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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida, na casa dos 30, que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Ora viva!

 

A crónica de hoje é fruto da inspiração matinal da Elsex, que lá da terra faz questão de contribuir para a boa dinâmica deste espaço. Obrigada, minha deusa de ébano.

 

"Bom diaaa...
Tudo de bom nesta sexta-feira:
sorriso na cara...
alma leve..
coração calmo...
respeito aos outros...
simpatia...
boa alimentação...
cuidar da tua pessoa...
pensar nas pessoas queridas...
descansar...
beber muita água...
não se irritar...
desejar bem aos outros...
se amar...
fazer diferente...
elogiar...
confiar...
abraçar...
dormir..."

 

Meu bem, faço votos para que o teu dia seja bem feliz e o fim de semana excelente. Até segunda!

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Ora viva!

 

Porque gente feliz não incomoda (pelo contrário); porque de fel e fealdade deve-se manter distância; porque a felicidade é um dos poucos sentimentos infecto-contagiosos que queremos, necessitamos e devemos ter por perto; porque acredito que a vida só vale a pena se for para ser e fazer os outros felizes; porque a essência deste blog é promover uma solteirice feliz; porque sim; deixa-me partilhar contigo este texto de Marcel Camargo, publicado este domingo no CONTI outra, um sítio bastante interessante onde volta e meia vou inspirar-me.

 

"A sociedade nos dita regras e normas de convivência, como se existissem manuais de como se portar perante os outros, como se houvesse homogeneidade naquilo que podemos ou não fazer, naquilo que devemos sempre sentir, em tudo o que é errado, inconveniente, e no que é o correto. Esquecem-se de que sentimentos não vêm com manuais, muito menos caráter. Esquecem-se de que não são as regras de etiqueta, mas sim o nosso comportamento com o próximo, que nos define a essência humana.

 

Existem pessoas extremamente polidas, bem vestidas, com um currículo académico impecável, mas que não cumprimentam ninguém por onde passam. Existem indivíduos que vivem em missas e cultos religiosos, que ditam de memória qualquer versículo bíblico, que participam ativamente dos eventos das paróquias, mas que só sabem fofocar e criticar a vida dos outros. Não podemos confundir apenas o que vemos superficialmente com o que cada um possui dentro de si.

 

Por outro lado, há pessoas que são solidárias, acolhedoras, agradáveis, éticas, que nos abraçam com verdade, que nos orientam com propriedade, que nos ouvem em silêncio reconfortante, sem precisar se mostrar, brilhar, sem afetações. São os sorrisos mais sinceros e curativos que existem. Pessoas que nos curam a alma, que nos resgatam dos escombros emocionais, que nos guiam para longe do nosso pior, que são felizes e por isso não aborrecem ninguém.

 

São aquelas pessoas doidas, simplesmente porque não se ajustam às convenções impostas, caso tenham que perder aquilo que as define, caso tenham que se anular para se adequar à suposta normalidade de uma sociedade hipócrita, cujos discursos, em sua maioria, cheiram a mofo. Na verdade, são doidas pela verdade, são loucas para ajudar, são malucas pelo bem do todo, pelo contentamento natural, sentindo-se bem quando quem caminha junto também está bem, sem inveja, sem mesquinharia alguma.

 

Se prestarmos atenção em tudo o que estamos perdendo, por conta de ficarmos dando importância a coisas inúteis, a momentos que devem ser deletados sumariamente e a pessoas desprezíveis, perceberíamos que falta muito pouco para sermos realmente mais felizes e tranquilos. Falta apenas caminhar junto das pessoas certas, guardando no coração somente o que nos fez melhores e nos desviando daquilo que não serve para nada, mas nada mesmo. É assim que deve ser e é de nós que isso depende, de mim e de você."

 

Que tal este artigo, tocou-te ou nem por isso? Dia bem feliz para ti, de preferência partilhado com pessoas felizes.

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10
Mar17

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Ora viva!

 

Que me perdoes mas com o tempo maravilhoso que se faz lá fora, seria até pecado ficar sentada atrás de um computador, ainda que seja a escrever para ti. Por isso, só tenho a dizer-te: "liberta o teu coração" e aproveita o dia para recarregar o teu stock de vitamina D e ser (ainda) mais feliz.

 

Um bom resto de dia e um excelente fim de semana, que esta solteira aqui vai apanhar um solzinho lá para a zona ribeirinha, que está um mimo. Queres ver? Pega nessas lindas bochechas traseiras que aposto que andam a precisar de tarefa e vai até lá confirmar.

 

Aquele abraço amigo de sempre!

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Ora viva!

 

Meu bem, de volta à vida ativa ou (ainda) na ressaca da folia? Seja lá qual for o teu estado de espírito, ainda por cima num dia tão cinzento, nada melhor que poesia para aquecer a nossa alma e acender a luz da boa disposição no nosso coração. Um contributo da amiga KL, que muito gentilmente fez questão de partilhar connosco estas magníficas palavras do Mário de Andrade:

 

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS

"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
Que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"

Mário de Andrade

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Ora viva!

 

Quem melhor que nós para atestar as (reais) vantagens da solteirice? Pelos vistos, a ciência; já que tem vindo a dedicar uma maior e melhor atenção a este fenómeno social. Tanto assim é que investigações científicas comprovaram cinco vantagens inerentes ao celibato. Confirma aí:

 

1. Melhores relações extra-amorosas
Estudos comprovam que até os melhores enlaces têm o lado negativo de afastar as pessoas das outras relações sociais. Quem nunca protagonizou ou assistiu a um episódio da novela 'Já ninguém lhe põe a vista em cima desde que arranjou namorado/a' que fale agora ou cale-se para sempre. Ora aqui está a razão porque os solteiros têm melhor relacionamento com os familiares, amigos e até vizinhos.
 
2. Melhor forma física
Novamente, a ciência comprova o que se observa no dia a dia: os casados felizes têm maior probabilidade de ganhar peso nos primeiros quatro anos de união. E não é coincidência os singles terem maior probabilidade de se manterem em forma, já que estando no mercado há que cuidar da aparência, mais do que nunca.
 
3. Maior satisfação profissional
Ao solteiro é possível dedicar, sem problemas de consciência ou cobranças de ausência, todo o tempo que quiser à carreira. Uma investigação da Universidade de Washington sugere mesmo que os solteiros gostam mais do seu trabalho e dão-lhe mais valor.
 
4. Menos dívidas
Um estudo americano permitiu concluir que ter uma relação ou estar casado é, literalmente, mais caro do que ser solteiro. Os solteiros eram os que tinham menos dívidas e se os casados tivessem filhos, então, a situação piorava.
 
5. Melhor qualidade de sono
Sem companhia na cama, ou seja, sem roncos, movimentos alheios, falta de espaço, ficar destapado ou horários desencontrados, o sono dos solteiros tende a ser melhor. Um estudo de 2012 mostrou que mesmo 26% dos inquiridos casados dormiam melhor sozinhos.
 
Depois destas razões, e de todas as outras que temos vindo a mencionar ao longo deste blog, é caso para perguntar porque tantas almas continuam a sentir-se infelizes, miseráveis até, por não estarem emparelhados.

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Ora viva!

 
Será uma boa ideia reatar uma relação? Voltar com quem já se esteve é prova de que o sentimento que existiu é verdadeiro? Resgatar sentimentos antigos é garantia de sucesso numa relação? Ou será insistir no erro e voltar a viver uma estória que se fosse para dar certo teria dado à primeira?
 
São estas as respostas que o artigo Voltar para os braços onde já foram felizes, uma publicação do DN, tenta dar àqueles que estejam numa onda de flashback amoroso, e não só. Antes que comeces com ideias, fica sabendo que não é o meu caso. Não mesmo! Feliz, ou infelizmente (já nem sei), não acredito em segundas oportunidades, pois penso que se não deu certo à primeira por algum motivo foi, pelo que convém não esquecer esse motivo.
 
Obviamente, esta minha perceção pode não coincidir com a tua, aliás nem tem que ser assim. Creio que todos nós temos conhecimento de algum caso de reconciliação francamente inspirador, capaz de nos fazer acreditar que o amor, quando verdadeiro, tudo vence, tudo supera, tudo alcança.
 
É esta minha personalidade vanguardista, focada no porvir e não no que já foi, que me leva a acreditar que se fosse para dar certo uma única oportunidade bastaria. Daí não ser adepta de reconciliações, expiradas 90 dias após a rutura. À custa da meditação, e de todas as palmadas que a vida me tem dado nos últimos tempos, vejo-me impelida a reformatar esta minha crença (e outras), empreitada que há de levar o seu tempo e que pode revelar-se inglória.
 
O essencial aqui é reconhcer que da leitura de todos aqueles testemunhos ficou a sensação de que todas aquelas estórias eram merecedoras de serem interpretadas como uma mensagem, uma espécie de lição de vida, um puxão de orelhas a esta minha tendência em ser intransigente e intolerante às falhas alheias, sobretudo na esfera amorosa.
 
Seja qual for a tua posição em relação a este assunto, acredito que vale a pena dares uma espreitadela, ainda que de relance, ao dito artigo, mais não seja porque finais felizes a poucos deixa indiferente.
 
Boa leitura, meu bem, e uma semana estupidamente feliz.

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Ora viva!

 

Portador de maior ou menor quantidade de neurotransmissores românticos, a verdade é que vem aí o dia mais amoroso do ano, o de São Valentim. A solteirice, apesar de um estado civil que a muitos realiza, não é uma sentença de vida. Com isso quero dizer que, a qualquer momento, o amor pode bater-nos à porta. É essencial estarmos atentos e de coração aberto para recebê-lo. Se não abrirmos o coração, o amor não entra.

 

Apesar do nome, este blog não é um manifesto anti-emparelhamento, pelo contrário. É, desde o primeiro post, pró amor, seja ele em versão duo ou, na ausência de um par, em versão solo. O imprescindível é que ele se faça presente na nossa vida. E isso não passa necessariamente pela presença de outro ser na nossa vida, no nosso coração ou na nossa cama.

 

A respeito disso, a minha filosofia é tão simples quanto isso: enquanto não chega aquele amor que todos nós almejamos e merecemos, contentemo-nos e sejamos felizes com o nosso próprio amor, mais essencial e grandioso que qualquer amor alheio.

 

A meu ver o amor acontece quando tem que acontecer, de forma natural e espontânea, sem que para isso necessitemos de traçar estratégicas de caça, numa autêntica campanha de marketing, que visa cativar o consumidor, mostrando-lhe (apenas) os benefícios do produto. Na fase da sedução ou enamoramento, tudo é um mar de rosas, as pessoas resumem-se a qualidades, predicados, encantos, gentilezas e boas intenções. Tal e qual o anúncio de um produto, em que só se revela o lado B da coisa.

 

O caldo começa a entornar quando o consumidor, tantas vezes incauto, depois da compra começa a constatar in loco que o dito produto não é aquela maravilha toda que o fizeram acreditar. Apesar dos defeitos fazerem parte do ser humano, a par das qualidades, muitos consumidores não conseguem gerir bem a situação, ao ponto de preferirem descartar, trocar (por outra versão, outro modelo, outra gama ou outra marca) ou simplesmente deixar de usar o dito artigo.

 

Sim, o amor dá trabalho. Mas a vida também, não? Tudo o que vale realmente a pena exige esforço, empenho, dedicação, motivação, paciência, perseverança, fé, foco e sentimento. Nem faria sentido ser de outra forma. Lamentavelmente, vivemos numa sociedade em que o culto da facilidade, da descartabilidade e da desresponsabilidade é uma realidade cada vez mais gritante. À primeira crise, ao primeiro descontentamento, ao primeiro defeito, abre-se mão. Tão simples quanto isso!

 

Quantas vezes não ouvi eu da boca de gajos o seguinte: "Por cada mulher que dá trabalho, existem três ou quatro que não dão. Então, porque hei de eu ralar-me?". Concorde ou não, o facto é que este ponto de vista tem a sua lógica, da mesma forma como espelha a forma como estamos adictos na lei do menor esforço.

 

A máxima nos dias de hoje consiste em pouca dificuldade para muita felicidade, pouco investimento para muito retorno, pouco esforço para muito proveito, pouco trabalho para muito prazer. Quanta ingenuidade, quanta pobreza de espírito, quanta mediocridade.

 

A dificuldade faz parte, na realidade, é precisa. No meu caso, é ela que motiva e instiga a fazer mais e melhor para conseguir atingir aquilo que eu quero. Claro que, à semelhança da maioria dos comuns mortais, chega uma altura em que canso, desanimo, desespero, deprimo e revolto. Ou seja, vou abaixo. Mas depois levanto-me, mais forte, mais motivada e ainda mais determinada. C'est la vie!

 

Aplico, igualmente, esta filosofia a relações interpessoais, em geral, e amorosas, em particular. Aprecio pessoas difíceis, não no sentido de andarem com joguinhos ou esquemas para te fazerem correr atrás ou mendigar pela sua atenção, mas no de levaram tempo para se revelarem plenamente, para manifestarem os seus sentimentos, para se comprometerem, para te cativarem. A meu ver, é a prova de que não são levianos, que pensam muito bem antes de agir e que só expressam o que realmente lhes vai na alma.

 

Bem, entusiasmei-me de tal modo com este parlapiê todo, que nem sequer cheguei a mencionar o verdadeiro tópico que tinha delineado para a crónica do dia. Sendo assim, vai ter que ficar para uma próxima, pois o dia já vai a meio e encontrar um emprego é preciso. Lá vou eu à minha odisseia de mandar currículos, não sem antes deixar-te com aquele abraço amigo e votos de um dia bem feliz para ambos. Nós merecemos!

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Ora viva!

 

Com menos de meia hora para dar-te atenção (o dia hoje tá que tá), opto por recorrer a publicações alheias, desta vez um texto de Karen Curi, publicado a semana passada na Revista Bula. Por favor, peço-te que não torças o nariz ao brasileirismo, que foi o que se pode arranjar.

 

"Por que as pessoas têm a mania de achar que felicidade só pode existir numa vida atrelada a outro coração? Ora, nascemos sós. Nada mais natural que vivamos e sejamos felizes em nossa própria companhia, que a alegria dependa exclusivamente de nós. Delegar essa função e responsabilidade é de uma crueldade absurda, é se eximir das consequências de todas as escolhas feitas, alugar a própria vida a um inquilino — e torcer para que ele cuide bem dela.

 

Tem gente que só consegue ser feliz em dupla, visionando a completude junto de outro corpo, lhe conferindo o valor de uma loteria acumulada. Calma lá. Isso é covardia existencial. É assumir um papel pequeno e secundário diante da grandeza de ser, perante a vastidão de caminhos a seguir. Eu acredito na felicidade conjugada tanto no singular quanto no plural. Podemos ser felizes connosco, com os outros, do jeito que for, cada um à sua maneira, mas sem depender de alguém para realizar as próprias alegrias, sem esperar para sorrir somente quando uma sombra se juntar oficialmente à nossa sombra. Quem disse que compromisso traz felicidade?

 

Su a favor do amor-próprio em primeiro lugar, acredito que só conseguimos amar alguém quando nos amamos, que só é possível respeitar o outro quando nos respeitamos.

 

Bagunça, só da porta para fora. Aqui dentro permanece aquele que somar a paz e multiplicar o riso. Não vale mascarar defeitos para simular um contentamento modesto e perecível. Quem disfarça os incómodos pela comodidade da companhia é o primeiro a sair aniquilado na batalha dos relacionamentos. Pior que enganar os outros é mentir para si mesmo; fingir uma cumplicidade de conveniência, uma paixão morna, um amor compartido, uma admiração falsa. Sentimentos minguados têm data certa para expirar. Aliás, nesse quesito só temos duas opções: ou a gente sente ou não sente. Respeitamos ou não. Amamos ou não. Não existe maneira de amar um pouco hoje, amanhã menos, outro dia mais.

 

É preciso entender que estar solteira não é sinónimo de abandono, mas, sim de escolha. É eleger-se primeiro, optar por ser feliz. Viver o agora com satisfação e sem a expectativa a dois. A falta de alguém para chamar de nosso não deve ser motivo de frustração, mas de proveito próprio. Companhias são muito bem-vindas, novos amigos, outros lugares…

 

Então, que seja o percurso natural da vida e o desejo honesto de compartilhar momentos junto de quem faça os olhos cintilar. Não por necessidade, mas por afinidade, vontade e, principalmente, sinceridade. Quando o coração galopar no peito e o pensamento não conseguir se soltar daquele sorriso, é bem provável que seja a hora de abrir as portas da casa e deixar o amor entrar, transformando as alegrias solteiras em felicidade a dois."

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Ora viva!

 

Com a inspiração a ir fim de semana mais cedo – disse-me que queria dar um saltinho até o Sabugal para brincar na neve (como poderia recusar-lhe um pedido destes?) – o artigo de hoje é assinado pela Margarida Vieitez, de quem já aqui tenho falado algumas vezes.

 

Publicado esta sexta-feira na Visão, sob o título Desesperadamente à procura de namorado, este texto espelha ipsis verbis a essência daquilo que venho apregoando e defendendo ao longo deste blog. Vale a e pena perderes alguns minutos do teu tempo.

 

"Não têm sessenta nem setenta anos. Têm trinta e cinco, quarenta anos… e não conseguem encontrar um namorado/a. Estudaram muito, têm um bom emprego, são médicos, advogados, juízes, professores, pilotos, engenheiros, apresentadores de televisão, trabalham muito mais do que era suposto, ganham mais ou menos bem, alguns acima da média, vivem com os pais, outros sozinhos, outros ainda vivem com os filhos porque se divorciaram.

 

Todos querem ter um namorado/a. Alguns dizem que não, que já estão "vacinados", mas a validade da "vacina" nem sempre é muito grande. São atraentes, cultos, inteligentes, interessantes, simpáticos, bons comunicadores, generosos, têm sentido de humor, são talentosos, alguns são figuras mediáticas do cinema, das telenovelas, da política, do mundo empresarial… tem tudo para ter não um, mas muitos "interessados". E têm, mas nenhum preenche os "requisitos" ao "lugar de namorado/a". Todos têm algo em comum: querem viver um grande amor e não o encontram.

 

Conforme os anos vão passando, maior a pressão. Elas porque o relógio biológico não pára de lhes gritar: "Despacha-te porque já não tens muito tempo". E quando não é o tal relógio, é a solidão que lhes sussura baixinho a cada instante: "Por este andar vais ficar sozinha!"

 

Eles, porque talvez já estejam saturados de "saltitar" de atração em atração ou cansados de sentir todas as noites o lado frio e vazio da cama, querem agora uma mulher em quem confiem, que os faça sentir "grandes", que valha a pena voltar para casa todos os dias.

 

Mais uma vez, em comum: a carência afectiva e a procura de se sentirem aceites, valorizados, desejados e amados. Querem o mesmo, mas não se encontram. Ou encontram e logo se desencontram. A lista dos requisitos nunca é preenchida e decidem "saltar fora". Fica a sensação de vazio e a dúvida se um dia acontecerá de novo. E enquanto não acontece, a tristeza, a angústia, a ansiedade, a frustração e o desespero vão se instalando, porque de uma forma ou de outra, podem sentir-se incapazes de o conseguir alcançar, mas especialmente porque os outros assim o fazem sentir.

 

Em pleno século XXI, vivemos numa sociedade e num mundo em que as pessoas sem namorado tem um qualquer problema ou "avaria", que todos tentam resolver e concertar. A pressão psicológica e emocional a que se auto-induzem, no sentido de encontrarem um namorado/a, e a pressão social e familiar pode ser tão intensa, a ponto de algumas pessoas fazerem uma série de disparates, como namorar com quem não gostam, nem delas gosta, ou mesmo casar, só para não ouvir os comentários dos pais e/ou dos amigos já casados e com filhos. Meses ou anos mais tarde divorciam-se.

 

São inúmeras as pessoas que me revelaram, ao longo do meu percurso profissional, terem casado sem querer casar, terem tido filhos sem quererem ser pais, terem "ficado" com pessoas que não amavam, apenas para fugir dos seus próprios medos e agradar a quem sentiam ter o dever de o fazer. Está admirado? A perguntar-se como é possível isto acontecer? Mas é esta a realidade.

 

Outra faceta desta realidade, é a procura de pessoas que não existem, a não ser na cabeça das pessoas que as procuram. Se as nossas avós queriam um homem que fosse um bom marido e um bom pai, e quando assim não acontecia, aguentavam para não ir viver para debaixo da ponte, hoje muitas mulheres procuram não homens, mas "super-homens", que sejam super-românticos, super-atenciosos, super-atentos, super-empáticos, super-conversadores, super-atraentes, super-sedutores, super na intimidade sexual, super-tolerantes e compreensivos, super-calmos, super bem-sucedidos, super-pais e de preferência super-ricos. E, quando uma destas "coisas" falha, colocam-lhes um ponto de interrogação vermelho na testa, mesmo quando o passado recente demonstra que eles têm muitas dessas qualidades.

 

A idealização pode ser a razão pela qual muitas mulheres fazem listas de requisitos essenciais, "descartam" ou não encontram um companheiro. Não estou a dizer que devem aceitar tudo para viver um amor, pois se o fizerem apenas viverão o "desamor", especialmente por si mesmas. Mas é preciso reduzir o uso da palavra "super", especialmente quando se trata de namorados. Talvez seja o caminho para encontrar e viver o amor que tanto quer. Amor e "super" não conjugam nenhum verbo e podem ser inconciliáveis.

 

E quanto aos homens? Será que eles sentem o mesmo? Será que também fazem listas de requisitos e andam a idealizar demasiado as mulheres? Será que querem "super-mulheres"? É curioso, porque a minha experiência com casais demonstrou-me que os homens não fazem listas de requisitos tão grandes e não idealizam tanto as mulheres, como elas os idealizam. Os homens não procuram tanto "super-mulheres". Aliás, isso do "super" assusta-os, pode fazê-los sentir inseguros, não estar "à altura" e levá-los a pensar "para que é que ela precisa de mim?".

 

Então, porque também não encontram as namoradas que querem? Parece-me que culturalmente os homens ainda não aprenderam a relacionar-se com estas "novas" e super-exigentes mulheres, especialmente os que têm mais de quarenta anos. As mães destes homens, muitas delas, educaram-nos para ter uma carreira de sucesso e não para os afectos ou para falar de amor ou de sentimentos. São "super-carreiristas" no trabalho, mas muitos deles estão ainda no "secundário", senão na "primária" no que toca à linguagem dos afectos, à empatia e ao descobrir das necessidades emocionais dessas mulheres e escondem as suas fragilidades e vulnerabilidades.

 

Os homens de vinte e de trinta anos já demonstram maior habilidade, mas ainda assim, quando chega o momento de falar sobre os problemas de uma relação e sobre afectos, tal como os primeiros, não percebem o que elas querem, e muito menos quando elas querem que eles sejam perfeitos e que lhes dêem um "tudo" que não existe.

 

Homens e mulheres, apesar de quererem ter uma relação, amar e sentir-se amados, parecem falarem línguas diferentes. Eles não têm paciência para conversas sobre problemas da relação, porque pensam que elas passam a vida a inventar problemas. Elas sentem total indiferença da parte deles quando eles se recusam a falar sobre o amor e se afastam. Ambos pensam que a relação vai acabar assim que discutem mais do que cinco minutos. Como querem ter namorados? Difícil, não lhe parece? Mesmo quando estão numa relação, é difícil encontrarem-se.

 

Outras razões por detrás deste desencontro, pode ser o facto de o desespero ser sentido por quem está potencialmente interessado, o colocar nas mãos de outra pessoa a responsabilidade pela sua felicidade, o acreditar numa relação perfeita, sempre cor-de-rosa e em que a paixão é uma constante, o focar-se nos aspectos negativos e nas experiências menos boas, esquecendo o "lado bom" e os momentos maravilhosos passados a dois.

 

Fundamental é perceber o que se passou nas suas relações passadas, porque acabaram e o que aprendeu com elas. Caso não o faça, existirá tendência a repetir os mesmos padrões e a procurar pessoas que alimentem esse mesmo "registo" de relação. A descartabilidade da sociedade em que vivemos pode levá-lo a "deitar relações para o lixo" só porque essa pessoa não é como queria que fosse, não pensa nem é como você.

 

Também pode estar a acontecer que estejam a projectar um no outro aspectos da sua própria personalidade com os quais lidam menos bem, ou a tentar resolver situações não resolvidas no passado com os progenitores.

 

Nos últimos anos, apercebi-me que muitos casais discutem e separam-se, porque projetam um no outro "dores" e sofrimento de um passado longínquo e de experiências mais ou menos marcantes.

 

Existe ainda uma mensagem que eu gostava de lhe deixar. O facto de ter um namorado/a não é garantia da sua felicidade. Não é o seu namorado/a que o vai fazer feliz. Ele/ela pode apenas fazer com que se sinta ainda mais feliz. Só vale a pena ter um namorado/a quando essa pessoa nos faz sentir ainda melhor connosco próprios, com os outros e com o Mundo.

 

Esqueça os "super-homens" e as "super-mulheres". Eles só existem nos filmes e na sua cabeça, são produto da sua imaginação. Conheça e perceba se consegue aceitar aquela pessoa com tudo de bom e menos bom que ela tem. Todos temos os dois lados e quanto mais depressa o aceitar, melhor para si.

 

O desespero para encontrar um amor, pode fazer com que ele fuja de si! Viva a sua vida o melhor que souber e puder. Seja Feliz consigo! Divirta-se, ria, brinque, sinta, viva… Quando se sentir muito bem consigo mesmo, esse amor vai aparecer. Nesse momento deve perguntar-se: Como me sinto melhor? Comigo, ou ao seu lado?

 

Se a resposta for a primeira, espere… Se for a segunda, conheça! E se continuar a sentir-se cada vez melhor, mais alegre e mais feliz… deixe-se de "supers" e ame!"

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04
Jan17
 

 

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Ora viva!

 

Chego fora de horas, mas bem disposta até ao tutano. Fui à meditação, hoje dedicada aos 'sacos de lixo' que vamos acumulando ao longo do tempo e dos quais precisamos nos livrar se queremos ter uma existência mais feliz. Por "lixo" entende-se toda a amargura, ressentimento, infelicidade, mágoa, tristeza, pessimismo, negatividade, desesperança, raiva, ódio, infelicidade, e por aí fora. Emoções que não só contaminam o nosso espírito como impedem que coisas boas entrem na nossa vida.

 

No final da sessão, a minha guru do bem convidou cada participante a tirar quatro cartas do baralho, correspondendo cada uma a um trimestre deste ano. De entre as quatro que escolhi, três faziam referência à abundância. Já na última sessão, ocorrida na véspera do fim de ano, tinha-me saído o Imperador, uma carta que, no meu caso, simbolizará realização/concretização, ou seja, coisas boas.

 

Ao que tudo indica, 2017 tem-me reservado muita fartura e prosperidade. Sobre o amor as cartas nem piaram, está-se mesmo a ver que ainda não é desta. Não faz mal, se pobre já sou o que sou, imagina agora cheia de posses.

 

O princípio, meio e fim para uma vida melhor, e uma das coisas que a minha guru do bem não se cansa de frisar, passa impreterivelmente por uma mudança na nossa forma de estar. Algo a que os dinamarqueses – simpáticos eles, não? – chamam de hygge.

 

Para estes descendentes diretos dos vikings, dos mais felizes e prósperos do mundo, esta palavra (que significa aconchego), mais do que um conceito é uma forma de estar na vida. Uma forma de estar que envolve uma atmosfera acolhedora e promove a proximidade entre amigos e familiares, a entreajuda de todos e o desapego ao drama e aos desejos individuais, tudo em nome da união de grupo.

 

Fantástico, não? Assim que a dona abundância der o ar da sua graça, coisa que, segundo os astros, será já neste primeiro trimestre, irei eu irei eu a caminho da Dinamarca. Meditada, em toda a sua plenitude, abastada, em toda a sua significância, e solteira, em toda a sua essência.

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