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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Já há algum tempo que não te faço o ponto da minha situação de desempregada, e sem qualquer subsídio público, importa referir, pelo que hoje é dia de levares com mais uma rubrica Crónicas de uma desempregada.

 

Por mais que tente - só eu sei quantos anúncios tenho respondido, quantas entrevistas tenho ido e quantas horas tenho passado a verificar o e-mail e o telefone. Das horas passadas a matutar sobre porque (ainda) não consegui ser bem sucedida nesta odisseia é melhor nem falar.

 

O propósito deste post não é chorar as minhas mágoas (se bem que motivos não me faltam), muito pelo contrário. Quero partilhar contigo uma boa novidade: o meu primeiro artigo na qualidade de crítica de arte.

 

Aceitei o desafio de ser jornalista freelancer, ou melhor dizendo pro bono, no Artes&contextos, um órgão de informação artística. Digo pro bono porque a remuneração consiste na oportunidade de ver meu nome a circular pelas ruelas há muito amargas do jornalismo artístico (sem querer ferir susceptiblidades nem dar uma de Miss I have opinion about everything), o que me pode abrir portas para futuras oportunidades de emprego, ir cimentando o meu nome para quando for lançar o meu livro e ir solidificando as minhas aptidões para a escrita criativa. Já te contei que, à conta disso, passo a ter livre acesso a estreias de filmes, ensaios de peças de teatro, festivais de cinema e coisas do género?

 

Eis a minha primeira peça como crítica de arte, desta feita de cinema:

Meu Rei (de título original Mon Roi), filme de Maïwenn, com Emmanuelle Bercot e Vincent Cassel nos papéis principais, narra de forma tocante, bem ao estilo do cinema francês, a intensa e conturbada relação de Tony e Georgio, um casal que, não obstante o evidente amor que os une, simplesmente não consegue coexistir harmoniosamente e tão pouco levar a bom porto o seu casamento.

 

As individualidades de cada um, os vícios de parte a parte, uma ex problemática pelo meio, algumas dívidas, um círculo social no mínimo questionável, um cunhado antagonista e uma explosiva atração sexual em muito contribuem para este desfecho.

 

No fundo, Meu Rei mais não faz do que expor o drama de muitos casais que não conseguem ser felizes (completamente) nem juntos nem separados, numa espécie de "mal com… pior sem…".

 

A grande carga dramática, uma constante ao longo da trama, simplesmente eclipsou-se no fim, e com isso defraudou um bocado as nossas expectativas quanto ao grand finale. Fiquei sem ter a certeza se o end foi happy ou não. Tendo em conta que passaram boa parte do filme sendo e fazendo o outro infeliz, o facto de Tony e Georgio não terem terminado nos braços um do outro pode ser considerado um final feliz. Por outro lado, e aqui fala mais alto o meu lado romântico, como podem duas pessoas que se amam serem felizes longe um do outro? Confesso que, em vez disso, preferiria um french kiss (literalmente).

 

Ainda assim, a história está bem conseguida, porque não dizer tocante e inebriante? Recomenda-se vivamente, aliás, vale sempre a pena ver um filme francês, seja lá qual for. E este então… por algum motivo foi a protagonista galardoada com o prémio de interpretação feminina em Cannes e a película nomeada para 8 Prémios César.

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