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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

16
Mai17

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Ora viva!

 

Olha só este genial texto da Bia Lopes, publicado no obvius, sobre a dinâmica das relações nos tempos atuais.

 

"Não há dúvidas sobre os benefícios da tecnologia. Sem ela, por exemplo, não me seria possível escrever esse texto a essa hora da noite sem incomodar meu companheiro de quarto. No momento não disponho de lâmpada acesa, nem de papel, caneta ou máquina de escrever, mas o aparelho celular resolve o problema. Acontece que nem só de bondade vive a ciência. Com ela, manias, fobias, dependências e mais outra leva de complicações também se instalaram em nossas vidas. É como uma rede infinita de conexões que poderiam nos manter ligados uns aos outros, mas estão nos afastando cada vez mais. Ou ando vendo coisa onde não tem?

 

Estamos nos aproximando de quem está longe e nos distanciando de quem está perto. Não podemos deixar o amigo virtual mais de cinco minutos sem resposta, enquanto o que está sentado à mesa bem à nossa frente é obrigado a esperar quase a noite inteira.

 

Então, qual o sentido dessas relações? Sou uma pessoa nostálgica. Podem me chamar de velha, mas sou do tipo que diz "no meu tempo as coisas eram diferentes". E eram mesmo. Talvez essa geração nunca saiba a graça que há em receber um telefonema sem ser previamente avisada pelo WhatsApp ou passar dias e noites suspirando, pensando numa maneira de dizer a quem a gente gosta o quanto a gente gosta, sem nos escondermos por trás das mensagens inbox. No meu tempo era olho no olho, expectativa, frio na barriga. Mas quem liga para um olhar quando as emoções podem ser expressadas via emoticons? Estamos substituindo o cotidiano real pelo virtual. E ainda há quem diga que é romântico. #chateada

 

Não, não sou contra a tecnologia. Eu mesma a uso (e até abuso, confesso) diariamente. Ela facilita o meu trabalho, economiza o meu tempo, me distrai, informa, situa, orienta, ensina, me abre portas e… É muita coisa, viu? Sem contar que ela permite realmente o encurtamento de certas distâncias. Parentes e amigos que moram longe podem participar do dia a dia do outro, mesmo que virtualmente. Tenho alguns amigos que se conheceram pelas redes sociais, casaram, tiveram filhos e estão juntos até hoje. Os benefícios são incontáveis. O problema é que os malefícios também.

 

Incontáveis vezes perco a noção do tempo olhando coisas que em nada me acrescentam. Sabe aquele vizinho que nem te conhece bem, mas sabe tudo da sua vida? É como me sinto nas redes sociais. Às vezes acabo sabendo tanto da vida da pessoa sem sequer ter lhe dirigido um "oi", que me sinto constrangida.

 

Nossa vida virou um grande reality show, onde alguns mostram o lado que melhor lhes convém e outros não conseguem manter por muito tempo as aparências. Só que neste caso não há uma premiação milionária, garantia de fama ou contratos publicitários. É a nossa vida que está em jogo. É o nosso tempo que está sendo desperdiçado. E no final não dá para resetar ou reiniciar o sistema. Não se pode simplesmente desativar uma conta e criar outra. Talvez por isso as pessoas se refugiem tanto no mundo virtual. A vida real dá muito mais trabalho.

 

Os celulares se tornaram nossos companheiros em praticamente todos os momentos do dia, o que me faz pensar que nunca estamos 100% ligados à realidade. As refeições são devoradas em meio a inúmeras pausas. As atualizações da timeline não podem esperar, mesmo que elas só estejam mostrando um mero "like ou share".

 

Aliás, é bom aproveitar a pausa para gostar e partilhar aquele post que você achou genial. E não esqueça de responder aos amigos que chamaram no "whats". Como assim, não há nenhuma mensagem por lá? Então é hora de conferir como está seu pacote de dados ou se sua última mensagem foi visualizada, afinal de contas a única que não pode lhe bloquear nesse cenário é a sua comida.

 

Resolvi deixar meu celular de lado por um período do dia e comecei a observar as pessoas ao meu redor. E, confesso, me senti meio esquisita sabendo que faço parte dessa geração de "cabeças baixas". Ninguém olha mais para a frente, nem para o lado, muito menos para trás. O display é o campeão das atenções. Não se fazem mais amizades nas salas de espera e não temos tempo para ouvir o desconhecido que sentou ao nosso lado no autocarro. Não nos desconectamos sequer para ir à casa de banho. Trocamos as refeições em família pela companhia de milhares de pessoas que, assim como nós, buscam desesperadamente por atenção. Somos solitários em meio a uma multidão. E eu temo que em breve as relações se resumam a add, chat e unfollow.

 

Há uma linha ténue entre o saudável e o vício. Para isso existe o bom senso. O uso inteligente evita o dependente. É muito bom trocar mensagens online, mas emoticon nenhum substitui um abraço. Conversar olho no olho ajuda a fortalecer a relação muito mais do que um bonequinho segurando um coração. Passar algum tempo se distraindo com o que as aplicações podem nos oferecer é útil e até muito divertido. A questão é quando a utilidade dá lugar ao prejudicial. Que saibamos diferenciar o hábito do excesso. Que a ciência nos traga o avanço e não um retrocesso. Que a tecnologia encurte a distância e não as relações."

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