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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


03
Jun16

 

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Meu bem, já alguma vez sentiste saudades de alguém que nunca tiveste? De algo que nunca viveste? De um lugar que nunca visitaste? De um abraço que nunca recebeste? De um beijo que só foi dado na tua imaginação? De um afago que nunca sentiste? De uma conversa que apenas se deu na tua mente? De um algo que nunca se concretizou, mas que é tão real que és capaz de apalpá-lo? De uma coisa que não sabes explicar muito bem, mas que sentes que te faz falta?

 

Não sei se me consegues entender. Por estes dias ando murchinha. Coisas do coração, mais concretamente coisas do tal fulano lá do ginásio. E ponho-me a pensar como pode ser possível eu pensar, desejar, sonhar, suspirar e esperar tanto em relação a uma pessoa cuja voz não conheço, cujo toque nunca senti, cujos lábios não provei, cujo corpo não conheceu o meu toque e cuja cor dos olhos nem tenho bem a certeza do tom exato.

 

Há momentos que chego a pensar que devo estar a padecer de uma espécie qualquer de delírio, pois não me faz muito sentido - logo eu que sou tão pragmática e objetiva - esta minha fixação por uma entidade tão ilusória. Por outro lado, o que me desperta ele é tão intenso, erótico e humano que não pode ser apenas fantasia de uma (ainda) solteira carente e solitária.

 

A vida é o que qualquer pessoa com mais de 12 anos e com um mínimo de neurónios funcionais sabe: umas vezes madrasta, outras fada-madrinha, e pelo meio nem uma coisa nem outra. Estou certa de que concordarás comigo que a nossa vida mais não é do que aquilo que dela fazemos. É neste ponto que me assalta a pergunta: o que estou fazendo com a minha vida amorosa? Se tenho sentimentos por ele, porque não faço algo por? Porque não vou à luta e vejo no que dá? Porque não arrisco, em vez de me esconder por detrás de... do quê mesmo? Porque não saio da porra da minha zona de conforto (que de conforto deixou de ser há muito) e atiro-me logo de uma vez?

 

Tenho até medo de confessar, mas a verdade é que os meus traumas ainda continuam a vencer. Fui rejeitada tantas vezes e por tantas pessoas, a começar pela minha progenitora, que o medo de voltar a ser magoada simplesmente paralisa-me. Essa é que é essa. Ontem, numa esclarecedora troca de comentários com um seguidor deste meu caderno, voltei a ouvir (melhor dizendo, a ler) que, para o bem ou para o mal, esta indefinição, além de não me levar a lugar nenhum, impede-me de alçançar o prémio.

 

A procrastinação é algo ingrata, porém tão imponente que temos que estar munidos de artilharia da pesada para a ela podermos fazer face. Coisa que não acontece comigo neste momento. Enquanto eu não sanar o meu passado, fazer as pazes com ele, perdoar quem tem que ser perdoado, trabalhar a autoestima e cultivar pensamentos positivos, dificilmente conseguirei ter a atitude necessária para lidar com essa paixoneta ou qualquer outro sentimento por quem quer que seja.

 

Não tenho por hábito ser tão pessoal nos meus posts, mas hoje resolvi revelar-me um pouco mais. Para falar a verdade, procuro um colo amigo e umas palavras de conforto. Essa é que é essa.

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1 comentário

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De Diana a 04.06.2016 às 06:18

Se já passaste mais razões tens para arriscar. Afinal já sabes que sobreviverás... e o não está garantido! ;) Força!

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