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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Ora viva!

 

Já que estamos numa onda de felicidade (e não esqueçamos que hoje é sexta-feira), que te parece (re)estabelecermos uma correlação entre esse estado de espírito e a saúde? Sim? Então, bora lá!

 

É do conhecimento geral da Via Láctea (e da comunidade científica) que felicidade traz mesmo saúde. Pessoas mais felizes são menos propensas a desenvolver doenças, sobretudo as de foro crónico e psíquico.

 

Acredito que cada qual tenha o seu próprio segredo da felicidade, mas existem uns quantos que podem ser prescritos a qualquer mortal, independemente da sua idade, sexo, raça, cor da pele, classe social, orientação sexual, eduação, escolaridade e tudo o mais que te lembrares de agregar a esta lista.

 

Um estudo da Weill Cornell Medicine constatou que existem uma série de emoções positivas (16 no total), que, em conjunto, podem contribuir para que tenhamos ainda mais saúde. São elas: entusiasmo, interesse, determinação, euforia, diversão, inspiração, alerta, atividade, força, orgulho, atenção, felicidade, relaxamento, alegria, à vontade e calma.

 

E já que estamos a falar do que nos faz bem, convém dar uma espreitadela ao outro lado da questão, ou seja, outras tantas emoções que não contribuem em nada para a felicidade humana, logo para a saúde, por tabela: estar assustado, ter medo, estar chateado, angústia, tensão, nervosismo, vergonha, culpa, irritação, hostilidade, cansaço, lentidão, sonolência, tristeza, humor em baixo e sonolência.

 

Agora pergunto-te como é que se fintam todas estas emoçõs negativas, que – queiramos ou não – fazem questão de invadir a nossa vida, boicotando assim a nossa felicidade? Essa resposta o estudo não chegou a partilhar com a comunidade laica, mas cá para mim ela só pode estar no reforço da dose das positivas.

 

Bom fim de semana, meu bem, e capricha aí nas emoções positivas que as negativas ainda te podem custar o bem mais precioso que tens – depois da vida, claro! –, a saúde.

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Ora viva!

 

Sem qualquer pudor, assumo que gosto de dinheiro . E digo mais, sou dos que acreditam piamente que ele traz felicidade, e não é pouca. É por isso que toda vez que ouço alguém arrotar aquela tontice de que "Dinheiro não compra felicidade", até me dá uma coisinha má.

 

Nessas ocasiões, sou acometida de uma gana animalesca de saltar para o pescoço da pobre criatura (literalmente falando). O que me vale é que o meu stock de bom senso é de nível AAA, à altura das mais exigentes agências de rating. Assim, lá acabo por recuperar o autocontrolo e atirar um sarcástico: "Essa pessoa não sabe aonde ir às compras".

 

No final, relevo esse tipo de comentário, mais não seja porque nunca ouvi tretas dessas sair da boca de quem possui uma situação financeira desafogada. Pelo contrário, quem as profere é precisamente aquele que passa a vida a contar tostões. Nada mais natural que façam questão de cultivar essa visão, sob pena de terem que admitir que existe um mundo encantado que jamais poderão comprar, precisamente porque não têm dinheiro para tal.

 

Talvez porque noutra encarnação tenha conhecido uma vida de luxo e fartura e essa memória permaneça viva no meu espírito (pelo menos foi o que revelou uma regressão a vidas passadas que fiz há uns tempos), acredito que seria descaradamente feliz se tivesse o suficiente para aceder àquilo que quero e que tanta falta me faz: viagens, hoteís de luxo, bons restaurantes, spas, uma casa confortável, ajudar os meus e os que (mais) precisam, e sobretudo, nunca mais ter que perder noites e noites de sono por não saber como pagar as contas.

 

Mais do que coisas, na minha maneira de encarar e desfrutar a vida, o dinheiro me permitiria o acesso a experiências, algo que me é verdadeiramente precioso. Afinal, da vida só levamos o que vivemos, certo? É precisamente neste ponto que foca a crónica de hoje: será que existe algo capaz de proporcionar mais felicidade que o dinheiro? Vai um palpite?

 

O tempo, meu bem, sim essa coisa que, nos dias de hoje, parece nunca ser suficiente, logo um bem preciosíssimo. Sobre isso, um estudo citado pela BBC atesta que, precisamente por este motivo, o tempo é hoje percecionado como sinónimo de felicidade.

 

Essa investigação, que incluiu mais de seis mil pessoas dos Estados Unidos, Canadá, Dinamarca e Holanda, chegou à conclusão que ter tempo para aquilo que valorizamos deixa-nos mais felizes, mesmo quando se tem que pagar por ele. Isto porque os participantes do estudo não hesitaram em pagar 40 dólares para se conseguirem livrar de certas tarefas e, com isso, ganhar mais tempo. Inclusive, todos eles se mostraram mais felizes do que se tivessem gasto a mesma quantia em bens materiais.

 

Mas afinal como é que se paga para ter tempo, deves estar a matutar. De uma forma tão simples como, por exemplo, contratar serviços de limpeza, comprar comida fora, não ter que pilotar o fogão ou pagar a alguém para fazer o supermercado. O que, ao meu ver, traduz-se nas tais experiências de que falei mais acima.

 

Hás de concordar que livrar-se de tarefas que não dão prazer, ou que roubam tempo àquilo que realmente importa, é uma experiência ímpar. Agora pergunto-te: qual é a coisa qual é ela que permite atingir esse estado de graça? O dinheiro, ora pois! De que outra forma seria possível o acesso àquelas experiências há pouco citadas?

 

Agora a pergunta para um milhão: será esta minha teoria uma mera manifestação de absoluto materialismo ou a constatação da mais pura realidade? Goste-se ou não da ideia: o dinheiro traz/compra – o verbo a conjugar deixo ao teu critério – felicidade. Ponto final!

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Ora viva!

 

Ontem, falei-te de alguns sinais que expressam o interesse de um homem. Mas será que eles estão a par do que (realmente) nos atrai? Cá para mim estão, se bem que não inteiramente. A pensar nisso, escolhi para hoje um artigo que aborda precisamente os aspetos que fazem um homem ser considerado atraente pelo sexo feminino.

 

De acordo com as conclusões de um inquérito realizado pela agência Synovate, a pedido da Gillete, vestir peças como jeans ou fato e estar barbeado são alguns dos requisitos mais apreciados por elas, sendo a imagem de um homem fardado considerada a que mais desperta a atenção, seguindo-se a de um homem de slips.

 

Entre as 425 inquiridas deste estudo que visou conhecer as preferências das europeias em relação ao sexo masculino, mais de metade (55%) considera atraente um homem que tem rotinas diárias de cuidado pessoal. Do lado oposto, a velha fantasia do macho encharcado de suor parece estar a perder fãs, já que não passou pelo crivo de ¾ (76%) das inquiridas, que a considerou 'pouco ou nada atraente'.

 

Para a esmagadora maioria dessas mulheres (90%), com idades compreendidas entre os 18 e os 59 anos, eles são mais atraentes quando são carinhosos com os filhos ou animais de estimação, quando lhes abrem a porta, quando cozinham e quando arrumam a casa.

 

Quando questionadas sobre as atitudes que estão tradicionalmente associadas ao sexo masculino, os resultados quebram alguns mitos: para 92% das mulheres, dizer palavrões não é 'nada atraente', da mesma forma que andar à pancada ou bater boca com os amigos também são atitudes mal vistas.

 

Antes de dar por concluída esta crónica, que tal partilhar contigo os itens que menos seduzem o sexo feminino. Aposto que és capaz de advinhar. Não? Não faz mal, eu digo: rastas, piercings e chinelos lideram essa lista. Eu cá para mim, acrescentava ainda as tatuagens de grande porte, mas dado que o estudo foi realizado junto das europeias – coisa que não sou – a minha opinião não passa disso mesmo, um mero bitaite.

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Ora viva!

 

Eis-me de volta ao teu convívio com uma crónica sobre flirt, sim essa coisa que tão bem sabe ao ego e tanta falta faz em tempos de solteirice. Antes de adentrar pelo post do dia, pergunto-te se és daquelas que "capta" logo quando alguém está de olho em ti ou das que andam sempre a leste de tudo, até que o gajo diga por a+b que te curte. Seja lá qual for o teu perfil, nada como uma conversa amiga para elucidar a questão.

 

É compreensível que quem ande no mercado não queira deixar escapar nenhuma oportunidade de encontrar o amor, ao mesmo tempo que teme ser presunçoso ou imaginar interesse onde não existe. A propósito disso, Steph Holloway, especialista neozelandês em linguagem corporal, aponta alguns sinais que te podem ajudar a perceber se estão ou não a tentar cortejar-te.

 

Um primeiro sinal é o olhar. Se um rapaz está constantemente a olhar para ti, prestando atenção a todos os teus movimento, é um sinal flagrante de interesse. Se este for mútuo, não te acanhes, minha amiga, e capricha na retribuição. No caso do olhar se mantiver por algum tempo sem que nenhum dos dois o desvie é sinal de que há match.

 

Outro sinal a ter em conta são os pés – sim, leste bem. Na opinião deste especialista, se estes estiverem em forma de 'V', é sinal de que o pretendente está aberto a partilhar o espaço dele contigo. Mais ainda: se estão a apontar na tua direção, ele está a tentar entrar no teu espaço.

 

Holloway revela ainda que, quando estão interessados, os homens tendem a pôr os músculos em maior destaque, enquanto as mulheres procuram realçar o rosto.

 

Os gestos também têm uma palavra a dizer na arte do flirt: por exemplo, endireitar a gravata, no caso dos homens, ou mexer no cabelo, especialmente no caso das mulheres, são indicadores de interesse.

 

Meu bem, como pudeste ler, não é assim tão difícil decifrar os códigos inerentes ao namorisco. Só tens que estar atenta, que o amor pode estar à distância de um reparo.

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Ora viva!

 

Não sei se te deste conta, mas a minha inspiração por estes dias anda arisca como ela só. Sendo assim, que tal darmos por encerradas as publicações da semana com este recado do profeta Mahatma Gandhi sobre a força do pensamento positivo?

 

Mantém teus pensamentos positivos, porque teus pensamentos tornam-se tuas palavras.
Mantém tuas palavras positivas, porque tuas palavras tornam-se tuas atitudes.
Mantém tuas atitudes positivas, porque tuas atitudes tornam-se teus hábitos.
Mantém teus hábitos positivos, porque teus hábitos tornam-se teus valores.
Mantém teus valores positivos, porque teus valores tornam-se teu destino.

 

Meu bem, capricha aí na positividade que só terás a ganhar. Bom fim de semana, que segunda tamos juntos!

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Ora viva!

 

Que tal encerrarmos esta semana, que espero que tenha sido tão boa para ti como foi para mim, com uma crónica sobre estilo e bom gosto, inspirada num artigo que me pareceu digno de partilha, mais não seja porque identifiquei-me ipsis verbis com o seu conteúdo?

 

Apesar de fazer questão de me manter a par das tendências, não me vejo como uma fashion victim. Pelo contrário, a minha moda sou eu que a faço, dia a dia, peça a peça, ocasião a ocasião, estado de espírito a estado de espírito. Para mim, ela mais não é do que o filho pródigo de um feliz enlace entre estilo, atitude e gosto pessoal.

 

Esta minha forma de pensar traduz-se num estilo único, que me tem rendido (rasgados) elogios e (várias) solicitações como informal personal stylist. Se com pouca margem financeira já sou vista como uma referência em matéria de elegância e bom gosto, no dia em que a minha conta bancária conhecer um saldo a quatro dígitos, ninguém me segura.

 

De volta ao planeta Terra (fazer o quê se gosto de viajar pelo espaço sideral?), retomo o fio à meada trazendo à baila Ines de la Fressange, bem-sucedida modelo dos anos 80 que acaba de publicar o livro O que hei de vestir hoje? - O estilo da Parisiense, um autêntico guia prático de requinte e elegância na forma de vestir.

 

Não obstante a moda ser um mundo em constante mutação, sem nenhuma garantia de que o démodé de hoje não venha a ser o must-have de amanhã, existem erros que, no parecer desta especialista francesa, devem ser evitados a todo o custo, seja por não serem propriamente bonitos ou por simplesmente nada acrescentarem ao look e atitude de uma mulher. São eles:

1 - Leggings;

2 - Mala de marca contrafeita;

3 - Bermudas compridas com bolsos;

4 - Ténis compensados;

5 - Saia-calça;

6 - Anoraque comprido;

7 - Pele da cabeça aos pés;

8 - Solas de crepe (um tipo de borracha);

9 - Tamancos de plástico com buracos;

10 - Sutiã de alças transparentes;

11 - Look totalmente assinado;

12 - T-Shirt com um gatinho;

13 - Acumulação de bijuteria;

14 - Collants cor de carne;

15 - Bustier de licra;

16 - Mostrar demasiada pele;

17 - Calças de cintura demasiado descida;

18 - Mistura de riscas;

19 - Chapéu de pano;

20 - Calças de ganga 'mom fit'.

 

Bazofaria à parte, é com o maior orgulho que digo que passei com distinção (20 valores) no teste da madame La Fressange. Para mim, já não restam dúvidas de que fui uma parisiense très chic numa das minhas vidas passadas. E com essa, saio de cena para um merecido descanso. Au revoir, ma belle celibataire!

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Ora viva!

 
Cá estamos nós para mais uma semana; esta que, pesarosamente, arranca com acontecimentos trágicos e registos térmicos pouco habituais nesta altura do ano. Aparte isso, estou em condições de afirmar que tudo corre bem no reino da solteirice.
 
Cumprido o protocolo da cordial saudação, é hora de dizer que a crónica deste dia incide sobre dois elementos essenciais no erotismo, em primeira instância, e na autoestima, em última, de qualquer pessoa, sobretudo pertencente ao sexo feminino: o sexo e a pele.
 
Não deve ser novidade para ti que existe uma relação flagrantemente intimista, uma espécie de elo em cadeia, entre estes dois elementos. Ou seja, boa pele pode render em bom sexo e bom sexo pode traduzir-se numa boa pele. 
 
A propósito dessa dinâmica, explica Yael Adler, dermatologista alemã que anda nas bocas do mundo devido ao livro O Fascinante Mundo da Pele, que: "O sexo aumenta as hormonas femininas ou masculinas, o que faz bem à pele, e diminui o cortisol, a tal hormona do stress, que a afeta negativamente. Nas mulheres, o aumento dos níveis de estrogénio combate as borbulhas, torna a pele mais macia e fortalece o cabelo. Nos homens, a testosterona fortalece os músculos e a barba, embora faça perder cabelo. Há estudos que mostram que o sémen quando «aplicado» por via intravaginal tem efeitos antidepressivos nas mulheres (não estudaram a administração oral). E sabe-se que o sexo reduz o risco de enfarte do miocárdio e de osteoporose, assim como a intensidade das depressões. A natureza inventou o sexo para que fosse muito praticado, para garantir a continuação da espécie. E faz bem à saúde, física e mental."
 
A ser assim, é caso para se perguntar se a pele pode ser considerada um órgão sexual. Ao que parece, sem dúvida, já que: "todo o nosso erotismo está relacionado com a pele. Não há sexo sem pele ou sem toque. E as nossas zonas erógenas, os órgãos genitais, o ânus, os mamilos, etc., todos estão cobertos de pele e é esta que contém os recetores sensoriais e terminações nervosas que proporcionam o prazer. Por isso, para mim, a pele é «o» órgão sexual."
 
Dado que este é um assunto caro a qualquer solteira bem resolvida, recomendo uma espreitadela a esta obra. Com uma linguagem simples e cheia de humor, esta especialista, para quem a pele não tem tabus, explora todos os recantos do «tecido» que envolve o corpo humano, o sexo inclusive.
 
Boa leitura e uma excelente semana.

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Ora viva!

 

É com alguma surpresa que fico a saber, pelos relatórios estatísticos, que o post mais lido nos últimos tempos é Queres um amor de segunda? Vai ao Second Love!, um dos primeiros artigos deste blog. Como gosto de agradar, eis-me aqui a encetar a terceira edição do referido artigo, com uma nova roupagem.

 

"Ser solteira tem destas possibilidades, ou seja, deixa-nos mais à vontade para tentar o engate digital, já que com o avançar da idade os engates reais, os da vida quotidiana, tornam-se uma tarefa cada vez mais árdua e inglória.

 

A minha irmã (do meio) há muito que me incentivava a tentar a sorte no cibermundo. Por ter sido sempre bem sucedida neste tipo de empreitada, pretendentes nunca lhe faltaram. Às vezes, até chegava a sair com dois ao mesmo tempo (cada um de uma cidade diferente, não vá o azar fazer das suas), já que para ela "um é companheiro de nenhum!"

 

À enésima desilusão amorosa resolvi deixar de lado o velho preconceito de que quem procura companhia na rede, ou é pervertido, encalhado, esteticamente prejudicado e por aí fora, e toca a efetivar o registo num dos mais badalados sites de encontros.

 

É neste contexto que, num belo dia de janeiro (lembro-me bem) vejo na minha inbox um anúncio do Second Love. Sem atentar ao real significado do nome, na ânsia de me aventurar no engate virtual, ao mesmo tempo que tentava fintar a desconfiança e a prudência, toca a preencher os campos, tornado assim real a minha entrada neste mundo clandestino, oculto e incerto.

 

Quando dei por mim, já era membro (honorário) de um dos mais conceituados sites de online dating, a meu ver, um provedor por excelência de contatos amorosos de segunda linha, como gosto de chamar.

 

Escusado será dizer que quando me apercebi de que era uma séria candidata a tornar-me a mistress de alguém "amarrado" –  por livre e espontânea vontade, convém ressalvar –, mas inconformado em degustar durante dias, semanas, meses e anos o mesmo prato, os meus alicerces morais foram abalados.

 

Foi assim que perdi a minha virgindade amorosa online e as aventuras e desventuras dessa parte até aqui, perfazem mais de quatro anos, vou contando aos poucos, pois são tantos episódios que nem o Atlas conseguia absorver tudo de uma vez só."

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Ora viva!

 

Feriado vai feriado vem e eu aqui entalada entre o Ainda Solteira, a terceira idade, a diplomacia (entidade para a qual voltei a prestar serviço de consultoria), a fisioterapia, o workout e a paixão pelo fulano do ginásio que estes tempos, tal qual uma fénix, renasceu das cinzas.

 

Ainda hei de entender porque mexe tanto esse fulano comigo. Enquanto isso não acontece, bora tocar a vida e dar corpo à crónica do dia, cujo tema é o poliamor.

 

Soube que, recentemente, a Colômbia procedeu à  legalização de uma relação entre três pessoas. Os envolvidos, todos do sexo masculino, alegam que obtiveram reconhecimento legal como a "primeira família poliamorosa" do país, depois de celebrarem o matrimónio.

 

Ainda que amar em várias frentes seja uma capacidade emocional tão antiga como a própria condição humana, não deixa de ser surpreendente a legitimação deste género de união por parte de uma sociedade mais conservadora, como é o caso da colombiana, ao contrário de outras, como a muçulmana, a indiana, a africana e a indígena (só para citar as mais flagrantes), em que a poliamorosidade, se é que a podemos assim chamar, é uma realidade que a mais ninguém surpreende.

 

Ilações a tirar da crónica de hoje? A vida é mesmo caprichosa: uns com mais do que um parceiro e outros sem nenhum. Poliamor versus solteirice, que venha o diabo e escolha!

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Ora viva!

 

Acabo de me dar conta que, não obstante nutrir uma queda pela escrita dela, pouco partilho sobre os artigos da Paula Cosme Pinto. É por isso que decidi que hoje – sexta, véspera de feriado e com as festas populares à espreita – é um bom dia para este texto da autora do A vida em saltos altos sobre o tema-mor deste blog: a solteirice.

 

Boa leitura, single mine, e já agora, um fim de semana absolutamente escaldante, de preferência, naquele sentido (se é que me entendes).

 

"Com a chegada do verão, chegam também os convites para casamentos. Há uns tempos estava eu a jantar só com mulheres e percebi que, para quase todas, ir a uma festa do género significava de lidar com um rol de perguntas indiscretas sobre a sua vida privada. Das solteiras às enamoradas, passando, inclusive, pelas divorciadas, eis a principal questão a que nenhuma se escapa, como se disto dependesse a sua realização pessoal neste mundo: "Então e tu, quando é que te casas?". Melhor que isto só mesmo o eterno "não consegues arranjar ninguém?", mas já lá vamos.

 

Se a partir dos vintes já se ouve a pergunta sobre o casamento, é certo e sabido que passando os trintas a mesma surge quase como uma sentença por incumprimento do ciclo correto da vida: 'arranjar' alguém, casar e ter filhos, enquanto ainda se é nova, claro. Porque, pelos vistos, também temos prazo de validade nisto do amor. Há várias coisas que são particularmente desagradáveis nesta pergunta feita com aparente inocência, começando pelo mais óbvio: a assunção de que todas nós temos o casamento como uma meta a cumprir.

 

É curioso que um homem que permaneça solteiro tem a aura charmosa do bon vivant. Já uma mulher, é basicamente uma encalhada. E se, por acaso, os nossos planos simplesmente não passem pela vontade de casar e ter filhos, algo está nitidamente mal. Há olhos, incrédulos, que se reviram em jeito de julgamento, e, invariavelmente, soltam-se profecias do género: "Dizes isso agora, mas quando arranjares alguém vais querer". No que toca a estas coisas, a escolha e vontade individual de uma mulher não interessa para nada, porque o seu papel está bem definido desde o dia em que nasceu.

 

"Então e tu, não consegues arranjar ninguém?"

Esta profecia leva-nos diretamente a outra pergunta dispensável, mas também bastante comum, principalmente quando se chega sozinha a um casamento: "Então e tu, não consegues arranjar ninguém?". Quem a diz pode até não ter noção, mas a carga recriminatória desta frase é de digestão difícil. Novamente, parte-se do princípio de que temos de partilhar a vida com alguém para sermos felizes. Depois, a crítica implícita: nós é que não conseguimos 'arranjar’'ninguém, algo que, como todos sabemos, é um objetivo indispensável pelo qual devíamos batalhar todos os dias. Aparentemente tão simples quanto ir ao talho e arranjar um pedaço de carne que nos agrade para levar para casa.

 

De vez em quando, também surge o famoso "ninguém te pega?", que, para além de ser um comentário de uma classe extrema, também nos coloca a nós na qualidade de peça de fruta que alguém já deveria ter pegado e metido na cesta. Parece-me relativamente claro que as relações de intimidade, quando as queremos para as nossas vidas, não se arranjam, acontecem. Mas se até aos trintas isto ainda não aconteceu, então algo nitidamente está a falhar. E devemo-nos sentir preocupadas – ou até mesmo culpadas – com isso. E a verdade é que muitas mulheres acabam por se sentir assim.

 

"Queres ficar para tia?"

Quando temos vinte e poucos anos, perguntam-nos estas coisas com um sorriso compincha. Passados os trinta, o semblante já carrega alguma preocupação. Quando nos aproximamos dos quarenta, somos claramente um caso perdido, "deixadas para trás" na linha de montagem da ordem supostamente natural das coisas. Muito provavelmente, somos mulheres estranhas, demasiado masculinas, com a "mania da independência", demasiado mau-feitio, traumas graves ou com um profundo ódio aos homens em geral (nesta regra de três simples, querermos ter uma relação com alguém do mesmo sexo entra, obviamente, na categoria da "mulher estranha"). Se o nível alcoólico já for elevado aquando desta conversa, talvez ainda se acabe mesmo por ouvir o famoso "mas queres ficar para tia?". O que é também um comentário deveras simpático de se ouvir em dia de festa.

 

Contudo, o tal rol de perguntas e comentários, feitos sem pudor, ora por familiares, ora por amigos, ou até mesmo por ilustres desconhecidos que se cruzam connosco pela primeira vez, não se resume a isto. Quanto a isto, falo por mim: partilhar a vida com alguém também não é suficiente para as expectativas da nossa sociedade. "Mas há algum problema para não casarem?", ouve-se amiúde num sussurro, seguido do mítico "então ele não te pede em casamento?". Pelos vistos, um casal só parece ser digno desse nome quando há papel assinado ou festa com vestido branco que comprove o seu amor. E, é claro, querer ou não querer casar passa pela vontade do homem, responsável máximo por dar o passo e por decidir o caminho dos dois. A mulher que espere, passiva, pela sua sorte.

 

Sei que há coisas mais preocupantes no mundo – haverá sempre – mas tal como no caso das perguntas sobre "para quando uma gravidez" escrevo este texto como chamada de atenção para a pressão e mal-estar desnecessários que muitas vezes causamos nos demais com comentários do género. Entendam, são perguntas carregadas de julgamento. Sei que muitas vezes surgem como conversa fácil e de circunstância, algo que se faz por hábito e que supostamente ninguém leva a mal. Mas, não só essas perguntas não acrescentam absolutamente nada de bom à vida de quem as ouve (e, já agora, também à de quem as faz), como podem ser catalisadoras de emoções muito amargas.

 

Falando concretamente no impacto que têm nas mulheres, são perguntas que, demasiadas vezes, têm o condão de magoar, desrespeitar, menosprezar, fomentar inseguranças e criar frustrações, porque quer queiram, quer não, nós crescemos a ouvir que aquele é o caminho certo a seguir e se não o fizermos a tempo a nossa vida roça o falhanço. Mas, acima de tudo, estas são perguntas invasivas, e a vida privada de cada um de nós – homens e mulheres – só a nós diz respeito. Não custa nada manter isto em mente e usar antes o empecilho Trump, por exemplo, quando for preciso fazer conversa de circunstância."

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