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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Ora viva!

 

Eu sei que fiz gazeta quinta e sexta, mas acredita que estive com os pensamentos aqui focados, mais não seja porque o sentimento de culpa não me dava tréguas e coisas para narrar desenrolavam em catadupa. Aconteceu de tudo um pouco nestes últimos dias, que nem sei bem por onde começar.

 

Fui abordada por um "homem submisso à procura de uma mulher controladora" (palavras dele, não minhas), no sentido de saber se eu estava interessada em sessões de sadomasoquismo. Para além de me perguntar se dava atendimento, e em que condições, o aspirante a Mr. Grey fez questão de deixar claro que não abria mão de estalos na cara e saltos agulhas. Sobre isso, reservo-me o direito de me pronunciar a posteriori, já que ainda estou a digerir a dita proposta. Digamos que estou em choque pós traumático, em que ainda não decidi se desato à gargalhada, se me sinto ultrajada ou, simplesmente, tentada a aceitar, já que o dito cujo declarou estar disposto a pagar o que eu entendesse. Jogou sujo ele ao dizer isso, sabendo da minha precariedade económica. Pelos vistos neste tipo de jogo, vale apelar a (quase) tudo.

 

Nesse entretanto, recebo de um pretendente um singelo e desinteressado convite para um rendez-vous, um 5 c’clock tea, mais precisamente. Animada perante a perspetiva da junção dos ingredientes lazeira de domingo, solzinho aconchegante, vista panorâmica, companhia agradável, papo interessante e chá quentinho para aquecer a alma, de bom grado aceitei. Porém, a meio da conversa, fico a saber que afinal o fulano tinha que estar naquele lugar, naquele dia e àquela hora, não especificamente para se encontrar comigo, mas para tratar da vidinha dele. Dado que se trata de uma pessoa muito ocupada, e eu uma menina muito desocupada, nada mais conveniente para ele (obviamente!) do que "encaixar-me" na sua agenda do dia. Preciso dizer qual o epílogo desta novela express? Está bem, eu digo, sei que estás mortinha por saber: "Parece-me que alguém com tão pouca disponibilidade como tu não é de todo o que procura alguém com tanta disponibilidade como eu. Vai lá para o teu retiro, reorganiza a tua vida, redefine as tuas prioridades, reformata a tua cabeça. Quem sabe nessa altura voltaremos a conversar."

 

Antes disso, na sexta, numa inocente conversa de café, deram-me conhecimento de novas opções (todas virtuais) de confraternização, pensadas à medida de uma solteira. Acaso, já ouviste falar de sugar babies e sugar daddies? Eu só agora tomei fé do conceito, pelo que ainda estou em fase de recolha de informação antes de assumir um posicionamento: pro, contra ou neutro.

 

Mas uma coisa me parece cada vez mais certa: a indústria de dar o corpo ao manifesto por um determinado valor vê em mim alguém com grande potencial, marketingamente falando. Dado que, à beira dos 40, já não ir a tempo de tentar a minha sorte como profissional do ramo, quem sabe não consiga uns biscates como cafetina ou cuddler.

 

Apesar de, a meu ver, a fonética desta palavra ser capaz de fazer corar um tomate, ao que tudo indica trata-se de uma prática decente e legítima que tem ganho adeptos por este globo fora, principalmente entre os americanos (quem mais?). Pelo que li, já há quem receba dinheiro por dar abraços, dormir "em conchinha" ou outro tipo de mimos. A esta nova (e promissora) oportunidade de negócio deram o nome de cuddling, um serviço cujo valor ronda os 330 dólares (229 euros) por sessão. Já tinha ouvido falar das festas de abraço e sessões de abraçoterapia, prática conhecida do outro lado do Atlântico, mas esta do cuddling apanhou-me completamente desprevenida.

 

E não penses que estes encontros acabam em sexo. Nada disso! Trata-se apenas de troca de carinho e aconchego que, por vezes, resulta também em jantares. Quanto à clientela, a maioria dos clientes são homens, entre os 40 e 60 anos, que têm problemas de afeto nas suas relações conjugais, não conseguem arranjar companhia ou simplesmente estão sozinhos no mundo.

 

Já viste uma coisa destas? Desde que li sobre o assunto que me venho perguntando se me safava a cuddlar (esta palavra soa mesmo mal, não achas?). Parece que 2017, de facto, me tem reservado muita abundância, como tinha previsto a minha guru do bem. Resta agora saber se ela corresponderá às minhas expectativas. O tempo, o mais sábio dos conselheiros, o dirá. Até lá, estamos juntos!

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1 comentário

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De Fiquemos pelo anonimato a 10.01.2017 às 12:00

"(...)há quem receba dinheiro por dar abraços, dormir "em conchinha" ou outro tipo de mimos."
"Trata-se apenas de troca de carinho e aconchego que, por vezes, resulta também em jantares."

A ideia até é boa, o problema é se o(a) "cliente" se afeiçoa à "prestador(a)" e o vice-versa não acontece, levando à perseguição, violação da privacidade, entre inúmera de outras coisas.
Uma prática inocente que se pode tornar um tanto perigosa.
Vamos esperar por novos desenvolvimentos

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