que têm sido feitas neste sentido mostram que o FOMO é mais observado entre adolescentes e jovens adultos, uma vez que têm as tecnologias sempre presentes no seu dia-a-dia, mantendo-se atentos a atualizações de informações, especialmente através das redes sociais, mas não é algo que se restringe apenas a eles. O que é um facto é que se não tiverem a possibilidade de o fazer, sentem "um vazio" e uma sensação de ansiedade.

 

Quem é que nunca se deu conta, numa ida ao cinema, durante um almoço, jantar ou encontro de amigos, que apesar de estarem todos juntos ninguém larga os telemóveis? Quando damos conta, em vez de falarmos uns com os outros, convivermos e tirarmos partido dos momentos e do que “acontece aqui e agora” estamos atentos a um mundo paralelo em que importam mais os likes, os comentários e as partilhas. Estar rodeado de gente e sentir necessidade de estar online para perceber quem fez ou está a fazer mais coisas interessantes. As redes sociais transformaram-se num verdadeiro "termómetro social fora da sociedade".

 

A propósito disso, desafio-te a responder a este pequeno quizz sobre a dependência em relação ao telemóvel:

1. Sempre que estás sozinha tens o telemóvel na mão?
2. Ficas nervosa quando a bateria está abaixo dos 20%?
3. Preferias perder a tua carteira ao teu telefone?
4. Acordas durante a noite e a primeira coisa que agarras é o telemóvel?
5. A primeira coisa que fazes quando acordas é ir ao Facebook ou Instagram?
6. Nunca tens espaço suficiente na memória do telefone?
7. Mesmo que não tenhas notificações vês o teu telefone de 20 em 20 minutos?
8. Se os teus amigos organizarem um jantar sem telemóveis serias capaz de comparecer?
9. Andas com o telemóvel para todo o lado?
10. Ficas em pânico quando não encontras o teu telemóvel?

 

É, meu bem, os resultados podem surpeender, assustar até. Comigo, pelo menos, foi o que aconteceu. Bora combater o FOMO e dar mais atenção à vida real e àqueles que estão ao alcance de um passo e não de um clique?

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18
Nov15

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À luz da rubrica 'Crónicas de uma Desempregada', o post de hoje tem a ver com a minha área profissional, o marketing digital. Apesar de licenciada em comunicação empresarial, nos últimos tenho estado a exercer essencialmente funções de gestora de social media. Primeiro ao serviço de uma missão diplomática e depois ao serviço de uma apresentadora de televisão da SIC.

 

Como deves imaginar, estórias é o que não faltam àqueles que labutam neste meio. Hoje partilho uma delas, que, na minha opinião, deve ser referenciada como estudo de caso, quando se abordar estratégias de respostas bem conseguidas a uma crítica destrutiva nas redes sociais.

 

O texto que se segue, da autoria do site Dinheiro Vivo, é digno de ser partilhado entre nós marketeers e gestores de conteúdos, mas também contigo, já que, em última instância, acabamos todos por sermos consumidores, logo clientes de alguma Empadaria do Chefe da vida. 

 

Por altura da abertura de uma nova loja da Empadaria do Chefe no norte, uma cliente, de nome Bárbara Taborda, teceu publicamente no facebook este comentário:

"Bom dia, a minha experiência ontem na Empadaria do Chefe no Norteshopping foi simplesmente pavorosa. Depois de um atendimento terrível, onde as colaboradoras denotam uma falta de tato e conhecimento que é de bradar aos céus, eis que chega o meu menu. Escolhi o menu de sopa + empada + bebida. O creme de cenoura que me foi servido, estava horrível. Para além de frio, o creme – que de creme nada tinha… – sabia a água com cenoura. Sabor= ZERO!!! De longe a pior sopa que comi na vida. Decidi dar uma hipótese ao resto, a tão falada empada.. Escolhi a de Galinha Tradicional, que deveria ser, como o nome indica, algo que nos remete para a cozinha da nossa avó: quentinha, saborosa e que nos aconchega o estômago e a alma. O servido? Uma empada trivial, pouco saborosa e demasiado cara. Fiquei muito desiludida. O conceito prometia, o “selo” do chef prometia e o resultado foi muito negativo. A não voltar!"

 

Dias depois, a gerência responde à dita senhora (a quem os mais chegados devem tratar por Baby, aposto!) nestes termos:

"Cara Bárbara Taborda,
Em resposta ao seu comentário nesta página deixe-me primeiro, em nome de todos os que trabalham na Empadaria do Chef, pedir-lhe desculpa pela má refeição que teve connosco. Passou-se consigo, mas pelo trabalho que estamos a fazer todos os dias, dia e noite nos últimos dois meses, com a introdução de novos produtos que visam melhorar a nossa oferta, não se vai passar com mais ninguém. Ou se por qualquer falha humana, tudo não estiver perfeito (há esta mania das pessoas, mesmo as esforçadas, falharem de vez em quando) cá estaremos para dar a cara, tentar resolver e não deixar partir um cliente insatisfeito. Consigo não tivemos e parece que não vamos ter essa oportunidade.

Temos, sinceramente, pena. Espero que para bem de quem investiu neste negócio e de quem connosco trabalha, que os leitores destes textos me deem mais ouvidos a mim do que si. Tentarei entusiasmá-los para a nossa ementa. Tentarei convence-los de que não somos a porcaria que descreveu.

Temos pena, porque enquanto empresários que fazem a sua vida profissional neste país, esforçamo-nos por criar empresas que façam sentido às pessoas que nos procuram e por lhes oferecer boa comida e um serviço profissional e simpático. Esforçamo-nos também por dar perspetivas de vida e carreira interessantes às pessoas que trabalham connosco.

Se não entregarmos um bom produto não teremos êxito. Se a cada falha que existir, o erro nos for apontado em público, não como um alerta para melhorar, mas como uma sentença definitiva e alertando para uma calamidade pública para que todos se afastem de tão execrável restaurante que se enganou numa receita e pôs água a mais na sopa, não teremos também êxito.

Numa loja que abriu há poucos dias, que estreou uma série de novidades, os erros que não podem acontecer, e que são indesculpáveis, acontecem e mesmo nós, que estamos nesta profissão para atingir os mais altos níveis de rigor, os desculpamos. Sob pena de nos deprimirmos e deixarmos morrer o entusiasmo.

Aproveito para lhe falar de um antigamente, pré-facebook, em que, perante um erro num restaurante, o cliente se dirigia a uma das pessoas (físicas) e lhe comunicava o que estava mal. Essa pessoa poderia desculpar-se ao vivo e tentar uma solução. Trocar o prato, devolver o dinheiro, entregar um convite para uma nova refeição, explicar o que terá acontecido e pedir de novo desculpa. Se assim não o fizessem, isso seria indesculpável. Temos também uns papéis na loja para quem quiser escrever-nos e nós respondemos sempre. Temos um site em que a troca se mantem privada. E há, agora, esta forma de gritar aos sete ventos, à vista de muitos, lançando um alerta à comunidade contra determinado restaurante.

O seu "a não voltar" tem implícito um "a não ir". Porque é que alguém que não pensa em voltar a determinado sítio, o torna público? Porquê fazer com que ninguém venha comer aos nossos restaurantes? O que motiva alguém a escrever algo tão absolutamente destrutivo, por muito que pense nisto, não o consigo perceber.

Nunca o fiz e nunca o farei. Imagine que a Bárbara Taborda comete um erro no seu trabalho e que a forma que o seu chefe escolhe para lhe chamar a atenção é através do sistema de som do Estádio do Dragão no intervalo de um jogo, com a Bárbara no meio do campo. Seria uma novidade. Mas nem todas as novidades são boas. Prefiro o decoro, a gentileza, a amabilidade, a graça com que se faziam as coisas antigamente. Há dois ou três anos atrás.

E agora, escreverei umas linhas sobre o que para nós é muito importante. A nossa comida. As empadas, desenvolvidas pelo Chef José Avillez (aproveito para dizer que da parte dele não há uma única falha, as receitas são todas ótimas e tudo o que acontece de menos bom são questões de implementação que se resolvem e são da nossa responsabilidade) são feitas com uma massa quebrada fina, a maior parte delas e uma com uma massa folhada de 7 voltas, a de vitela, bacon e espinafres e que é servida com um molho de cogumelos, que fazemos todos os dias com cogumelos frescos. Tão frescos como os legumes que salteamos para um dos novos acompanhamentos (temos agora também tomate assado no forno com orégãos e um arroz de tomate malandrinho) e para as nossas sopas. A de cenoura tem como primeiro passo um estufado de alho francês, exatamente para que não fique sem sabor. Havendo um erro na água, lá está, vai-se o sabor. Temos também salgadinhos, croquetes, rissóis, bolinhos de bacalhau (no Sul "pastéis") e, ainda umas empadas de galinha pequenas a pedir messas às da minha avó. Se estão bons, melhores vão ficar. Todos os dias fazemos um pequeno acerto. Porque gosto muito, não poderia deixar de falar na nossa empada de cozido à fatia (leva hortelã, para um leve aroma fresco). A de galinha que comeu é a mais simples, mas permita-me que discorde, uma ótima empada, feita com o caldo onde se cozeu a galinha e bocados pequenos de chouriço como é costume no Alentejo. Temos uma de frango thai, uma de alheira e grelos com ovo estrelado por cima e uma de legumes e requeijão. As bebidas são as do H3, limonada e chás gelados. Temos vinho a copo. E temos a certeza que quem ler isto acreditará que não seremos uns miseráveis destituídos que se lançaram na aventura de servir sopas aguadas como modo de vida.

Se se deixou tentar por algumas destas coisas, diga-me. Tenho todo o gosto de a convidar para almoçar na Empadaria de Chef e maior gosto, ainda, de estar presente. Fisicamente."

Albano Homem de Melo, um dos fundadores e sócio do H3 e da Empadaria do Chef (juntamente com António Cunha Araújo e Miguel van Uden)

PS: Às pessoas que aqui trabalham e que dão o seu melhor (e que nos deixam muito contentes por o seu melhor ser tão bom e tão genuinamente orgulhosos de fazerem parte desta empreitada) e que ficaram profundamente tristes com o que leram, tenho estado a dar-lhes uma palavra de ânimo um a um e pessoalmente.
Estou cheio de trabalho. Peço-lhe que, se for possível, não me arranje mais ocupações. Digo-lhe isto com um franco e acolhedor sorriso. Acredite Bárbara. Se soubesse incluiria, agora, uma daquelas bolas com um sorriso.

 

É por estas e por outras que a área do marketing é o que é. Depois desta, volto à minha odisseia diária da busca por um emprego, agora com ânimo redobrado. Mas antes tiro o chapéu ao Albano, um mestre na arte de dar uma bofetada com luva de pelica. Ou será com empada de galinha?

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19
Out15

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Com o meu ego de baixa, venho aqui em busca do teu ombro amigo e, quiçá, de uma palavra de conforto. Conforme combinado, segunda-feira é dia da rúbrica Goste de si que eu também gostarei, através do qual comprometi-me a abordar tópicos relacionados com as relações (sejam elas de que tipo forem).

 

E nem de propósito, o assunto que quero partilhar contigo hoje é a minha (não) relação com um rapaz lá do ginásio, que não há maneira de me passar cartão, mas por quem suspiro, suspiro e suspiro. A este ritmo ainda abro uma suspiraria.

 

Após três semanas de treino intensivo com o meu couch, regressei esta tarde aos treinos. Este interregno forçado deveu-se a falta de fluxo de caixa, já que esta cena de estar desempregada (e sem qualquer subsídio, diga-se de passagem) tem muito que se contar. Enfim... ultrapassada a questão, eis-me de volta ao Fitness Hut, que é bom, barato e bonito (agora até pareço um chinês a promover um dos seus artigos) e ajuda-me a manter a mente e o corpo sãos.

 

Ao final do dia sabe-me sempre bem lá ir, não só porque o exercício físico é algo do qual já não consigo (nem quero) estar longe por muito tempo, mas também porque é o único momento em que o meu cérebro não pensa em nada. A não ser no tal rapaz lá do ginásio!

 

O fulano, gaiato para vinte e poucos anos (não consigo precisar com exatidão a idade dele, sei apenas que é bem mais novo do que eu), é o tal por quem ando a babar desde janeiro, já lá vão mais de nove meses, tempo esse que, para uma mulher à beira dos 40 anos, é uma vida. O fulano não é bonito, mas é giro. O fulano não é gostoso, mas é apetecível. O fulano não é hot, mas tem pinta. O fulano é trinca-espinhas, mas todo trabalhado na tonificação. O fulano só tem duas mudas de roupa, uma para cada estação: uma calça de fato de treino de algodão que aperta nos tornozelos - no comment - e uns calções para a época mais quente, (ambos da cor cinza), mas tem estilo. O fulano só usa t-shirts promocionais -  aquelas das meias-maratonas, tipografia Santos e afins - e meias até às canelas, mas até isso lhe confere um diferencial. O fulano, até há uns meses atrás, só tinha umas sapatilhas de futsal (pois...), mas agora tem um par de adidas todo trendy. O fulano é daquele tipo que para a meio de um agachamento para ir ao telemóvel ler ou escrever mensagens (um dia ainda hei de descobrir com quem ele tanto troca mensagens). O fulano é tão fininho que dá perfeitamente para usá-lo como régua. O fulano é tão achatado lá atrás que deve ser um descendente direto do Mao Tsé Tung (só espero que o que Deus não lhe deu atrás, lhe tenha dado à frente).

 

Mas apesar de tudo isso, o fulano tem potencial, ah tem sim senhora! Sabes aquele tipo de homem que, apesar de não fazer nada o nosso género, tem aquele je ne sais quoi que nos deixa absolutamente fascinadas? Claro que o facto de ele não me ligar nenhuma contribui (e muito) para a intensidade desse fascínio.

 

Uma vez elencados todos os no match point dele, convém esclarecer o que é que eu vi no dito cujo para estar assim tão embeiçada. Para começar, o gajo não usa acessórios corporais, vulgo brincos, piercings e tatoos (em relação a essas coisas sou muito conservadora). Depila-se apenas nas axilas (pelo menos é o que está visível a olho nu), o que me faz pensar que é uma pessoa que zela pela estética, higiene e bem estar coletivo, mas que não deve ser gay. É muito disciplinado, nunca o vi começar a treinar sem primeiro fazer o aquecimento (coisa rara). É metódico, já que segue à risca o seu plano de treino (seja ele qual for), o que, a meu ver, quer dizer que não vai lá apenas polir o tatami, menos ainda socializar ou galar as damas ou cavalheiros (sei lá eu em que time joga o fulano!). Não passa cartão a ninguém, nem dá confiança para isso. Sempre na dele, fala pouco, treina bastante e "telemova" pra caramba (essa parte é mesmo creepy, admito). E eu que adoro pessoas reservadas, misteriosas e de acesso condicionado, não resisto. Bem, quando ele chega de fato, o meu coração simplesmente para: o homem é a coisa mais linda e elegante do mundo.

 

Ninguém no ginásio me sabe dar informações dele e acredita que já recorri a quase toda a gente: ao gerente, a uma PT, à menina da limpeza, aos amigos, até subornei um gym service para aceder ao ficheiros dos sócios e conseguir-me um contato dele (telefone, e-mail, facebook, o que for). Nada!

 

Até agora a única coisa que consegui descobrir foi o seu primeiro e último nome. Uma vez, por acaso, assim só por acaso, vi-o inserir o código de acesso e fiquei a saber como se chamava ele (que alegria minha nesse dia, uma sexta-feira, lembro-me perfeitamente). Mas é um nome tão comum, tão lusitano, que de pouco me serviu até agora, uma vez que devem existir inúmeros sócios com as mesmas coordenadas notariais. Também não tive sorte nenhuma nas redes sociais e acredita que como gestora de social media dificilmente me escapa algo na rede.

 

Minha nossa! Empolguei-me a descrever o rapaz (é para veres o que ele faz comigo) que o texto já vai bem longo e ainda nem sequer cheguei ao cerne da questão: como fazer com o dito cujo repare em mim e me dê uma oportunidade. Alguma sugestão? Qualquer dica será devidamente apreciada.

 

Por ora é tudo, que esta suspirante aqui está toda moída (pudera! após todos estes dias de inatividade, sem falar que a idade também não ajuda) e este corpito que é meu, mas que não me importava de ceder ao tal rapaz do ginásio, só pede repouso.

 

Xiuuuuuu! Consegues ouvir? É a minha cama a chamar-me. Despeço-me com um até amanhã e prometo que para a semana haverá mais para contar sobre esta minha novela pessoal. O melhor ainda está para vir, acredita no que eu te digo!

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