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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Viva!

 

Como já aqui disse algumas vezes, domingo é o meu day off: dia de dormir até mais não, dia de jejuar, dia de não sair de casa, dia de spa caseiro, dia de organizar os pensamentos, dia de sonhar, dia de por a leitura em dia, dia de devorar filmes, enfim... dia de dolce fare niente.

 

Ontem, na minha maratona semanal de home cinema, calhou-me parar à vista um filme sobre sugar daddies, cujo enredo picou-me ao ponto de achar que este poderia ser um bom tópico para a crónica de hoje. Esta manhã, ao reconectar-me com o cibermundo, a minha primeira paragem foi no quiosque do Google, a quem recorri na busca de informações sobre este tipo de relacionamento patrocinado.

 

Entre os milhares de resultados com que ele me agraciou, um artigo da Marie Claire brasileira sobre a versão feminina da coisa – as ditas sugar mommies – forneceu-me os elementos que precisava para estar aqui a escrever sobre o assunto.

 

Confesso que no início da leitura só conseguia pensar no quão solitárias e carentes deviam ser estas mulheres para terem que pagar para ter companhia masculina. Ao longo do artigo, fui-me apercebendo que, afinal, são mulheres atraentes, bem resolvidas e realizadas profissional e financeiramente. No final, a comiseração deu lugar à admiração e a uma pontinha de inveja, confesso.

 

Admiração porque elas não têm problemas em assumir que "compram" afeto; admiração porque elas não se deixam espartilhar pelas convenções sociais; admiração, sobretudo, porque encaram a questão de forma pragamática e desprendida, sem tabus, falsos moralismos ou ilusões amorosas adolescentes. Inveja porque esta solteira aqui não dispõe de verbas para constatar in loco as maravilhas (ou pesadelos) deste universo paralelo das relações amorosas.

 

Pelo que pude apurar, a logística da coisa é em tudo semelhante à de tantos outros sites e apps de engate: escolhe-se um, cria-se o perfil, enfeita-se com fotos apelativas, escreve-se umas frases interessantes sobre si mesmo, enfim, tenta-se parecer atraente. O passo seguinte é ir à lista e escolher os que mais agradam à vista desarmada e, voilá, match à vista!

 

A diferença aqui é que se trata de um serviço pago em toda a cadeia, ou seja, paga-se para estar no site e paga-se para obter companhia. Inclusive, os próprios sites disponibilizam a opção entre quem quer comprar e quem quer vender, que na linguagem deles traduz-se em sugar daddies/mommies e sugar babies. Para teres uma ideia, só para se ter direito a uma olhadela no menu (leia-se, lista de rapazes) tem que se pagar uma razoável quantia. Já os babies (femininos ou masculinos, tanto faz) desde que maiores de idade, não pagam absolutamente nada.

 

Não penses tu que, na prática, a coisa é tão linear quanto acabei de descrever. Até a aprovação como buyer, é preciso passar por uma série de pré-requisitos, tais como fornecer dados de altura, tipo de corpo, etnia, nível escolar, salário, rendimento anual, valor do património, se tem filhos ou não, estilo de vida, área geográfica e expectativas quanto aos encontros. O expectável. Há sites que até antecedentes criminais exigem na altura da inscrição (o que é de se louvar, diga-se de passagem). 

 

Psicanalistas descrevem estes tipos de encontros nestes termos: "Elas compram a companhia deles para suprir uma carência afetiva. Mas, a longo prazo, não adianta. Porque não é uma relação baseada no amor, e sim no dinheiro. Geralmente esses casos não vão para frente."

 

Responsáveis por estes tipos de sites asseguram que grande parte dessas mulheres não procura namoros longos. Apenas encontros leves, sem pressão. Para a psiquiatra Carmita Abdo, esse tipo de mudança na dinâmica é consequência da maior participação feminina no mercado de trabalho. "Tem muito a ver com o empoderamento económico da mulher. Ela começa a perceber que pode ter um parceiro de uma noite ou várias, de acordo com sua necessidade sexual e social."

 

Muito mais teria a dizer sobre o assunto, mas como o texto já vai para longo e a hora do almoço a caminhar para o lanche, remato a crónica com o seguinte: este tipo de arranjo resulta na perfeição para quem não tem tempo para conhecer parceiros, nem paciência para discutir a relação, e conta bancária recheada, obviamente!

 

O que importa reter é que, regra geral, são as mulheres bem-sucedidas, poderosas e cansadas de relacionamentos tradicionais aquelas que procuram jovens atraentes, que não se importam de ser sustentados por elas. Ou seja, as sugar mommies não passam de mulheres que escolhem rapazes online para sexo ou namoro, em que a regra é clara: quem paga dá as cartas.

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