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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Este é o meu último artigo, publicado ontem no Artes&contextos, órgão com o qual colaboro na qualidade de crítica de arte.

 

"Às quatro da tarde do dia 25 de fevereiro, a mais recente criação da companhia mala voadora subiu ao palco da Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, para a apresentação à imprensa.

 

Universos paralelos, com texto e encenação de Jorge Andrade, é um espetáculo de teatro atípico, logo ousado, onde o audiovisual assume claramente o papel de ator principal. Ao longo de pouco mais de 75 minutos o vídeo e a interpretação humana contracenam em paralelo e em simultâneo, numa interessante e intrigante coabitação.

 

Conforme se vai desenrolando a trama, o público é impelido a questionar a veracidade daquilo que vê, pairando no ar a questão: o que é real? O que é real é que três seguranças chegam ao seu novo local de trabalho, onde começam a visionar os trabalhadores de uma empresa através de câmaras de vigilância. E nada corre bem. Tudo isto se passa numa empresa que produz mundos semelhantes ao nosso, mas paralelos, para fazer experiências que permitam que, num futuro próximo, o nosso mundo passe a deixar de precisar de seguranças e vigilância humana.

 

No final do ensaio geral, Artes&contextos teve dois dedos de prosa com o encenador, que com prontidão assumiu que o público-alvo da peça são os adolescentes e aqueles que com eles convivem. Claro que isso não exclui, de maneira nenhuma, nenhum curioso, interessado ou simplesmente apreciador das artes cénicas.

 

Porquê esta faixa etária e não outra? Essencialmente, porque estamos numa sociedade em que o digital imiscuiu-se de tal maneira no real que as fronteiras entre estes dois mundos simplesmente esbateram-se. "Estas fronteiras tornaram-se tão ténues, se não inexistentes, que faz todo o sentido refletir sobre este fenómeno", considera João Andrade.

 

No caso dos mais jovens, cuja esmagadora maioria é adicta confessa das novas tecnologias, sobretudo dos smartphones, convém desafiá-los a questionarem a veracidade e a autenticidade daquilo que lhes é apresentado: o que veem e leem é realmente real ou um produto muito bem conseguido? Daí as tais entidades digitais sobre a qual se debruça a peça e que visam em primeira e última instância "erradicar todo o resto de humanidade que ainda temos no nosso interior".

 

Em cena até 6 de março, com sessões para o público escolar, de quarta a sexta, e para famílias, ao sábado e domingo, Universos paralelos é uma chamada à qual devemos atender, mais não seja porque não é todos os dias que temos a oportunidade de assistir a uma peça de teatro nestes moldes."

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