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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Viva!

 

Numa mais que merecida homenagem – afinal, foi uma das atrizes que marcou a minha adolescência, época em que o único canal emitido em Cabo Verde era a RTP – , partilho contigo uma crónica da atriz Guida Maria (que pereceu esta semana, aos 67 anos, vítima daquela doença maldita) sobre o sexo oposto.

 

Não obstante ter sido publicado há mais de sete anos, o que ela disse continua tão válido ao ponto de se justificar a sua citação aqui no blog, mais não seja porque ela aborda pontos cirurgicos da solteirice: o medo de ficar só; o contentar-se com um sapo; a chicoespertice deles para conseguir faturar uma fêmea; o sentir-se confortável, à medida que a maturidade se instala, com a própria companhia; e por aí fora. Vale a pena dedicares 10 minutos a ler o que ela disse saber sobre os homens.

 

Sei o que todas as mulheres sabem, a diferença é que há as que assumem aquilo que sabem e há as outras que os mantêm neste banho-maria há séculos. Também sabem, mas calam-se por outras razões, por medo de estarem sozinhas ou por status (é muito importante terem um marido, mesmo que ele lhes ponha os cornos e que lhes dê tareias).

 

Eles não aprendem, o script é sempre o mesmo, os actores é que mudam. São sempre as mesmas histórias: são muito infelizes, tiveram um casamento que não deu certo, ela queria ser independente, os filhos dão problemas, a mãe não sei o quê. Também gostam muito de falar das ex-mulheres, é sempre culpa delas. Qualquer problema os afeta, sexualmente inclusive. Desisti de os educar. Mentem com quantos dentes têm na boca e não percebem que somos mais inteligentes: ainda não disseram nada e já sabemos. Têm o síndrome do bombeiro, têm sempre que ir apagar um fogo, vejo-os sempre com o capacete e a machadinha. Sentem-se importantes porque têm a mangueira.

 

Adoro os homens. Acho que são óptimos. Como amigos, são muito disponíveis. Quando são nossos maridos, ou amantes, ou companheiros, são muito disponíveis para as outras, portanto também são para nós de vez em quando. Tenho muito mais amigos homens do que mulheres, dou-me muito bem com eles quando não há nada entre nós nem nunca houve. Porque àqueles com quem houve nunca mais lhes falo.

 

Não perco tempo com pessoas que não se portam como pessoas. Há duas coisas muito más na vida: uma má queca e um mau ator. Um mau ator dá cabo de um texto. Uma má queca é uma chatice, é horrível, é penoso.

 

Quando era nova, atraía-me um homem alto, giro, de olhos azuis. Com o passar dos anos, para um homem me dizer qualquer coisa tem de me interessar pela inteligência. O prazer sexual é muito mais calmo, já não é uma coisa tipo cirque du soleil. Estou a falar de homens da minha idade, porque nunca tive tendência para gajos novos. Não há nada como começar com uma boa conversa, tentar descobrir o inteleto do bicho. Sei perfeitamente a idade que tenho, estou ótima, tenho saúde, mas tenho 60 anos.

 

Apaixonei-me, não muitas vezes, e sempre pelo homem errado. Eu sou uma mulher muito contínua, pensava em ter muitos filhos e ser muito feliz. Lá para os 40, pensei "ainda não estou tão mal, há-de haver um gajo minimamente inteligente, cansado de mentir, que há-de ser o sapato para o meu pé", e enganei-me redondamente.Por um lado, tenho pena que tenha sido assim.

 

Por outro lado, apesar de isso me ter trazido algumas angústias e lágrimas, acho que tenho uma experiência de vida que me permite dizer estas coisas a rir à gargalhada. Não sou uma mulher infeliz porque não tenho homem, nem nunca fui.

 

À medida que as coisas na minha vida sentimental foram desabando - e não digo que não foi por culpa minha porque a culpa não é só de um - fui encarando os desaires com mais à vontade. É a alegria dos pobres: não tive o bolo, fiquei só com a cereja.

 

Enquanto as coisas existem e nós estamos à vontade nelas e felizes, é de lutar por elas. Quando começam a descarrilar, começo a acordar mal disposta, com mau feitio, aquela coisa a respirar para cima de mim começa a fazer-me impressão, vamos lá falar. A gente fala uma, duas, três vezes e aquilo permanece. Chegou a altura de nos separarmos. Se eles fazem merda, aí não há explicações, é logo porta fora. É talvez uma forma de sobrevivência da minha parte. Acredito que foi uma fórmula que eu arranjei, no meu subconsciente. 

 

Até sempre, Guida! Até breve, single mine!

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