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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Partilho contigo o meu último artigo para a Artes&contextos, uam crítica ao filme 'UMA HISTÓRIA DE AMOR E TREVAS', publicada esta sexta-feira.

 

Baseado nas memórias que Amos Oz tem de crescer em Jerusalém com os pais, nos anos que antecederam ao Estado de Israel, esta obra destaca-se sobretudo por dois motivos: o contexto histórico no qual se insere a narrativa e a iniciação de Natalie Portman, conhecida estrela de Hollywood, nas performances da realização.

 

Quanto ao filme em si, a ação decorre em Jerusalém, no ano de 1945, altura em que o território encontra-se sob o mandato britânico, e retrata o quotidiano de uma família judia da classe média, composta pelo pai (Arieh), pela mãe (Faina) e pelo filho (Amos). Perante o conflito israelo-palestiniano, estes têm que aprender a lidar da melhor forma possível com o terror da guerra, e as consequentes fugas, a tensão racial, os dramas familiares, bem como as expectativas pessoais de cada um.

 

Fania, romântica e sonhadora, deposita todos os seus sonhos de uma vida diferente no futuro pós-guerra. Quando a independência não traz consigo o sentido de vida que esperava, ela embarca numa viagem sem volta rumo à tristeza e à solidão. Cada vez mais infeliz no casamento e intelectualmente sufocada, Fania não consegue lidar com o tédio da vida quotidiana. Para se animar e entreter o pequeno Amos, por quem nutre um amor incondicional, ela começa a inventar histórias de aventuras e caminhadas através do deserto. Uma vez sozinha com os seus pensamentos, refugia-se num mundo de fantasias românticas com um jovem e viril desconhecido.

 

Impotente perante o vazio da sua vida, Fania mergulha numa profunda depressão. Não obstante todos os esforços da família e dos amigos, nada apazigua o seu coração e muito menos acalma a sua angústia. Neste sentido, a morte afigura-lhe como "um amante tenebroso, sedutor e sedento de companhia", ao qual foi-lhe impossível resistir.

 

Agora a crítica propriamente dita e que não foi publicada por questões de sensibilidade e bom senso.

 

Em vez de UMA HISTÓRIA DE AMOR E TREVAS, penso que UMA HISTÓRIA DE AMOR E TÉDIO seria um nome bem mais apropriado para o filme. A vida da protagonista foi um tédio. O argumento, o guarda-roupa, o cenário, as falas e o happy end também andaram a deambular lá perto.

 

Para um filme que se assume como uma história de amor, não me tocou o coração e tão pouco a alma. Talvez por culpa das expectativas demasiado altas que nele depositei. Talvez pela pouca emoção que me despertou. Talvez por não ter conseguido envolver-me na trama. A meu ver, o filme é cinzento.

 

Estou certa de que o filme poderá despertar outras emoções nos outros, sobretudo naqueles que apreciam cinema de autor, sejam admiradores incondicionais da Portman (que nasceu em Jerusalém, a propósito) e/ou se identifiquem com a causa judaica.

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