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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Como qualquer jobless que se preze, diariamente acabo por consumir dezenas de anúncios de ofertas de emprego. Mas não só. Devoro igualmente artigos, recheados de dicas, sugestões, conselhos e instruções, sobre as melhores práticas a serem aplicadas aquando da busca, da entrevista e do follow-up.

 

Acabei de ler há instantes mais um, bastante interessante por sinal, pautado por um discurso claro, fluido e pertinente, sobre erros a evitar numa entrevista de emprego. Dado que nas últimas semanas devo ter ido já a umas 10 (às tantas começo a perder a conta), não é de estranhar que me tenha identificado com algumas das situações narradas e tenha feito um break para vir aqui divagar sobre o assunto.

 

Por mais gentil que eu queira ser para com a minha pessoa e amaciar o meu ego, a esta altura do campeonato sensível e carente, vejo-me impelida a reconhecer, com a sobriedade que me é exigida, que, de facto, tenho estado a cometer alguns dos erros mencionados no texto. De forma inconsciente, porém reiterada. Essa é que é essa!

 

Já não há margens para dúvidas que, de entre os oito tópicos listados, os meus maiores pecados são dois: a arrogância e falar mal do antigo empregador. Não pensem que desatei a insultar ou a criticar a entidade. Não de todo! Até porque é contra os meus princípios falar mal de quem quer que seja, ainda mais quando essa personagem já não faz parte da minha vida, logo está destituída de qualquer significância para a minha pessoa. Apenas cometi a ingenuidade, melhor dizendo, a insensatez, assumo e faço mea culpa com a devida humildade que tanto preciso exercitar, de revelar aspetos nada abonatórios relacionados com o meu último emprego.

 

Afinal que esperavam que eu fizesse? Perguntaram-me e respondi ipsis verbis como as coisas se passaram. Eu e essa minha língua comprida (bem que a minha progenitora sempre diz que a minha boca é que me mataria), maldita sina de dizer a verdade, sem anestesia, make-up ou acessório.

 

Torna-se agora imperativo que eu intensifique a minha ação formativa (e normativa) na matéria de aprender a filtrar melhor o que digo, a não contar tudo e menos ainda relatar fielmente os episódios mais suscetíveis de ferir a sensibilidade do entrevistador (esta soou bem, admitam lá!).

 

É aqui que entra o meu (eterno) dilema moral: se não fiz nada de errado, na verdade até fui eu que me despedi, na medida em que aquele trabalho atentava contra os meus princípios morais e éticos mais básicos, porque devo distorcer a verdade dos factos? Qual o problema de chamar as coisas pelos nomes e fazer um relato fiel dos acontecimentos? Se questionam é porque querem saber, certo? E se querem saber, porque não haveria esta criatura aqui escusar-se a dizer a verdade, somente a verdade e nada mais do que a verdade?

 

Pelos vistos, os entrevistadores com os quais cruzei-me nos últimos tempos não partilham desta minha visão das coisas. Tanto assim é que continuo em casa a chorar as minha mágoas neste blog. Assim, se quiser ser bem sucedida na próxima entrevista, convém elaborar um guião e decorá-lo na íntegra. Já assumi que ao entrevistador pouco interessa a veracidade dos factos, mas antes aquilo que lhe soe a politicamente correto.

 

Perante tamanha formatação de pensamento e práticas empresariais, não admira que o mercado laboral nacional abunde com assalariados incompetentes, dessimulados e oportunistas que tiveram a sabedoria (ou será esperteza?) de, ao longo do processo de recrutamento e seleção, revelar exatamente aquilo que deles se esperava ouvir, conquistando assim o seu lugar ao sol junto da população ativa. Trata-se de uma estratégia inteligente, não tenho como negar (tiro-lhes o chapéu por isso). Afinal, o mais importante é conseguir aquilo a que se propuseram: um trabalho.

 

Eu é que tenho que abrir a pestana, adaptar o parlapiê às expetativas dos recutadores e fazer-me à estrada. Sabem que mais? Vou mas é retirar a última experiência profissional do meu currículo, que assim ficarei salvaguardada do risco de falar demais. Como correu sempre tudo pelo melhor nas restantes experiências laborais, nada terei a temer quando me inquirirem sobre o assunto.

 

Sábia decisão Lego e com esta volta à tua busca pelo trabalho, que este blog não te paga as contas.

 

Meus amigos, fui!

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