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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


02
Dez16

death-in-the-hood.jpg

Ora viva!

Não consigo dormir, nem mesmo sob o efeito dos fármacos altamente sedativos que estou a tomar por causa do desvio na cervical. É este o motivo que me traz aqui a esta hora, deveras surpreendente. Com este artigo tento extravasar o que me vai na alma.

 

Ontem à noite, no rescaldo do meu aniversário – tinha cá em casa um pretendente que fez questão de me vir dar os parabéns – recebi a notícia de que o irmão do meu pai faleceu, vítima de doença prolongada. Ainda não sei qual a doença que o vitimou, apenas sei que se encontrava, há já algum tempo, em tratamento nos Estados Unidos. Não éramos muito próximos, tenho que assumir. Só para teres uma ideia, nos últimos 20 anos, só o devo ter visto duas na vida.

 

Emigrou era eu um protótipo de gente, nas vezes que foi de férias não me lembro de os nossos caminhos se terem cruzado; anos depois foi a minha vez de atravessar o Atlântico; entre encontros e desencontros só voltei a vê-lo há coisa de sete anos. Por tudo isso, não posso dizer que esteja devastada com o seu passamento. Ainda assim é uma pessoa que morre, alguém em cujas veias corria o mesmo sangue que o meu; alguém que era pai, marido, irmão, filho, tio e amigo; alguém que já não vai fazer parte da vida dos seus entes queridos.

 

Ainda assim, é óbvio que estou abalada com o falecimento dele. Ainda não consegui reunir estofo emocional para ligar ao meu pai. Sei, pelos meus irmãos, que ele está arrasado – como era de se esperar –, até porque, fisicamente, ele e o meu tio pareciam gémeos autênticos.

 

Não consigo definir o meu estado de espírito. Lamento – mesmo! – a morte dele. Afinal é o meu tio. Por outro lado, não sofro como acho que é suposto sofrer quem perde um familiar tão chegado. Confesso que me sinto um tanto culpada por não ter conseguido derramar uma única lágrima, não obstante esse aperto no peito com que estou desde que tomei conhecimento da notícia.

 

Penso que seria hipocrisia da minha parte forçar uma dor que não me é legítima, que não me é devida, que não me é sentida, já que não havia conexão sentimental com este parente. Como poderia, se mal o conhecia e pouco privei com ele? Sequer conheço os meus primos, filhos dele, e menos ainda a esposa.

 

A morte é algo que (ainda) não se fez muito presente na minha vida. Ainda bem! Claro que já convivi – demasiadas vezes até – com o desaparecimento físico de pessoas conhecidas, algumas bem queridas. Tirando a de um ex, talvez, o grande amor da minha vida, nunca senti o verdadeiro e arrasador efeito da dama de negro, nem mesmo aquando do falecimento da minha avó materna, que só me lembro de ter visto uma vez na vida. Vida de crioulo é assim mesmo: por causa da emigração, não se chega a conhecer ou conviver com parentes, alguns bem próximos.

 

Enfim… para todos os efeitos estou de luto e em recesso sentimental. E tu, meu bem, qual a tua (não) relação com a morte? Gostava de saber o que simboliza ela para as outras pessoas, já que, para mim ela representa algo a ser temido – obviamente – mas pouco presente.

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3 comentários

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De Sandra Gomes a 02.12.2016 às 09:56

Bom dia meu bem, cá está a chata de novo :)
Eu temo a morte, e muito mas sou como tu, ainda não está bem presente porque nunca perdi alguém realmente querido, tirando as minhas avós.
Acho que é uma sensação de perda indescritível, é o adeus definitivo a alguém que sabemos nunca mais ver.
Para mim a morte é uma dor terrível, quando penso nela. Acho que não fomos feitos para morrer.
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De LegoLuna a 02.12.2016 às 10:29

Bom dia. Que chata que nada. És sim uma das seguidoras ativas, que, com os seus comentários, confere mais emoção e interação a este blog. Fica sabendo que aprecio bastante os teus achegas e que estes serão sempre bem acolhidos. À parte isso, tenho a dzer que partilho da leitura que fizeste do assunto. Obrigada e bom fim de semana.
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De Sandra Gomes a 02.12.2016 às 10:52

Estás melhor das dores?
Os meus "achegas"? Isso soa a tau-tau querida :)

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