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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Ora viva!

 

Hoje é dia de meditação, pelo que a crónica do dia, além de chegar mais cedo, vem assinada pelo seguidor AR, o novel membro do clube Ainda Solteira, que, por acaso, demonstra bastante jeito para a escrita, não obstante laborar na área da engenharia. Durante uma troca de mensagens, apercebi-me que poderia aproveitar os seus skills para a escrita, no sentido de dar ao blog uma perspetiva masculina da solteirice. No caso do AR, de volta à solteirice, já que o seu estado civil é separado.

 

Foi assim que, esta terça-feira, desafiei-o a escrever um artigo, cujo tema ficaria ao seu critério. Acedeu de imediato, ressalvando, no entanto, que: "Não vou proteger a espécie masculina. Como um comediante que vi há pouco tempo: 'Men want all the women all the time', um claro conflito com a perspetiva da mulher: 'Women want a man, some of the times'. Mesmo à engenheiro (é pra fazer é pra fazer), envia-me ele esta manhã (às 05:45) um texto, a que deu o título de Equilíbrio. Assim que acabei de lê-lo – ao meio-dia e tal, que eu não tenho a vida dele para precisar madrugar (há que saber aproveitar o lado B do desemprego) – a única palavra que me assaltou o espírito foi: "Brutal". Confere só o seu texto:

 

Equilíbrio

"Quando, finalmente, encontrei a coragem para sair de casa, senti alívio. Sim coragem, que outra coisa podemos chamar a um ato que vai contra tudo o que acreditamos e sentimos? Passa algum tempo e talvez já não pareça coragem, agora têm um toque de estupidez com um cheirinho a arrependimento temperado com muitas dúvidas.

 

Quando o dia chegou o foco mudou para mim, como explicar ao nosso filho que os pais já não iriam mais estar juntos? Imaginei o seguinte, que nunca lhe consegui dizer por estas palavras:

"Filho, quando o pai conheceu a mãe ficámos amigos e foi plantada uma semente dentro de nós. Às vezes quando se têm muita sorte essa semente cresce e dá lugar a algo chamado amor. O amor traz com ele muitas coisas bonitas, como namorar, viver juntos, às vezes casar, e quando se têm muita sorte nascem filhos lindos como tu. 

Quando se ama, sentimos que somos capazes de fazer tudo e acreditamos que o amor estará sempre forte e à nossa espera.

Mas o amor precisa de ver, tocar e sentir, precisa de ser cuidado. Quando o pai foi para longe o amor dentro da mãe ficou triste, e com o tempo ficou cada vez mais pequenino e desapareceu. 

Quando isso acontece já não se pode ser namorados. Voltamos ao princípio, voltamos a ser amigos. E é por isso o pai já não pode ficar aqui em casa."

 

O que me leva ao título deste desabafo, Equilíbrio.

 

A minha geração, denominada por Y, carateriza-se, entre muitas coisas, por "um desejo constante por novas experiências, o que, no trabalho, resulta em querer uma ascensão rápida, que a promova de cargos em períodos relativamente curtos e de maneira contínua". Algo que li por aí.

 

Aliamos isso ao facto de ser homem e ter uma disposição natural para a competitividade, abraçar desafios cada vez maiores na eterna busca da estabilidade, seja isso o que for, pareceu-me o correto.

 

Com isso vieram os compromissos... Os dias parecem não chegar e abdicamos de algumas noites que passam ao ocasional fim-de-semana, às vezes férias. E porquê? Porque o trabalho não se faz sozinho e não pode esperar, certo?  Isso era o que eu pensava para mim. 

 

Decisão após decisão, vou seguindo confiante que é o melhor para todos. Senti que tinha força para tudo, pois as fundações estavam lá. Mas as fissuras lá iam aparecendo, os procedimentos não existiam, as inspeções não foram feitas e, apesar dos sinais ténues, a estrutura começa a desmoronar. Se tiveres sorte e agires depressa ainda vais a tempo de reparar, caso contrário vêm tudo abaixo e vão existir sempre vítimas.

 

O segredo está no Equilíbrio. E como é que ele se consegue? Se descobrir aviso, mas como sugestão, comecem por ouvir, ouvir de verdade, quem está à vossa volta. Eu não soube ouvir, agora é altura de reconstruir."

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