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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

16
Jan17

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Ora viva!

 

A rede é uma coisa fantástica, que não para de nos surpreender, não é mesmo? A cada clique uma novidade. A de hoje prende-se com uma nova designação da sexualidade. Para além de assexuado, bissexual, homossexual, pansexual, sapiossexual, metrossexual, e companhia limitada, agora existe o demissexual. Já tinhas ouvido falar?

 

De acordo com o site demisexuality.org, este conceito tem como definição "um estado em que a pessoa só se sente sexualmente atraída depois de formar uma ligação emocional". Ou seja, as pessoas demissexuais não se sentem sexualmente atraídas por alguém, independentemente do género, sem primeiro criarem um forte laço emocional.

 

Ainda sobre este assunto, um artigo do Washington Post, assinado por Meryl Williams, explica um pouco melhor em que consiste a demissexualidade: "Há uns anos, sentia-me culpada por deixar frustradas as pessoas com as quais me envolvia. Não queria sentir a necessidade de explicar o porquê de não me sentir preparada para uma fase mais íntima… Normalmente coloco o intelecto e o sentido de humor à frente da beleza de alguém. Se um homem não disser nada ofensivo e me fizer rir no primeiro encontro, é provável que marque um segundo. Mesmo assim, sei que os atributos de uma pessoa não garantem necessariamente que haja uma atração física. Tenho de ser paciente e esperar que esta surja".

 

Numa sociedade que parece incentivar o culto do "dar à primeira", assumir esta postura é, por vezes, uma tarefa hercúlea, inglória por demais. Disso não tenha dúvida! Vejamos: se damos logo somos fáceis, se não damos somos esquisitas, armadas em difíceis, complexadas ou estamos a jogar para valorizar o produto.

 

Independentemente de como a sociedade encara esta questão, o que sei é que está encontrada a minha orientação sexual. Sou demissexual e não se fala mais no assunto. Agora até tenho um argumento científico a que recorrer na hora do nega.

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07
Dez16

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 Ora viva (declaro instituída a saudação oficial deste blog)!

 

Depois de um fim de semana de chuva (urgh), retomo ao teu convívio com as conclusões de um artigo da Insider Pro sobre algumas facetas de um verdadeiro líder. Tenho a impressão que já aqui tinha falado sobre, mas dado que esta (humilde) solteira acusa todas elas – sim, leste bem –, nada mais natural que volte a trazer o assunto à baila, mais não seja por não querer perder a oportunidade de me gabar.

 

Ao partilhar contigo os 10 sinais que caraterizam um líder 5*, expecto ajudar-te a reconhecer o líder que há em ti. Afinal, acredita-se que raramente se nasce líder e que alguns dos grandes líderes que já terás encontrado na tua vida nem sabem que são líderes. Não é o meu caso, está-se mesmo a ver.

 

Sinais de um bom líder:

1. Mente aberta e vontade de saber a opinião dos outros
Se as pessoas falam contigo por seres aberto à opinião alheia e se procuras conhecer as suas perspetivas, és um líder.

2. Propensão para dar dicas e conselhos
Se dás conselhos aos teus colegas, se os teus amigos te procuram para saber o que pensas e se as pessoas valorizam o que dizes e se ajudas os outros a superarem períodos difíceis, líder és.

 

3. Alguém com quem se pode contar
Se mostras responsabilidade constante e os outros confiam em ti, se acreditam nas tuas promessas e pretendem seguir-te, adivinha lá o que és.

 

4. Bom ouvinte
Ser capaz de ouvir os outros ou de levá-los a desabafarem contigo, confiando os seus segredos, sem se preocuparem com o uso que poderás fazer destas informações são sinais de forte liderança (e de que és uma boa pessoa).

 

5. Servir de exemplo e inspirar seguidores
Se és pessoa para estar presente nos bons e maus momentos, se és eficaz e trabalhas arduamente para resolver as coisas, ao ponto de seguirem naturalmente o teu exemplo, és um líder.

 

6. Perfecionismo
Quando a qualidade do resultado é a tua maior prioridade – ou quando mostras aos outros que preferes agir a falar, mostrar a dizer e cumprir a prometer – e quando manténs um padrão de excelência e qualidade, és um líder.

 

7. Otimismo
Uma atitude otimista não fecha os olhos aos problemas, mas permite encontrar algo bom em quase todas as situações. Se tens esse tipo de espírito – que mantém as pessoas motivadas e felizes – és um líder.

 

8. Respeito
Se procuras ver o lado bom das pessoas com que convives e se respeitas quem te rodeia, é provável que te estimem bastante e que te vejam como um líder.

 

9. Preocupação sincera
Se apoias os que estão ao seu redor, dás conselhos amigos e partilhas o que sabes – dando a eles oportunidades para serem bem sucedidos – e se te preocupas verdadeiramente com o bem-estar dos outros e fazes tudo para ajudá-los, és um líder.

 

10. Confiança e entusiasmo
Se segues em frente com autoconfiança e és apaixonado por aquilo em que acreditas, combatendo todos os obstáculos que surgem no caminho e se trabalhas constantemente para atingir uma meta com confiança, és um líder.

 

Depois do que acabaste de ler, achas que és um líder?

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28
Nov16

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O artigo de hoje inspira-se num outro intitulado Viver sozinho é uma tendência que veio para ficar, do Sapo LifeStyle. Dado a sua extensão, retirei apenas a parte que considerei mais relevante para a temática deste blog. Falemos então da solitude e da abordagem social a este fenómeno cada vez mais pujante e menos dramático.

 

O número de pessoas que optam por viver sozinhas, por opção ou por imperativos da vida, está a aumentar. Esta é uma tendência cada vez maior, sobretudo nos países mais desenvolvidos. Só para teres uma ideia, de acordo com os Censos de 2011, 8,2 por cento da população residente em Portugal vive sozinha, um número que duplicou nas últimas duas décadas.

 

Fruto de uma escolha ou resultado de circunstâncias da vida, morar sozinho está longe de ser sinónimo de isolamento, individualismo ou perda da importância da família. De acordo com Bella de Paulo, psicóloga da Universidade da Califórnia e uma das principais estudiosas da vida em solidão, citada num artigo recente do jornal El País, por norma, os solteiros contatam mais com amigos vizinhos e familiares do que as pessoas casadas.

 

"Outro conceito erróneo sobre os solteiros é o que os retrata como pessoas que fogem ao compromisso. Muitos deles têm mais tempo livre que dedicam aos amigos, familiares mais velhos ou, inclusivamente, a fazer algum tipo de trabalho social ou voluntário para a comunidade", remata esta especialista.

 

No livro Famílias nos Censos – Diversidade e Mudança, o capítulo Pessoas Sós em Portugal: Evolução e Perfis Sociais aponta vários fatores que confluem para o cada vez maior número de pessoas a viver sozinhas. "Nos últimos anos, a sociedade tem-se desenvolvido num sentido mais individualista, ou seja, cria-se a necessidade de uma população cada vez mais autónoma", escreveu Cristiana Pereira.

 

"Alguns estudos sobre este tema referem que as pessoas que vivem sozinhas sentem-no como uma marca de distinção e sucesso. E, por isso, vêem-no como uma forma de investir tempo no seu crescimento pessoal e profissional", afirma a psicóloga clínica da Oficina de Psicologia, para quem este tipo de investimento é necessário, tendo em conta a fragilidade das estruturas familiares e laborais contemporâneas. "Existe cada vez mais a necessidade de as pessoas serem capazes de dependerem delas próprias", salienta.

 

Esta tendência, que não é nova, mas que só agora ocupa o espeço que lhe é devido na esfera social, tem provocado mudanças na oferta de serviços, ao mesmo tempo que lança um desafio para o futuro. Como criar redes de apoio para uma futura geração de idosos sós? Esta é uma das perguntas que já começam a exigir respostas.

 

É um facto que há cada vez mais pessoas que vivem sozinhas. E gostam! Um paradigma que está a levar ao aparecimento de novos negócios e que obriga a repensar o futuro das novas gerações, levantando interrogações para as quais ainda não existem muitas respostas.

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25
Nov16

achas-que-tens-mau-feitio1.jpgOntem, um pretendente acusou-me de ser teimosa e ter mau feitio. Na altura, achei por bem não reagir, pois tenho tentando reprimir respostas a quente, das quais, quase sempre, me arrependo. Hoje, dou-lhe a resposta através deste artigo.

 

Um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, atesta que, tanto eles como elas, tendem a procurar parceiros que apresentem um comportamento fora do vulgar ou rebelde. Alguém com perfil out of the box (fora da caixa), digamos assim.

 

Esta pesquisa vem assim acrescentar (mais) um interessante dado aos padrões de comportamento instituídos e valorizados pela sociedade, ao mesmo tempo que desformata a ideia de que os homens preferem as boazinhas e bem comportadas.

 

Na realidade, muitos até preferem, já que mulheres assim – pacatas e cordatas – não dão muito trabalho, sendo mais fácil dominá-las e levá-las na cantiga. Por outro lado, mulheres como eu – donas e senhoras do seu nariz, que dizem o que pensam e pensam o que dizem, que não se anulam para tentar agradar nem recorrem a subterfúgios para conseguir caçar um macho – requerem mais inteligência, empenho, dedicação, jogo de cintura, tato e diplomacia.

 

Somos mais difíceis de conquistar e aturar, é verdade. Mas valemos, infinitamente, mais a pena, pois connosco a monotonia não fica para o jantar. Connosco tudo é intenso e arrebatador: a conquista, o beijo, o sexo, a zanga, a reconciliação, o tempo que se passa junto, a relação, a emoção e por aí fora.

 

Por termos personalidade forte e atitude firme; por sermos não-conformistas e portadoras daquele "feitio especial", que aos outros soa mais como maldição do que como bênção, quebramos as regras, pensamos pela nossa própria cabeça, emitimos opiniões sentidas e tomamos decisões por nós mesmas.

 

Colidimos com o senso comum? Claro que sim! Chocamos vezes sem conta? Podes crer! Somos passionais e reativas? Desde o berço! Por tudo isso, e mais umas quantas caraterísticas de que falarei noutra ocasião, somos mais interessantes, mais intensas, mais genuínas, mais autênticas e mais humanas. Sorte daqueles que nos souberem apreciar. Azar dos restantes (tapados), personalidades sem colhões para lidar com mulheres assim.

 

Pronto, está dado o recado.

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Já ouviste falar dos homo sapiens? E do casamento entre indíviduos desta espécie? Faço-te esta pergunta a fim de saber se acaso pertences ao (des)informado grupo de portugueses que já ouviram falar do assunto, apesar de não fazerem a mínima ideia do que se trata. À toa com este meu parlapiê? Espreita só este vídeo que já entendes do que falo.

 

Boas gargalhadas, que este ensolarado dia pede humor e descontração.

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Ainda na senda do artigo de ontem, hoje partilho contigo algumas razões para se ser solteiro. Sei que não precisas delas, mas é sempre bom estarmos a par do que se passo no Single World, um universo só nosso, que muitos não aprovam, outros não descodificam, vários invejam e uns alguns simplesmente rejeitam.

 

Não estar emparelhado é uma condição cada vez mais comum e que, felizmente, já não assume aquela conotação pejorativa ou determinativa do nosso grau de atratividade e felicidade. Começa-se assim a perceber que há mais pessoas solteiras do que se pensa. Por exemplo, na Suécia, um dos países com maior índice de desenvolvimento humano e felicidade, quase 60% da população vive só. Dá que pensar, não dá?

 

A propósito disso, invoco a obra Going Solo, da autoria do sociólogo Eric Klinenberg, que, entre outras coisas, aponta nove boas razões para se ser ou continuar solteiro:

1. São geralmente mais sociais do que os casados.

2. São benéficos para a economia, já que tendem a sair mais à noite e a gastar mais dinheiro em bares e restaurantes.

3. A maior parte das pessoas gosta de estar junto de solteiros, já que são "mais interessantes e divertidos", nas palavras do autor.

4. São boas para o mercado imobiliário (só nos EUA representam 1 terço dos compradores).

5. Têm mais poder político porque são cada vez mais.

6. Têm mais parceiros sexuais.

7. Investem mais nas suas carreiras profissionais.

8. Têm mais tempo pessoal, já que o tempo que passamos sozinhos é muito importante para revigorar a mente.

9. Estão a mudar o mundo e a desformatar paradigmas antigos. Por exemplo, há 32 milhões de americanos solteiros, o que faz com que a base da sociedade se altere profundamente.

 

Depois desta, sou uma solteira ainda mais feliz.

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Olha lá, que tipo de seguidor(a) és tu que não me deste um toque na sexta-feira, dia 11 de 11, (alegadamente) o dia mundial do solteiro? Pelo menos na China. Mau mau mau... Acaso não sabes que a minha vida hoje em dia resume-se a cama-trabalho-cama e que por causa disso ando praticamente por fora da atualidade? Foi por isso que só me dei conta da efeméride dois dias depois. Como é que esta data pode ter passado em branco, justamente aqui um espaço essencialmente dedicado ao tema?

 

Bom, o que lá vai lá vai... O facto é que, nos próximos dias, vais ter que levar com dois artigos alheios  – muito bons por sinal, não te preocupes – alusivos ao assunto, pois não há tempo nem cabeça para enfornar algo da minha autoria. O de hoje é um pertinente texto de Ana Chaves, publicado a 22 de agosto último; mais um testemunho de que ser solteiro não significa estar só. Pelo contrário!

 

Durante várias gerações impregnou-se a ideia, no que respeita às mulheres, de que ser-se solteira era sinónimo de "ficar para tia" como se se tratasse de uma condição que ia resistindo impávida e incólume ao passar do tempo. Para aquelas mulheres, permanecer só nunca foi uma opção — mesmo que fosse. Ninguém as queria.

 

Para os homens, o inverso. Davam-se ao luxo de gozar a vida (e as mulheres), de escolher casar ou ter filhos, de preferir não assumir compromissos. O livre arbítrio era um capital exclusivamente masculino — mesmo que, na realidade, ninguém lhes pegasse.

 

Mudam-se os tempos (e os verbos), percebem-se as vontades: viver só é diferente de sentir-se só. A independência/autonomia afectiva e a multiplicidade das experiências nas residências unipessoais são sinais evidentes das designadas sociedades líquidas do pós-modernismo em que as hierarquias e as tradições mais rígidas se vão esboroando.

 

A palavra "solteiro" determina tão-só um termo estatutário e não um estado de alma, um desamparo, um infortúnio. Dito de outra forma: num quadro de escolha, o copo da escova de dentes não é partilhável.

 

"Maria Silva" (nome fictício) está solteira há quase meio ano. Filha única, sempre se habituou a estar só e confortável no silêncio. No seu grupo de amigos, há vários na mesma situação, os tais que escolheram não ter um compromisso ou, por outro, que preferem estar sós a "mal acompanhados".

 

Não se trata, no entanto, de um acto celibatário. Maria, não nega que, no futuro, possa ter uma companhia, "mas para me fazer abdicar deste conforto e liberdade, terá que ser alguém muito especial". Até porque a médica de 33 anos, diz não experimentar a solidão.

 

"É uma opção muito lúcida"

Fátima Simão sente-se menos sozinha actualmente, enquanto solteira, do que na sua última relação, que durou quatro anos. É uma "opção muito lúcida" e trata-se sobretudo de uma questão de auto-estima, liberdade e conforto pessoal.

 

Os amigos há muito que desistiram de forçar encontros/relações precisamente porque se aperceberam que esta é uma escolha, não é uma infelicidade. Reconhece o preconceito nos olhares alheios, embora cada vez a incomodem menos. No entanto, estar solteira não é um "statement": "Se aparecer alguém, tudo bem, vamos ver. Não vivo centrada nisso".

 

Aos 35 anos, Fátima já não acalenta a ideia romântica do "viveram felizes para sempre" e ser mãe não é uma prioridade.

 

Rosário Mauritti, socióloga e docente no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, abordou precisamente este tema na sua tese de doutoramento. Em 'Viver Só', a socióloga tece uma diferença bem clara entre "viver sozinho" e "estar só" ou "sentir-se só": "Estas pessoas não se vêem a si próprias como sozinhas ou solitárias", frisa em entrevista ao P3.

 

A sua amostra, composta por 36 indivíduos, revela perfis-tipo idênticos, com "laços familiares e amicais bastante fortes", salientando-se vidas muito intensas, pautadas pela autonomia e equilíbrio, pouco permeáveis a cedências em termos de espaço, objectos e até calendário. As mono-residências conduzem ainda a processos de individualização, autonomia, emancipação.

 

A felicidade de estar só

Solteiro há dois anos, Flávio Rodrigues não se imagina a viver uma relação tradicional. "Se me voltar a apaixonar, o ideal será cada pessoa ter a sua casa; também não quero casar e prefiro não ter filhos".

 

Flávio namorou durante dez anos e, nesta fase da vida, sente "necessidade de estar sozinho". "Ter o meu próprio espaço, uma casa que pude decorar ao meu gosto sem ter que negociar quais vão ser os tapetes ou os lençóis da cama foi algo muito importante para mim. Imaginava muito como seria a minha casa e agora não me vejo a partilhá-la com ninguém".

 

"Não vive só quem pode, vive quem quer"

Apesar do número de agregados unipessoais ter vindo a aumentar ao longo das décadas, em termos gerais, nesta matéria Portugal apresenta, depois de Malta, menor expressão do que qualquer outro país europeu.

 

Em 2015, segundo a Pordata, 59,4% dos suecos viviam sós, seguidos pela Dinamarca (43,9%), Finlândia (40,9%) e Alemanha (40,9%); em Portugal, apenas 21,6% da população não partilha o lar. Rosário Mauritti explica: "Nos países nórdicos, sair da casa dos pais faz parte do ritual de passagem para a vida adulta. Esta auto-experimentação é até apadrinhada por todos — e Portugal não tem esse tipo de orientação cultural". "Aqui, não vive só quem quer, vive quem pode", conclui a socióloga.

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10
Out16

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"Era uma vez uma linda e (não tão) jovem rapariga chamada Ainda Solteira. Órfã de quase tudo (pátria, namorado, descendente, emprego, dinheiro e companhia social), a nossa heroína pela cidade vagueava à procura de eventos onde pudesse conviver, espairecer e conhecer pessoas novas. Numa dessas andanças, deu por si no salão nobre de um bonito castelo chamado Hotel Florida. É lá que se reúnem todos os meses os breakers, os participantes de um fantástico evento chamado BREAK".

 

Assim começa esta (nova) crónica sobre o after-work que acontece todas as penúltimas quintas-feiras do mês, a partir das 19 horas, no Hotel Flórida, em Lisboa. Já aqui tinha falado desta atividade, só que, na altura, ofuscada pela novidade do conceito, o artigo centrou-se essencialmente na refeição gratuita, no convívio e no sigthseeing. Hoje, na qualidade de freguesa da casa, quero dar-te a conhecer-te o outro lado do BREAK.

 

Aquando da última edição, já mais à vontade para partilhar algo mais que nome, profissão e situação laboral, lá comentei com um dos elementos do staff que tinha escrito sobre o assunto no meu blog. Daí a sacar do smartphone e aceder ao artigo foi um clique, três para ser mais precisa. Assim que acabou de lê-lo, este não se conteve: "O BREAK é muito mais do que aqui descreves. O que tentamos fazer é essencialmente networking e não dating."

 

Não fazendo caso do meu ar um tanto ou quanto debochado, desafiou-me a voltar a escrever sobre o assunto; desta vez, enfatizando a verdadeira natureza do BREAK e o seu real propósito: promover um contacto espontâneo e informal entre os participantes. Segundo ele, urgia desmistificar a ideia de que o movimento apenas serve para comer de graça e conhecer pessoas.

 

De bom grado acedi, pelo que dias depois, num final de tarde e em plena área de restauração das Amoreiras, lá estávamos nós – eu e o relações públicas deles – numa amena cavaqueira, que se alongou pela noite dentro, tal o entusiasmo dos intervenientes.

 

Diego Alvarez é o rosto à frente do BREAK e a pessoa que se disponibilizou para me dar a conhecer melhor esta iniciativa. É ele quem, mensalmente, recebe os convivas à entrada do salão onde decorre a atividade, dá-lhes as boas vindas e encaminha-os para os grupos com afinidades.

 

Jovem de trinta e tal anos, (ainda) solteiro, argentino por nascença, mas cidadão do mundo por preferência, a ele cabe fazer as honras da casa e garantir que ninguém se mantenha à parte. Não nessa noite. Sobre ele importa saber que, nos últimos 15 anos da sua vida, fixou residência em nove países (para além da sua terra natal, passou por Espanha, Inglaterra, Irlanda, Rússia, Polónia, Croácia, Ucrânia e, há coisa de dois anos, Portugal).

 

Cansado do clima das terras celtas – o último país onde viveu foi a Irlanda –, a escolha por terras lusas é fácil de se justificar: bom clima, boa comida, custo de vida barato e extenso património cultural. Resumindo e concluindo: veio atraído pela qualidade de vida.

 

Segundo ele, a adaptação não conheceu dramas dignos de registos, até porque o idioma luso não lhe era estranho. Em terras de sua majestade, com os brasileiros conviveu o suficiente para aprender a língua de Camões. Para além disso é licenciado em línguas e comércio internacional e marketing, o que justifica o seu à vontade para com meia dúzia de idiomas.

 

Recém-chegado à Alfacelândia, isto é, ávido por conhecer e explorar o (vasto) programa cultural que por aqui abunda, o primeiro passo deste latino-americano foi pesquisar na internet o leque de ofertas disponíveis. Foi assim que tomou conhecimento, através de um meet up, do BREAK. Como deves imaginar, tal achado despertou-lhe um interesse imediato, até porque pareceu-lhe uma excelente oportunidade para conectar-se com pessoas com interesses similares.

 

Seguindo o protocolo, Alvarez lá deu o ar da sua graça na edição seguinte do evento. Todo janota e desejoso de se enturmar, foi com deceção que, ao final da noite, o saldo de conversação pautou-se por um único diálogo: um alemão, que só meteu conversa com ele por tê-lo tomado por tuga. A impressão que lhe ficou dessa noite foi que os portugueses são acanhados e ilhados no seu mundinho.

 

Detetada a lacuna em termos de relações públicas – ausência de alguém que dinamizasse a coisa e estabelecesse a ponte entre as pessoas –, não pensou duas vezes. Enviou um e-mail à organização, dispondo-se a assumir o papel de mestre-de-cerimónias, em regime de voluntariado. Sim, porque este descendente direto dos maias, incas, aztecas e afins é um espírito indagador, inquieto e inconformado. Além da simpatia e do à vontade para meter conversa, requisitos que se exigem a um bom comunicador, ele é um dinamizador/empreendedor como poucos: está envolvido em tantos projetos – alguns internacionais – que nem sei aonde vai buscar tempo, energia e cabeça para dar conta de tudo. Para além do BREAK, faz souvenirs que ele mesmo vende aos turistas, escreve para jornais digitais, frequenta um mestrado e, nesse meio tempo, ainda procura a mulher da sua vida.

 

A sua atitude proativa, aliada ao background diretamente importado dos países por onde passou, valeram-lhe no BREAK o cargo de tinder humano, como eu própria o batizei. Já que o papel dele mais não é do que assegurar o match entre breakers com interesses compatíveis, achei que o nome não poderia ser mais adequado.

 

Mas em que consiste exatamente este networking que o BREAK tanto se esforça por promover? Antes de responder a isso, convém dar-te uma ideia concreta do que faz (exatamente) este tinder humano a partir das sete da tarde da penúltima quinta-feira do mês no Hotel Florida. O Diego posta-se, feito sentinela, à entrada do salão, batendo continência (com dois beijos, no caso das damas, e um aperto de mão, no caso dos "damos") a todos os que trespassam pela porta. A seguir, mais descontraído, apresenta a sua pessoa, apresenta o BREAK, dirige-se a cada um indagando sobre a profissão ou área de interesse. Feito isso, vai encaminhando os participantes para os grupos com interesses parecidos. Deles exige apenas que tentem falar com cinco pessoas, no mínimo.

 

Não faz follow-up sobre o que acontece fora das paredes do Hotel Florida, admite. A sua tarefa consiste tão somente em receber as pessoas, filtrar por área de interesse (de preferência profissional), fazer as apresentações e garantir que todos se sintam acolhidos e integrados. Mas, pelos elogios que lhe têm sido dirigidos de viva voz e pelos comentários via página do evento no Facebook, poucas dúvidas restam de que está no bom caminho. Ninguém melhor do que eu para atestar o seu bom desempenho. Afinal, eis-me aqui a escrever sobre o assunto…

 

Quando lhe perguntei há quanto tempo dá a cara pelo BREAK, admitiu não estar seguro da data exata. Mas que já lá vão vários meses desde que abraçou (mais) esta causa, disso não tem dúvidas. Talvez pelo seu espírito indagador e pouco acomodado, quem sabe por ser gritante a homogeneidade dos participantes, o seu maior desafio neste momento é diversificar a clientela do BREAK. Com isso quer ele dizer que está a envidar esforços junto da organização e de outras entidades, no sentido de conseguir atrair novos públicos, especialmente os negros, cuja ausência é flagrante. Só para teres uma ideia, de todas as vezes que lá fui, e já são algumas, eu e uma amiga, crioula idem, erámos as únicas representantes da raça.

 

Numa sociedade cada vez mais multicultural e etnicamente diversificada, é caso para se pensar no porquê de tal acontecer. Lisboa, sobejamente associada à multiculturalidade e à tolerância, é uma cidade que conta com uma expressiva comunidade negra, mais do que qualificada para tomar parte em iniciativas do género.

 

Nesse caso, por onde andam estes exemplares que nunca deram as caras por lá? Porque não aderem a este tipo de iniciativas? Por falta de informação? Por desinteresse? Por complexo de (auto)exclusão? São as respostas a todas estas questões (e mais algumas) que o Diego procura. Só assim lhe será possível delinear uma estratégia de atração e captação de novas pessoas para o BREAK.

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Lembras-te deste vídeo que publiquei há uns mesitos? Se sim, hoje voltas a levar com ele, pois a busca por um emprego ando num frenesim que não me permite fazer um break para parir um post original. Se não, esta é uma boa ocasião para te inteirares da dinâmica das redes sociais em locais com pequenos aglomerados de pessoas.

 

Na humilde e pequena aldeia italiana de Civitacampomarano, com pouco mais de 400 habitantes, a rede móvel e a internet são realidades ainda muito longínquas porque as ligações nem sequer existem. Ainda assim, toda a gente tem acesso ao Facebook, WeTransfer, Whastapp, Tinder, E-bay, Gmail, Twitter e companhia.

 

Graças ao artista Fra Biancoshock, toda a população sabe o que acontece por ali e pode comunicar livremente, mas de uma forma bem diferente daquela a que estamos habituados. Aqui, o Facebook é literalmente um mural com as mais recentes atualizações, o Gmail funciona tal e qual como os correios convencionais e o WeTransfer faz realmente jus ao nome.

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22
Set16

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Meu bem, consideras-te uma pessoa sensível? Eu sim, e até demais, para mal dos meus pecados. Costumo dizer, quando baixa em mim o espírito da ordinária, que sou mais sensível que adolescente virgem em casa de luz vermelha.

 

Qualquer coisinha me afeta, o que me deixa emocionalmente abalada. É tão desgastante ser assim, mas cada um é como é não estou a ver-me a deixar de ser o que sou. Adiante… Isto tudo para dizer que há dias o Huffington Post elaborou uma lista com alguns aspetos quotidianos que fazem muita confusão aos portadores de maior sensibilidade emocional. A saber:

 

1. Conter as emoções
Algo impensável para uma pessoa deveras sensível.

 

2. Bater com a caneta ou qualquer outro tique
Muito influenciados pelo ambiente que os rodeia, este tipo de seres são incapazes de permanecer indiferentes perante qualquer som irritante.

 

3. Má educação
Pessoas assim costumam ser também bastante conscientes e preocupadas com os que estão á sua volta.

 

4. Ver filmes de terror só por diversão
Por serem indivíduos com um alto nível de empatia, colocam-se demasiadas vezes na posição do outro, algo não muito agradável quando se está a ser atacado, perseguido ou assombrado.

 

5. Críticas construtivas
O criticismo em geral é altamente stressante para uma pessoa muito sensível, seja ele construtivo ou não.

 

6. Tomar decisões com facilidade
Por terem medo de fazer algo de errado e magoar o outro, não encaram de ânimo leve dar um passo em frente

 

7. Atividades coletivas
Seja em aulas de grupo no ginásio ou noutro sítio qualquer, para quê expor-nos assim?

 

Analisando a minha personalidade à luz do acima exposto, reconheço que alguns destes aspetos não me dizem grande coisa. Por exemplo: adoro ver filmes de terror por pura diversão, aliás é o meu género favorito. Mas isso não quer dizer que me falta a capacidade de pôr-me na pele do outro, pelo contrário. Preocupo-me demasiado com os sentimentos alheios, a tal ponto que entre ferir os dos outros e os meus, opto (quase sempre) por salvaguardar os deles, ainda que isso me cause grande angústia.

 

Também não me revejo nos dois últimos itens, não mesmo! Independentemente de mais ou menos match com esta lista, o que importa reter é que a personalidade de uma pessoa mais sensível vai muito além de meras lágrimas. Possuímos níveis de intuição e empatia fora do normal, daí sermos tão suscetíveis a desilusões, mágoas e stress emocional.

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