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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Em estado de choque e negação, ainda busco respostas para a catástrofe política de quarta-feira. Se nunca morri de amores pelo modo americano de ser, agora então... Foi por isso que ontem, apesar de ter estado de folga, não dei as caras por aqui. Na verdade, não dei a cara em lado nenhum. Sem sequer por o nariz fora de casa, passei o dia todo no sofá a ver filmes. Em momentos como esses, em que levo um baque da realidade, a ficção é, sem dúvida, o meu melhor refúgio.

 

O que me consola é que por cada dez políticos de quinta – os Trash da esfera pública, como lhes chamo – existe, pelo menos, um político digno desse nome. O presidente dos afetos, vulgo Marcelo Rebelo de Sousa, é um desses exemplos capazes de nos fazer resgatar a fé e a confiança numa classe que, supostamente, deve ser a legítima representante dos interesses dos cidadãos.

 

Por me ter movimentado durante anos na arena diplomática tive o privilégio de com ele privar em várias ocasiões, muito antes da sua chegada a Belém. Na minha perspetiva, uma figura digna, afável, hiperativa, irrequieta, bem disposta, com um sentido de humor apuradíssimo e cumpridor da palavra dada.

 

Conhecia-o dos media – quem não? – mas o nosso primeiro tête-a-tête foi num seminário na Culturgest, já lá vão uns anitos. Chamou-me logo a atenção o entusiasmo que transmitia na voz, o domínio magistral da oratória e a descontração e espontaneidade com que se chegava a todos. No intervalo desse evento, por sabê-lo sozinho na primeira fila, lá fui eu – na qualidade de responsável pela informação e comunicação de uma missão diplomática – meter conversa, a fim de assegurar-me de que de nada se queixava ele. Dois dedos de prosa depois, éramos praticamente BFFs; tanto assim foi que permiti a captação do momento em imagens, coisa pouco comum na minha postura profissional e pessoal.

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Sou aversa a tirar fotografias com figuras públicas, por mais importantes e mediáticas que estas sejam. Só para teres uma ideia, já estive com o CR7 em duas ocasiões, com vários chefes de estado e de governo, incontáveis ministros, cantores, atores, apresentadores, celebridades nacionais e internacionais e por aí fora, sem nunca ter registado o momento. Até já estive com o (falecido) Kadafi, imagina tu.

 

De entre todas essas personalidades apenas fiz questão de guardar para a posterioridade o meu momento com o professor Marcelo e com o jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos. Os motivos para tal, deixo ao teu critério.

 

Voltando ao professor, um tempo depois voltei a encontrá-lo num outro evento, desta feita no Palácio Foz. Dado que a Feira do Livro de Lisboa ia arrancar em breve, convidei-o, ainda que informalmente, a visitar o pavilhão do país que representava e no qual ia estar a trabalhar. Aceitou de bom grado o convite e garantiu que daria um saltinho até lá.

 

Como promessa de político é o que se sabe, ainda mais para alguém cuja agenda estava sempre assoberbada, não depositei muita fé nisso. Qual não foi o meu espanto, e contentamento, quando, no dia combinado, lá me aparece um sorridente Marcelo à frente. Cuscou, indagou, partilhou estórias, comprou, conversou, brincou, pousou para a câmara e até deixou-se levar pelo doce embalo de uma morna, tocada ao vivo na praça em frente. Se dúvidas houvesse, foi nesse dia que me rendi definitivamente aos seus encantos.

 

Voltei a encontrá-lo em outras ocasiões, sendo a última em maio deste ano, aquando da tomada de posse dos novos órgãos da ordem profissional para a qual estava a prestar serviço. Nessa altura – ele o mais alto magistrado da nação e eu uma mera técnica, ainda por cima contratada a prazo – só me foi possível visualizá-lo ao longe. Sequer tive oportunidade para aquele abraço amigo e votos de um mandato recheado de afetos e consensos.

 

Lembrei-me de partilhar contigo a minha estória com o presidente dos afetos, a propósito da última imagem dele, que anda a fazer furor nas redes sociais, no qual ele é "apanhado" a engraxar os sapatos numa rua de Lisboa como um simples e comum mortal. Porque o político não passa disso mesmo: um mero mortal no qual o povo confiou para defender os seus interesses e proporcionar-lhe uma vida mais digna, próspera e pacífica.

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