Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


23-single-ladies-feature.w750.h560.2x.jpg

 

Não sei se também tens tido essa perceção, mas, nas minhas incursões pela internet, tenho constatado que a solteirice é um assunto cada vez mais abordado. O curioso é que, ao contrário do que se via até há uns tempos atrás, nos dias de hoje são cada vez mais as vozes que se levantam contra a estigmatização do estatuto de solteira. Com isso quero dizer que tenho visto muitos mais artigos pró do que contra a solteirice.

 

Tratado há milénios como se de um fardo se tratasse – um tipo de epidemia a que todos estamos sujeitos, mas da qual devemos nos curar tão logo possível, sob pena de sermos rotulados como portadores de uma deficiência qualquer, uma espécie de artigo com defeito –, a solteirice agora está na moda, essa é que é essa.

 

Não sei se face às mudanças de paradigma das relações, não sei se fruto de uma mudança da mentalidade, talvez por parecer que existem cada vez mais solteiros por aí – fruto de separações, desilusões amorosas, alforria em relação à pressão social e familiar, vocação (sem receio ou culpa) para a coisa, ou apenas elevação dos padrões de exigência –, o facto é que o tema solteirice tem vindo a ocupar um lugar de destaque na senda das relações sociais e interpessoais.

 

Cada vez mais, vejo artigos nas revistas – sobretudo as cor de rosa, que antes só passavam cartão aos temas a dois – programas de televisão, filmes, debates e blogs dedicados ao tema. A verdade é que nunca se falou tanto dessa questão.

 

Penso que a maior parte dos solteiros (sobretudo nós mulheres) já provaram ao menos uma vez na vida do amargo sabor da pressão que a sociedade – através da família, dos amigos, dos colegas de trabalho e de todos os outros que se acham no direito de dar palpites na vida alheia – sobre o seu estado civil.

 

Como se ser solteiro fosse indigno da condição humana, neste caso da condição feminina. Como se ser solteiro nos fizesse ser menos pessoa, menos mulher, menos sensual, menos merecedora de afeto, menos criatura de Deus. Como se estar sem um companheiro nos fizesse indignas de ter uma vida feliz e realizada. Como se a razão primeira e última de uma fêmea fosse arranjar um macho para poder mostrar ao mundo que ela é competente e obediente, já que conseguir cumprir o papel que dela se esperava.

 

Eu sinto isso em praticamente todas as situações do dia a dia: quando estou com a família e me interrogam para quando o marido e os filhos. Quando estou com os amigos que já conseguiram "alguém" e mandam bocas de que já está na hora. Quando estou com os que ainda não se arranjaram, mas que torcem secretamente para que não te avies antes deles. Quando, no trabalho, és a única que não fala na primeira pessoa quando a conversa (quase sempre) se restringe a temas como as manias dos maridos, as birras dos filhos, as intrigas das sogras, as investidas das periguetes da vida, os bitaites das amigas, as más influências dos amigos solteiros, e por aí adiante.

 

Bem, poderia ficar aqui a manhã toda a dissecar este assunto, que haveria sempre mais a acrescentar, e o motivo que originou tudo isso ficou por dizer: um texto que uma seguidora me enviou e que queria partilhar contigo.

 

Dado que este post já vai para extenso, o referido texto fica para outra oportunidade. Até porque hoje é o primeiro dia útil da semana, logo a produtividade no trabalho exige-se apurada e inspirada.

 

Despeço-me com aquele abraço amigo e votos de uma semana verdadeiramente fantástica, como só as solteiras bem resolvidas conseguem ter.

Autoria e outros dados (tags, etc)


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Pedro Lopes a 07.06.2016 às 09:11

Penso que a grande maioria das pessoas confunde o conceito de solteiro(a) com o facto de uma pessoa estar só.
O que nem sempre coincide, pelo senso comum, uma pessoa quando está solteira (sem estar em nenhuma relação estável) tem uma vida social muito mais ativa, sai mais vezes, faz mais atividades, relaciona-se com diferentes pessoas, faz muito mais aquilo que lhe apetece sem o condicionalismo do "outro" junto a nós.

Quanto à família, e colegas do trabalho que não se calam sobre o facto de estar solteira, basta dizer, que uma de duas frases, conforme a ocasião,
- Quando vais a loja também trazes logo o primeiro trapo que experimentas.
- Porque andar todos os dias a comer arroz, se posso comer massa, batatas, sushi, etc.

PS- tic tac, tic tac, tic tac, não esquecer que esta semana é mais curta, e que há uma tarefa a realizar.
Imagem de perfil

De LegoLuna a 07.06.2016 às 09:39

Muito bom esse tic tac. Adorei o teu testemunho. É sempre bom ouvir a perspectiva masculina da coisa. Valeu!

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D