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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


10
Out16

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"Era uma vez uma linda e (não tão) jovem rapariga chamada Ainda Solteira. Órfã de quase tudo (pátria, namorado, descendente, emprego, dinheiro e companhia social), a nossa heroína pela cidade vagueava à procura de eventos onde pudesse conviver, espairecer e conhecer pessoas novas. Numa dessas andanças, deu por si no salão nobre de um bonito castelo chamado Hotel Florida. É lá que se reúnem todos os meses os breakers, os participantes de um fantástico evento chamado BREAK".

 

Assim começa esta (nova) crónica sobre o after-work que acontece todas as penúltimas quintas-feiras do mês, a partir das 19 horas, no Hotel Flórida, em Lisboa. Já aqui tinha falado desta atividade, só que, na altura, ofuscada pela novidade do conceito, o artigo centrou-se essencialmente na refeição gratuita, no convívio e no sigthseeing. Hoje, na qualidade de freguesa da casa, quero dar-te a conhecer-te o outro lado do BREAK.

 

Aquando da última edição, já mais à vontade para partilhar algo mais que nome, profissão e situação laboral, lá comentei com um dos elementos do staff que tinha escrito sobre o assunto no meu blog. Daí a sacar do smartphone e aceder ao artigo foi um clique, três para ser mais precisa. Assim que acabou de lê-lo, este não se conteve: "O BREAK é muito mais do que aqui descreves. O que tentamos fazer é essencialmente networking e não dating."

 

Não fazendo caso do meu ar um tanto ou quanto debochado, desafiou-me a voltar a escrever sobre o assunto; desta vez, enfatizando a verdadeira natureza do BREAK e o seu real propósito: promover um contacto espontâneo e informal entre os participantes. Segundo ele, urgia desmistificar a ideia de que o movimento apenas serve para comer de graça e conhecer pessoas.

 

De bom grado acedi, pelo que dias depois, num final de tarde e em plena área de restauração das Amoreiras, lá estávamos nós – eu e o relações públicas deles – numa amena cavaqueira, que se alongou pela noite dentro, tal o entusiasmo dos intervenientes.

 

Diego Alvarez é o rosto à frente do BREAK e a pessoa que se disponibilizou para me dar a conhecer melhor esta iniciativa. É ele quem, mensalmente, recebe os convivas à entrada do salão onde decorre a atividade, dá-lhes as boas vindas e encaminha-os para os grupos com afinidades.

 

Jovem de trinta e tal anos, (ainda) solteiro, argentino por nascença, mas cidadão do mundo por preferência, a ele cabe fazer as honras da casa e garantir que ninguém se mantenha à parte. Não nessa noite. Sobre ele importa saber que, nos últimos 15 anos da sua vida, fixou residência em nove países (para além da sua terra natal, passou por Espanha, Inglaterra, Irlanda, Rússia, Polónia, Croácia, Ucrânia e, há coisa de dois anos, Portugal).

 

Cansado do clima das terras celtas – o último país onde viveu foi a Irlanda –, a escolha por terras lusas é fácil de se justificar: bom clima, boa comida, custo de vida barato e extenso património cultural. Resumindo e concluindo: veio atraído pela qualidade de vida.

 

Segundo ele, a adaptação não conheceu dramas dignos de registos, até porque o idioma luso não lhe era estranho. Em terras de sua majestade, com os brasileiros conviveu o suficiente para aprender a língua de Camões. Para além disso é licenciado em línguas e comércio internacional e marketing, o que justifica o seu à vontade para com meia dúzia de idiomas.

 

Recém-chegado à Alfacelândia, isto é, ávido por conhecer e explorar o (vasto) programa cultural que por aqui abunda, o primeiro passo deste latino-americano foi pesquisar na internet o leque de ofertas disponíveis. Foi assim que tomou conhecimento, através de um meet up, do BREAK. Como deves imaginar, tal achado despertou-lhe um interesse imediato, até porque pareceu-lhe uma excelente oportunidade para conectar-se com pessoas com interesses similares.

 

Seguindo o protocolo, Alvarez lá deu o ar da sua graça na edição seguinte do evento. Todo janota e desejoso de se enturmar, foi com deceção que, ao final da noite, o saldo de conversação pautou-se por um único diálogo: um alemão, que só meteu conversa com ele por tê-lo tomado por tuga. A impressão que lhe ficou dessa noite foi que os portugueses são acanhados e ilhados no seu mundinho.

 

Detetada a lacuna em termos de relações públicas – ausência de alguém que dinamizasse a coisa e estabelecesse a ponte entre as pessoas –, não pensou duas vezes. Enviou um e-mail à organização, dispondo-se a assumir o papel de mestre-de-cerimónias, em regime de voluntariado. Sim, porque este descendente direto dos maias, incas, aztecas e afins é um espírito indagador, inquieto e inconformado. Além da simpatia e do à vontade para meter conversa, requisitos que se exigem a um bom comunicador, ele é um dinamizador/empreendedor como poucos: está envolvido em tantos projetos – alguns internacionais – que nem sei aonde vai buscar tempo, energia e cabeça para dar conta de tudo. Para além do BREAK, faz souvenirs que ele mesmo vende aos turistas, escreve para jornais digitais, frequenta um mestrado e, nesse meio tempo, ainda procura a mulher da sua vida.

 

A sua atitude proativa, aliada ao background diretamente importado dos países por onde passou, valeram-lhe no BREAK o cargo de tinder humano, como eu própria o batizei. Já que o papel dele mais não é do que assegurar o match entre breakers com interesses compatíveis, achei que o nome não poderia ser mais adequado.

 

Mas em que consiste exatamente este networking que o BREAK tanto se esforça por promover? Antes de responder a isso, convém dar-te uma ideia concreta do que faz (exatamente) este tinder humano a partir das sete da tarde da penúltima quinta-feira do mês no Hotel Florida. O Diego posta-se, feito sentinela, à entrada do salão, batendo continência (com dois beijos, no caso das damas, e um aperto de mão, no caso dos "damos") a todos os que trespassam pela porta. A seguir, mais descontraído, apresenta a sua pessoa, apresenta o BREAK, dirige-se a cada um indagando sobre a profissão ou área de interesse. Feito isso, vai encaminhando os participantes para os grupos com interesses parecidos. Deles exige apenas que tentem falar com cinco pessoas, no mínimo.

 

Não faz follow-up sobre o que acontece fora das paredes do Hotel Florida, admite. A sua tarefa consiste tão somente em receber as pessoas, filtrar por área de interesse (de preferência profissional), fazer as apresentações e garantir que todos se sintam acolhidos e integrados. Mas, pelos elogios que lhe têm sido dirigidos de viva voz e pelos comentários via página do evento no Facebook, poucas dúvidas restam de que está no bom caminho. Ninguém melhor do que eu para atestar o seu bom desempenho. Afinal, eis-me aqui a escrever sobre o assunto…

 

Quando lhe perguntei há quanto tempo dá a cara pelo BREAK, admitiu não estar seguro da data exata. Mas que já lá vão vários meses desde que abraçou (mais) esta causa, disso não tem dúvidas. Talvez pelo seu espírito indagador e pouco acomodado, quem sabe por ser gritante a homogeneidade dos participantes, o seu maior desafio neste momento é diversificar a clientela do BREAK. Com isso quer ele dizer que está a envidar esforços junto da organização e de outras entidades, no sentido de conseguir atrair novos públicos, especialmente os negros, cuja ausência é flagrante. Só para teres uma ideia, de todas as vezes que lá fui, e já são algumas, eu e uma amiga, crioula idem, erámos as únicas representantes da raça.

 

Numa sociedade cada vez mais multicultural e etnicamente diversificada, é caso para se pensar no porquê de tal acontecer. Lisboa, sobejamente associada à multiculturalidade e à tolerância, é uma cidade que conta com uma expressiva comunidade negra, mais do que qualificada para tomar parte em iniciativas do género.

 

Nesse caso, por onde andam estes exemplares que nunca deram as caras por lá? Porque não aderem a este tipo de iniciativas? Por falta de informação? Por desinteresse? Por complexo de (auto)exclusão? São as respostas a todas estas questões (e mais algumas) que o Diego procura. Só assim lhe será possível delinear uma estratégia de atração e captação de novas pessoas para o BREAK.

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6 comentários

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De Marquês a 12.10.2016 às 10:40

Conceito interessante. Confesso que não conhecia mas fiquei curioso.
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De LegoLuna a 12.10.2016 às 11:36

Marquês, a maneira mais rápida e fidedigna de saber mais e melhor é dar um saltinho até o Florida, na próxima quinta, dia 20. Pode ser que nos cruzemos por lá.
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De mami a 12.10.2016 às 10:42

gostei do artigo.
desconhecia a break (é só aparecer ou é necessário fazer algum tipo de inscrição)?
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De LegoLuna a 12.10.2016 às 11:34

Olá mami, é só aparecer. Sei pela organização que o próximo é no dia 20. Se puderes, passa por lá. Pode ser que te identifiques com o espírito da coisa.
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De mami a 12.10.2016 às 11:38

Dia 20 não posso...mas ficarei atenta aos próximos.
obrigada :)

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