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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Dias há li algo que me tocou particularmente: um ancião revelou que amou a mesma mulher por mais de 50 anos. Até aqui nada de especial. O que me emocionou foi quando ele diz, naquela voz mansa, sábia e conformada, que só a idade legitima: "quem me dera que ela tivesse sabido disso!".

 

Desde então, esta frase não me sai da cabeça. Daí estar agora a escrever sobre o assunto.

 

Muitas vezes, perdemos verdadeiras oportunidades de ser e estar feliz pelo simples facto de não arriscarmos, de não revelarmos, de não avançarmos, de não expressarmos o que nos vai na alma e no coração. Ou seja, de não fazermos nada.

 

Nos dias que correm, levamos com tantos mind games, esquemas e subterfúgios, que a (verdadeira) arte da sedução e da conquista vai caindo em descrédito, para não dizer em desuso.

 

Ou porque tememos a rejeição, ou porque temos medo da censura dos outros. Ou ainda pela insegurança, por timidez, por fantasmas do passado ou pelo simples facto de se gostar de joguinhos, a verdade é que são poucos os que demonstram, sem filtro ou make-up, o que realmente lhes vai na cabeça, no coração e na alma.

 

O espartilho social e moral é tão apertado que a claustrofobia emocional só tende a aumentar e a tornar-nos reféns de uma realidade que mais não é do que o fruto da nossa mente e das nossas escolhas.

 

Apesar de não me rever em joguinhos, reconheço em mim uma pessoa demasiado contida, muito apegada à ditadura social do que deve ser ou fazer uma mulher decente. Pouco arrisco, pouco demonstro, pouco revelo, pouco ouso. Quando damos pouco - não sem ter, a priori, a garantia de ser correspondida - menos ainda se recebe. Só que a vida não traz garantias de nada e para nada. Em matéria de amor, menos ainda.

 

Se te reconheces nestas linhas, presta atenção para não caíres no mesmo erro: em vez de desperdiçar tempo, expectativas, ilusões, suspiros, e noites de insónia e solidão, que tal ser aquilo que se é e dar-se a conhecer, a querer conhecer o outro, ao invés de se deixar moldar por meras convenções e ocos pensamentos, que só nos faz perder tempo, oportunidades e possibilidades.

 

Não é à toa que somos tão mais felizes na infância. É nesta altura da vida que ainda não temos desenvolvida a arte do socialmente aceito, da dissimulação, do fingimento, dos joguinhos e das palermices. Éramos o que éramos e verdadeiramente felizes com isso. Portanto, é hora de abrir mão do que não vale a pena e insistir no que pode valer. É hora de banir aquela vozinha incómoda, inoportuna e invasiva que não nos deixa, pura e simplesmente, seguir o coração, indo assim atrás do que se deseja.

 

Se apetecer dizer "gosto de ti", diz-se e pronto. Se apetecer ligar, liga-se e pronto. Se for para declarar, declara-se e pronto. Se for para abraçar, abraça-se e pronto. Se for para beijar, então que se beije.

 

Como me aconselhou no outro dia uma seguidora, mais vale expressar os sentimentos do que chegar a uma altura da vida e pensar "eu podia ter tentado". E se for para desiludir, olha paciência. C'est la vie! Que eu saiba, não se morre por amor. Essa é a única garantia que se tem.

 

Eu agora resolvi ver o mundo de outra maneira. E não foi ele que mudou, fui eu!

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